domingo, 29 de março de 2026

Os Ecossistemas de Educação Digital e a Plataforma eTwinning

 by Laura Silva Maria

Para entendermos o conceito de ecossistema de educação digital, não podemos deixar de ter presente toda uma evolução filosófica e sociológica resultante da revolução informacional no final do século XX, que fomentou o desenvolvimento de uma sociedade em rede com conectividade global (Castells, 1999). Não obstante, em termos conceptuais, atualmente verificamos uma evolução significativa do que é um ecossistema de educação digital face à sociedade em rede do final do século XX.

Pretendo com este artigo fazer uma reflexão comparativa sobre a forma como a plataforma eTwinning reflete alguns ideais de autores como Bauman, Floridi, Latour, Moreira, Novak, Requena e Santaella.

Os projetos eTwinning são desenvolvidos numa plataforma online europeia, fechada e segura. Estão integradas na comunidade eTwinning escolas de 46 países que desenvolvem projetos escolares colaborativos com recurso ao digital. Alinhado com o conceito de educação analógico-digital (Moreira&Trindade, 2019), os projetos eTwinning são desenvolvidos em sala de aula, podendo integrar atividades “tradicionais” com metodologias ativas e inovadoras, com recurso a uma plataforma digital. A metodologia preponderante subjacente aos projetos eTwinning é a metodologia baseada em projetos, que promove o desenvolvimento de competências-chave para preparar indivíduos para o mercado de trabalho global.

Indo ao encontro do conceito de infoesfera, (Floridi, citado em Moreira, 2025), passou-se do ensino centrado no professor a aprendizagem com foco no aluno, em relação com outros alunos em outros países, fora do espaço físico da aula. Do trabalho colaborativo internacional desenvolvido na plataforma eTwinning, resulta a co-construção de conhecimento coletivo (Bauman, citado em Moreira, 2025). Ainda alinhado com os ideais de Floridi (citado em Moreira, 2025), a plataforma eTwinning promove a privacidade e respeito dos alunos, sendo todo o trabalho desenvolvido em consonância com o Regulamento Geral de Proteção de Dados.

Coerente com a ideia de educação híbrida no sentido de Latour (citado em Moreira, 2025), que transpõe as fronteiras da sala de aula formal, o eTwinning abra a sala de aula ao mundo, fomentando competências interculturais.  Identifica-se aqui um certo paralelismo com a arquitetura líquida de Marcos Novak (citado em Moreira, 2025) que prevê a substituição da sala de aula física por um ecossistema digital mais abrangente.

A aprendizagem líquida defendida por Bauman (citado em Moreira, 2025) está bem patente nos projetos eTwinning.  Os alunos não só adquirem os conteúdos em contextos reais, mas também desenvolvem competências como a comunicação, colaboração, espírito criativo e analítico, responsabilidade e resiliência numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida. Desta forma estaremos a preparar indivíduos capazes de serem bem-sucedidos numa sociedade moderna marcada pela instabilidade, devendo estar aptos a adaptarem-se à mutabilidade dos percursos educativos e profissionais (Bauman, citado em Moreira, 2025).

Requena (citado em Moreira, 2025) vai mais além quando refere a co-autoria da aprendizagem, considerando que o ambiente de um espaço educativo afetuoso integra essa mesma co-autoria.  Este ideal está perfeitamente alinhado com a metodologia eTwinning, sendo que as parcerias internacionais e o trabalho colaborativo promovem a empatia e relações afetivas duradouras.

 

Os habitantes das ecologias de aprendizagem e os projetos eTwinning

Para autores como Floridi, Bauman, Latour e Santaella (citados em Moreira, 2025) os habitantes das ecologias de aprendizagem não são apenas elementos humanos, mas todos os elementos que integram a rede, sendo participantes ativos no processo educativo, incluindo os dispositivos móveis, assistentes virtuais e sistemas de inteligência artificial.

No que concerne à plataforma eTwinning, o acesso é restrito e seguro, não permitindo aos alunos navegar por “espaços” cujo acesso é mediado por algoritmos e que utilizam sistemas que influenciam a que conteúdos os alunos têm acesso. Embora os assistentes virtuais e sistemas de inteligência artificial não sejam partes integrantes da plataforma eTwinning, o seu desenvolvimento fora da plataforma e posterior integração na mesma é viável e encorajada se devidamente acompanhada pelo professor. Assim sendo, o professor deverá orientar os alunos no sentido de desenvolverem as literacias necessárias que lhes permitam fazer uma análise crítica, ética e responsável da inteligência artificial para a criação dos produtos a integrar nos projetos eTwinning.

 

Conclusão e desafios

Refletindo sobre os projetos eTwinning à luz dos ideais dos diversos autores citados, podemos concluir que “Os ecossistemas educativos digitais não podem, nem devem ser concebidos apenas como plataformas tecnológicas, mas como espaços híbridos que acolhem a complexidade emocional, social e cultural dos seus habitantes (professores e estudantes).” (Moreira, 2025, p.17).

