domingo, 3 de maio de 2026

Estratégias de Avaliação para a Aprendizagem Online

 

Uma leitura colaborativa através do Perusall

by Laura Silva Maria

                              


Ao longo do tema 2 da UC de Avaliação em Contextos de eLearning, sob a responsabilidade das professoras Lúcia Amante e Elizabeth Souza, exploramos o livro Estratégias de avaliação para a aprendizagem online de Diane Conrad e Jason Openo (2019) com recurso ao Perusall, resultando na criação de um guia de boas práticas de avaliação online.


Metodologia

A metodologia utilizada para a construção deste guia foi interessante e pertinente, tendo-se configurado numa tarefa com intencionalidade pedagógica e promotora de reflexão.  A leitura conjunta da obra no Perusall conferiu uma dinâmica de comunicação, colaboração e pertença à atividade sendo o resultado – o guia – o culminar de um verdadeiro esfoço comum, coerente com os “nós” de conexão de um ecossistema de aprendizagem digital. A divisão dos capítulos da obra de Conrad e Openo pelos estudantes possibilitou-nos, com espírito de entreajuda, apreender os conteúdos da obra na íntegra.

Por fim, realizamos a autoavaliação através de um formulário, que me permitiu refletir sobre a minha prestação, autorregular-me e compreender onde posso melhorar.

 

Leitura

No que concerne à obra, procurei não resumir a leitura, mas sim refletir e transmitir considerações que me pareceram pertinentes. Partilhei sugestões de leitura e houve momentos em que senti necessidade de elaborar materiais com recurso a outras ferramentas para transmitir ideias que julguei pertinentes. Houve situações em que partilhei relatos de experiências pessoais, fazendo analogias com excertos da obra, desenvolvendo-se uma relação de interatividade e quase humanidade com o livro. A interação com os comentários dos colegas foi igualmente enriquecedora e despoletou reflexões mais profundas.

Não sendo o objetivo desta reflexão a análise da obra em questão, não posso deixar de referir alguns conceitos e ideias que me despertaram interesse e fizeram especial sentido.

Os capítulos 1 e 2 sobre os quais me debrucei mais profundamente prendem-se com a avaliação na aprendizagem online e a relação entre os princípios da educação de adultos com a aprendizagem e avaliação online.

 

Triangulação entre avaliação, metodologia e tecnologia

Gostaria de destacar o conceito de triangulação entre avaliação, metodologia e tecnologia. A avaliação deverá espelhar a metodologia de ensino e aprendizagem e ambas são indissociáveis. A tecnologia deverá estar ao serviço da pedagogia, logo alinhada com as práticas metodológicas e avaliativas apresentando intencionalidade pedagógica.

Imagem produzida por IA em Canva

 

Avaliação formativa e feedback adaptativo


Imagem produzida por IA em NotebookLM


O apoio da tecnologia nas atividades avaliativas será uma mais-valia se utilizada para uma avaliação formativa centrada no percurso e na aquisição de competências. Uma avaliação formativa e um feedback adequados ao longo de todo o processo promove a autonomia e facilita a autorregulação por parte do aprendente, assim como permite ao professor reajustar a sua prática em função das necessidades dos alunos (Morgado et al. 2022). Cardoso e Narciss (como citado em Morgado et al. 2022) partilham da ideia de que um feedback adequado é essencial.

 

Produzido em StoryBoard

 

Ainda estamos mudando ou chegamos lá?

Na relação que fui desenvolvendo com o livro e no diálogo quase humano estabelecido, senti a última frase do capítulo 1 como se direcionada especialmente para mim, como se o livro aguardasse a minha resposta. Considero que ainda estamos mudando. A nível do ensino regular, realidade que eu conheço, muitos professores têm receio de sair da sua zona de conforto e segurança. Através de uma avaliação sumativa baseada em testes estruturados, sendo mais objetiva, torna-se mais fácil a atribuição de classificações quantitativas. A exigência de uma avaliação quantitativa e de realização de exames nacionais para o acesso ao ensino superior, delimita as opções de práticas avaliativas alternativas, especialmente nas ciências exatas. Não obstante, com a evolução da IA, a forma tradicional de avaliar terá de ser repensada. Para chegarmos lá serão necessários grandes ajustes políticos e institucionais, assim como um investimento na formação de professores


Os princípios da educação de adultos e os princípios da educação básica e secundária

A obra de Conrad & Openo tem o seu foco no ensino superior. Não obstante, senti sempre a necessidade de estabelecer paralelos através do filtro da minha prática profissional de professora do ensino básico e secundário e do desenvolvimento de projetos eTwinning.

