Uma leitura colaborativa através do Perusall
by Laura Silva Maria
Ao longo do tema 2 da UC de Avaliação em Contextos de eLearning, sob a responsabilidade das professoras Lúcia Amante e Elizabeth Souza, exploramos o livro Estratégias de avaliação para a aprendizagem online de Diane Conrad e Jason Openo (2019) com recurso ao Perusall, resultando na criação de um guia de boas práticas de avaliação online.
Metodologia
A metodologia utilizada para a construção deste guia foi interessante
e pertinente, tendo-se configurado numa tarefa com intencionalidade pedagógica
e promotora de reflexão. A leitura conjunta da obra no Perusall conferiu uma dinâmica de comunicação,
colaboração e pertença à atividade sendo o resultado – o guia – o culminar
de um verdadeiro esfoço comum, coerente com os “nós” de conexão de um
ecossistema de aprendizagem digital. A divisão dos capítulos da obra de Conrad e
Openo pelos estudantes possibilitou-nos, com espírito de entreajuda, apreender
os conteúdos da obra na íntegra.
Por fim, realizamos a autoavaliação através de um formulário,
que me permitiu refletir sobre a minha prestação, autorregular-me
e compreender onde posso melhorar.
Leitura
No que concerne à obra, procurei não resumir a leitura, mas
sim refletir e transmitir considerações que me pareceram pertinentes. Partilhei
sugestões de leitura e houve momentos em que senti necessidade de elaborar
materiais com recurso a outras ferramentas para transmitir ideias que julguei pertinentes.
Houve situações em que partilhei relatos de experiências pessoais,
fazendo analogias com excertos da obra, desenvolvendo-se uma relação de
interatividade e quase humanidade com o livro. A interação com os
comentários dos colegas foi igualmente enriquecedora e despoletou reflexões
mais profundas.
Não sendo o objetivo desta reflexão a análise da obra em
questão, não posso deixar de referir alguns conceitos e ideias que me despertaram
interesse e fizeram especial sentido.
Os capítulos 1 e 2 sobre os quais me debrucei mais profundamente
prendem-se com a avaliação na aprendizagem online e a relação entre os princípios
da educação de adultos com a aprendizagem e avaliação online.
Triangulação entre avaliação, metodologia e tecnologia
Gostaria de destacar o conceito de triangulação entre
avaliação, metodologia e tecnologia. A avaliação deverá espelhar a
metodologia de ensino e aprendizagem e ambas são indissociáveis. A tecnologia
deverá estar ao serviço da pedagogia, logo alinhada com as práticas metodológicas
e avaliativas apresentando intencionalidade pedagógica.
Avaliação formativa e feedback adaptativo
O apoio da tecnologia nas atividades
avaliativas será uma mais-valia se utilizada para uma avaliação formativa
centrada no percurso e na aquisição de competências. Uma avaliação formativa e um feedback adequados ao
longo de todo o processo promove a autonomia e facilita a autorregulação
por parte do aprendente, assim como permite ao professor reajustar a sua
prática em função das necessidades dos alunos (Morgado et al. 2022). Cardoso e Narciss (como citado em
Morgado et al. 2022) partilham da ideia de que um feedback adequado é
essencial.
Ainda estamos mudando ou chegamos lá?
Na relação que fui desenvolvendo com o livro e no diálogo
quase humano estabelecido, senti a última frase do capítulo 1 como se
direcionada especialmente para mim, como se o livro aguardasse a minha resposta.
Considero que ainda estamos mudando. A
nível do ensino regular, realidade que eu conheço, muitos professores têm
receio de sair da sua zona de conforto e segurança. Através de uma avaliação sumativa
baseada em testes estruturados,
sendo mais objetiva, torna-se mais fácil a atribuição de classificações
quantitativas. A exigência de uma avaliação quantitativa e de realização
de exames
nacionais para o acesso ao ensino superior, delimita as opções de práticas avaliativas alternativas, especialmente nas ciências exatas. Não obstante, com a evolução da IA, a forma tradicional de avaliar terá de ser repensada. Para
chegarmos lá serão necessários grandes ajustes políticos e institucionais, assim como um investimento na formação de
professores.
Os princípios da educação de adultos e os princípios da educação
básica e secundária
A obra de Conrad & Openo tem o seu foco no ensino
superior. Não obstante, senti sempre a necessidade de estabelecer paralelos através
do filtro da minha prática profissional de professora do ensino básico e
secundário e do desenvolvimento de projetos eTwinning.