É inegável o esforço a nível das políticas europeias na promoção de uma aprendizagem digital inclusiva e de qualidade com a implementação do Plano de Ação para a Educação Digital (Comissão Europeia, 2020). Contudo, na prática letiva atual, ainda nos deparamos com alguns desafios que carecem de atenção e que deixo para reflexão:

-Dificuldade de alguns professores em se “libertarem” de um ensino tradicional, expositivo e centrado no professor;

-Falta de formação de professores adequada a nível tecnológico e metodológico;

-Falta de envolvimento das estruturas institucionais – direções das escolas, sendo fulcral um reforço no desenvolvimento de estratégias institucionais relativas à utilização prática e sustentada de ecossistemas de educação digital.

 

Referências

Castells, M. (1999). A era da informação: Economia, sociedade e cultura: Vol. I. A sociedade em rede (2ªed.). Paz e Terra

Comissão Europeia. (2020). Plano de Ação para a Educação Digital 2021-2027: Reconfigurar a educação e a formação para a era digital (COM/2020/624 final).

E-Rede-UAb. (2019, 31 de outubro). [METODOLOGIAS ATIVAS] #2 Era Híbrida e Educação Disruptiva: António Moreira e Sara Dias-Trindade [Vídeo]. YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=z3q5sbjifZA

Moreira, J. A. (2025). Novos Ecossistemas de Aprendizagem nos Territórios Híbridos da Noosfera . Santo Tirso: Whitebooks.


sexta-feira, 13 de março de 2026

Story Dice - uma apresentação pelos dados

 by Laura S. Maria


Que forma simpática e criativa para nos apresentarmos no âmbito da UC de Avaliação em Contexto de eLearning 👍. Gostei de ler as várias histórias dos colegas.

Meu nome é Laura Silva Maria e também vos vou contar uma história.

Quantas cartas escrevi quando era jovem. Lembro-me da ansiedade enquanto esperava por resposta e da felicidade quando chegava uma carta pelo correio. Ainda tenho uma caixa cheia delas guardada no sótão. Como professora de Inglês e Alemão ainda sou do tempo em que promovíamos o pen-pal - intercâmbio por carta com os nossos alunos. Atualmente já não se escrevem cartas, por isso ainda promovo a troca de cartas por correio no âmbito de projetos Erasmus e eTwinning. E os miúdos gostam….

Cresci na Alemanha, vivo na Moita, sou licenciada em Línguas e Literaturas Modernas. Paralelamente à minha prática letiva, tenho trabalhado no âmbito da coordenação de projetos. Tive a oportunidade de integrar a Direção-Geral da Educação como coordenadora da Organização Nacional de Apoio eTwinning entre 2023 e 2025, experiência desafiante, mas enriquecedora. Sempre gostei de experiências novas e de aprender mais. Não recuso um desafio. Houve alturas em que parecia que tinha ingerido uma caixa de pilhas de forma a dar resposta a tudo. Ao longo da vida confrontei-me com a alguns catos com espinhos, que fui conseguindo espantar colocando um lençol na cabeça e correndo atrás deles. Sabiam que os catos têm medo de fantasmas?

Atualmente, com a missão cumpridas de duas filhas adultas e independentes já não há catos nem fantasmas que me apoquentem. O que aprecio mesmo é fazer o que gosto, estudar, ler, caminhar, apreciar as coisas boas e simples da vida como um saboroso prato de comida acompanhado de uma boa companhia e de uma agradável conversa.

Laura Silva Maria

sexta-feira, 6 de março de 2026

Apresentação Pessoal com Recurso à Inteligência Artificial - NotebookLM

 by  Laura Silva Maria

06-03-26

Prompt

Meu nome é Laura Silva Maria, cresci e estudei na Alemanha, e sou licenciada em LLModernas, variante de Inglês e Alemão, pela UNL. Sou professora de Inglês e Alemão (Alemão muito pouco, uma vez que não há muita procura). Sou formadora pelo CCPFC nas áreas de Didática das Línguas e Projetos Educativos. Vivo na Moita, distrito de Setúbal.

Desde 2013 que desenvolvo, coordeno e implemento projetos Erasmus, tendo aliado, desde 2017, a plataforma europeia eTwinning a esses mesmos projetos. Durante o período de confinamento, o Ensino a Distância tornou-se essencial, sendo as minhas aulas dadas exclusivamente através de projetos eTwinning.

Coordenei a Organização Nacional de Apoio eTwinning PT, integrada na Direção-Geral da Educação entre setembro 2023 e dezembro 2025, experiência muito desafiante e enriquecedora. 

A plataforma eTwinning permite-nos desenvolver projetos curriculares, colaborativos, com recurso ao digital, entre professores e alunos de diferentes países europeus.  

Após anos de experiência prática, senti necessidade de aprofundar os meus conhecimentos e competências na área da Pedagogia do eLearning, assim como obter uma especialização académica estruturada e atualizada.

Nos tempos livres gosto de ler, viajar, caminhar e fazer exercício e abraçar novas experiências.


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