Esta reflexão leva-me a sugerir que a base de um ensino e aprendizagem de qualidade – presencial ou a distância, de adultos ou alunos mais jovens - é a metodologia e a intencionalidade pedagógica. A educação para o desenvolvimento de competências como a flexibilidade, resiliência e adaptabilidade são imprescindíveis para capacitar os indivíduos para um Mundo em constante mutação que diariamente nos surpreende pela sua imprevisibilidade. Assim sendo, os objetivos educacionais da educação de adultos e do ensino a distância (EaD) estão alinhados com o que se pretende da educação geral.

 

Imagem produzida por IA em NotebookLM


As técnicas para motivar os aprendentes adultos são essenciais para motivar todos os alunos do ensino básico e secundário, onde cada vez mais se privilegiam as metodologias ativas, com uma forte vertente colaborativa. Metodologias como a Aprendizagem Baseada em Projetos (ex. projetos eTwinning) promovem não só a aquisição de conteúdos em contexto real, mas também desenvolvem competências essenciais para a vida.

PALAHICKY, 2017 (como citado em Conrad e Openo, 2019), refere que um dos problemas da aprendizagem online entre os alunos mais jovens é a falta de maturidade. Se efetivamente se comprova a falta de maturidade dos alunos mais jovens, a escola não deverá promover o desenvolvimento da maturidade, autonomia e responsabilidade através de metodologias promotoras do trabalho colaborativo e desenvolvimento de competências?

Ou deverá a escola, com base na potencial falta de maturidade dos alunos, limitar-se a estratégias menos desafiantes?

Se para os adultos, considerados maduros, é importante um sentido de propósito, mais relevante será para os aprendentes mais jovens, com mais tendência para questionar muitas das atividades que lhes são propostas.

Ao longo da minha prática letiva como professora do ensino básico e secundário, muitos alunos me questionaram “para quê precisamos saber/fazer isso?”.

Assim sendo, a aprendizagem com propósito não é exclusiva da educação de adultos, devendo desde a educação básica ser promovida uma aprendizagem em contexto e com propósitos reais.

 

Considerações Finais

Estamos perante uma obra que aborda a avaliação no âmbito da educação de adultos e do EaD. Contudo, verifica-se um paralelismo com as práticas desenvolvidas no ensino básico e secundário.  

Metodologias como a Aprendizagem Baseada em Projetos e Aprendizagem Baseada em Problemas desenvolvem, desde tenra idade, competências cognitivas essenciais.

Atividades no âmbito da Programação e Robótica são desenvolvidas em educação pré-escolar e 1º ciclo, promovendo o pensamento computacional em idade precoce.

Os projetos eTwinning desenvolvidos com recurso a uma plataforma europeia, tendo como principal objetivo o desenvolvimento de projetos colaborativos entre professores e alunos de diversos países, com recurso ao digital são implementados desde a educação pré-escolar. A metodologia subjacente é a Aprendizagem Baseada em Projetos, de cariz socio-construtivista, devendo os alunos desenvolver atividades colaborativas para a criação de um produto final comum. As atividades, interdisciplinares, integradas no currículo e implementadas nas diversas salas de aula em regime presencial, interligam-se com uma vertente online é desenvolvida através da plataforma eTwinning, em colaboração com os parceiros internacionais. À semelhança da educação de adultos, o professor deverá ser um facilitador, criando condições para que os alunos possam envolver-se ativamente na construção da sua aprendizagem. Desta forma, os alunos não só adquirem os conteúdos curriculares em contextos reais, como desenvolvem competências como a criatividade, espírito crítico, empatia, autonomia e responsabilidade.

Ainda assim, e indo ao encontro da ideia de “que o método de descoberta de buscar soluções não é universalmente útil nem aplicável.”, (Stanford History Education Group, citado em Conrad e Openo, 2019), considero que deverá haver um equilíbrio e flexibilidade, cabendo ao professor analisar e adaptar o método ao seu grupo de aprendentes, sejam eles adultos ou crianças.

Independentemente de todas as reflexões, considero que as aprendizagens em idade precoce poderão ser mais significativas promovendo um maior impacto a longo prazo.

 

Referências

Conrad, D., & Openo, J. (2019). Estratégias de avaliação para a aprendizagem online (J. Mattar, D. W. A. Duarte, C. C. de Lima, & J. da Silva Nunes, Trads.). Artesanato Educacional. https://read.aupress.ca/projects/assessment-strategies-for-online-learning/resource/portuguese-translation-estrategias-de-avaliacao-para-aprendizagem-online

Morgado, L., Aires, M.L., Seabra, F., Paz, J. Rocha, A. (2022). Formação Avançada integrada no LE@D 2021-2022, LE@D, Universidade Aberta. https://doi.org/10.34627/leadf.2022.5

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