Esta
reflexão leva-me a sugerir que a base de um ensino e aprendizagem de qualidade
– presencial ou a distância, de adultos ou alunos mais jovens - é a metodologia
e a intencionalidade pedagógica. A educação para o desenvolvimento de
competências como a flexibilidade, resiliência e adaptabilidade são
imprescindíveis para capacitar os indivíduos para um Mundo em constante mutação
que diariamente nos surpreende pela sua imprevisibilidade. Assim sendo, os
objetivos educacionais da educação de adultos e do ensino a distância (EaD) estão
alinhados com o que se pretende da educação geral.
Imagem produzida por IA em NotebookLM
As técnicas para motivar os aprendentes
adultos são essenciais para motivar todos os alunos do ensino básico e
secundário, onde cada vez mais se privilegiam as metodologias ativas, com
uma forte vertente colaborativa. Metodologias como a Aprendizagem
Baseada em Projetos (ex. projetos eTwinning) promovem não só
a aquisição de conteúdos em contexto real, mas também desenvolvem competências
essenciais para a vida.
PALAHICKY, 2017 (como citado em Conrad e Openo, 2019), refere
que um dos problemas da aprendizagem online entre os alunos mais jovens é a
falta de maturidade. Se efetivamente se comprova a falta de maturidade dos
alunos mais jovens, a escola não deverá promover o desenvolvimento da maturidade,
autonomia e responsabilidade através de metodologias promotoras do trabalho
colaborativo e desenvolvimento de competências?
Ou
deverá a escola, com base na potencial falta de maturidade dos alunos,
limitar-se a estratégias menos desafiantes?
Se para os adultos, considerados maduros, é importante um sentido
de propósito, mais relevante será para os aprendentes mais jovens, com mais
tendência para questionar muitas das atividades que lhes são propostas.
Ao longo da minha prática letiva como professora do ensino
básico e secundário, muitos alunos me questionaram “para quê precisamos
saber/fazer isso?”.
Assim sendo, a aprendizagem com propósito não é exclusiva da
educação de adultos, devendo desde a educação básica ser promovida uma aprendizagem
em contexto e com propósitos reais.
Considerações
Finais
Estamos
perante uma obra que aborda a avaliação no âmbito da educação de adultos e do EaD.
Contudo, verifica-se um paralelismo com as práticas desenvolvidas no ensino básico
e secundário.
Metodologias como a Aprendizagem Baseada em Projetos e
Aprendizagem Baseada em Problemas desenvolvem, desde tenra idade, competências
cognitivas essenciais.
Atividades no âmbito da Programação e Robótica são
desenvolvidas em educação pré-escolar e 1º ciclo, promovendo o
pensamento computacional em idade precoce.
Os projetos eTwinning desenvolvidos com recurso
a uma plataforma europeia, tendo como
principal objetivo o desenvolvimento de projetos colaborativos entre professores
e alunos de diversos países, com recurso ao digital são implementados desde a
educação pré-escolar. A metodologia subjacente é a Aprendizagem Baseada em
Projetos, de cariz socio-construtivista, devendo os alunos desenvolver atividades
colaborativas para a criação de um produto final comum. As
atividades, interdisciplinares, integradas no currículo e implementadas nas
diversas salas de aula em regime presencial, interligam-se com uma vertente
online é desenvolvida através da plataforma eTwinning, em colaboração
com os parceiros internacionais. À semelhança da educação de adultos, o
professor deverá ser um facilitador, criando condições para que os alunos
possam envolver-se ativamente na construção da sua aprendizagem. Desta
forma, os alunos não só adquirem os conteúdos curriculares em contextos reais,
como desenvolvem competências como a criatividade, espírito crítico,
empatia, autonomia e responsabilidade.
Ainda
assim, e indo ao encontro da ideia de “que o método de descoberta de buscar
soluções não é universalmente útil nem aplicável.”, (Stanford History Education
Group, citado em Conrad e Openo, 2019), considero que deverá haver um
equilíbrio e flexibilidade, cabendo ao professor analisar e adaptar o método ao
seu grupo de aprendentes, sejam eles adultos ou crianças.
Independentemente
de todas as reflexões, considero que as aprendizagens em idade precoce poderão
ser mais significativas promovendo um maior impacto a longo prazo.
Referências
Conrad, D.,
& Openo, J. (2019). Estratégias de avaliação para a aprendizagem
online (J. Mattar, D. W. A. Duarte, C. C. de Lima, & J. da Silva Nunes,
Trads.). Artesanato Educacional. https://read.aupress.ca/projects/assessment-strategies-for-online-learning/resource/portuguese-translation-estrategias-de-avaliacao-para-aprendizagem-online
Morgado, L., Aires, M.L., Seabra, F., Paz, J. Rocha, A.
(2022). Formação Avançada integrada no LE@D 2021-2022, LE@D,
Universidade Aberta. https://doi.org/10.34627/leadf.2022.5






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