Avaliação em Contextos de eLearning


 by Laura Silva Maria - 15-07-2026

Reflexão de uma Experiência de Aprendizagem

criado por ChatGPT


A viagem pela Avaliação em Contextos de eLearning foi muito enriquecedora, com temáticas pertinentes que despertaram o meu interesse desde o início. Os novos desafios colocados pela Inteligência Artificial (IA) ditaram uma mudança de paradigma no processo de ensino e aprendizagem e, concomitantemente, nos processos avaliativos. 

A unidade curricular (UC), da responsabilidade das professoras Lúcia Amante e Elizabeth Souza, apresentou um contrato de aprendizagem exigente, mas muito bem estruturado, facilitando a organização do trabalho ao longo do semestre. 

Os conceitos teóricos abordados ao longo da UC foram de extrema utilidade na definição de um plano de avaliação de um módulo de formação em contexto de e-learning, que constituiu o trabalho final da unidade curricular.

A abordagem metodológica foi essencialmente assíncrona em linha com os pressupostos da Universidade Aberta. Contudo, registaram-se alguns momentos síncronos que considerei particularmente relevantes por facilitarem uma proximidade com as professoras, fundamental para nos sentirmos acompanhados e inseridos numa turma real. A monitorização realizada pelas professoras, via fórum e email, potenciou esse sentimento de pertença.

A autoavaliação e a avaliação por pares, após cada atividade, com base em critérios e rubricas previamente definidos permitiu-me refletir sobre o desempenho dos colegas e sobre o meu próprio desempenho, autorregular-me e compreender onde posso melhorar.

A possibilidade de trabalhar sozinha, a pares e em grupo enriqueceu o resultado dos trabalhos realizados. Ademais, o trabalho colaborativo desafiou-nos a ser mais flexíveis, empáticos e responsáveis, aprofundando as nossas competências de cooperação, adaptabilidade e respeito pelo outro. 

 A atividade 0 - apresentação pelos dados – reforçou a relação de proximidade entre estudantes e professoras por se apresentar como uma atividade informal, divertida e altamente potenciadora da criatividade.  Considero esta atividade um quebra-gelo criativo passível de integrar a minha prática letiva.

A atividade 1 – o estado da arte da avaliação em eLearning – apresentou-se-nos como uma primeira abordagem ao desenvolvimento de um trabalho académico em coautoria com a IA, uma experiência inédita para mim e muito enriquecedora por permitir desmistificar a utilização da IA em trabalhos académicos.

Recorrer a ferramentas de IA para realizar uma pesquisa e comparar criticamente os resultados obtidos com as fontes originais é uma forma sublime de desenvolver a análise crítica da informação produzida pela IA e, ainda assim, efetuar a leitura cuidada da literatura científica original. Perante a dificuldade observada em contexto de ensino básico e secundário quanto a uma utilização responsável e ética da IA, esta é uma atividade que se adequa a esse contexto, promovendo o espírito crítico.

Apreciei particularmente a atividade 2 - a avaliação na educação online – baseada na leitura colaborativa da obra Estratégias de avaliação para a aprendizagem online, de Conrad e Openo (2019) com recurso à ferramenta Perusall.

A leitura conjunta da obra no Perusall conferiu uma dinâmica de comunicação, colaboração e pertença à atividade sendo o resultado – o guia – o culminar de um verdadeiro esforço comum.

A divisão dos capítulos da obra de Conrad e Openo pelos estudantes possibilitou-nos, com espírito de entreajuda, apreender os conteúdos da obra na íntegra. A interação com os comentários dos colegas foi igualmente enriquecedora e despoletou reflexões mais profundas.

Fazendo um paralelismo com a Aprendizagem Baseada em Projetos e o desenvolvimento de projetos eTwinning, temática que pretendo abordar na minha dissertação no segundo ano de mestrado, esta atividade promoveu o trabalho colaborativo entre os estudantes através da criação de um produto final comum – o guia. A professora, enquanto facilitadora, criou as condições para que os estudantes se envolvessem ativamente na construção da sua própria aprendizagem promovendo competências como a criatividade, o espírito crítico, a empatia, a autonomia e a responsabilidade. A tecnologia – Perusall – foi utilizada com um propósito, estando ao serviço da pedagogia.

Na atividade 3 – inteligência artificial e práticas de avaliação – demos continuidade ao trabalho em coautoria com a IA na escrita de um ensaio, o que permitiu aprofundar a reflexão sobre a utilização responsável da IA na avaliação em contexto académico.

A necessidade de descrever o papel assumido pela IA no processo de coautoria, contribuiu para uma consciencialização mais profunda sobre a sua utilização ética e responsável, forçando-me a adotar medidas conscientes de forma a não comprometer a autenticidade e a autoria do trabalho, garantindo a integridade académica e a transparência.

Importa sublinhar a importância do feedback exaustivo e transparente, ancorado em critérios e numa rubrica, facultado pela professora. Teria sido benéfica a disponibilização prévia da rubrica, uma vez que algumas das lacunas do meu trabalho poderiam ter sido corrigidas atempadamente. Ainda assim, o feedback permitiu-me compreender as fragilidades do meu trabalho, possibilitando elaborar uma reflexão autorreguladora que foi publicada no diário de bordo – blogue.

A atividade 4 – desenho de avaliação na educação online – permitiu aplicar as aprendizagens e os conceitos adquiridos ao longo do semestre, traduzindo-se numa atividade altamente pertinente e realizada com intencionalidade pedagógica. Permitiu articular aprendizagens e atividades realizadas noutras unidades curriculares, resultando num produto replicável na minha prática profissional.   


Conclusão

As aprendizagens adquiridas revelaram-se extremamente significativas, uma vez que tenciono, no segundo ano do mestrado, desenvolver um projeto de formação online.

A maior dificuldade ao longo deste semestre esteve associada à elevada exigência no âmbito das diversas UCs do mestrado, tendo como resultado a entrega de alguns trabalhos que careciam de mais atenção. Além disso, o elevado fluxo de comentários nos fóruns tornou-se difícil de acompanhar, nem sempre sendo fácil apresentar contributos não repetitivos.

Em suma, poderá referir-se que a UC de Avaliação em Contextos de eLearning apresenta cenários de avaliação reais, alinhados com a dimensão da praticabilidade, nomeadamente na vertente da sustentabilidade, preconizada pelo modelo PrACT (Amante & Oliveira, 2019), sendo os processos avaliativos estudados passíveis de serem implementados na minha prática profissional como formadora de professores e professora do ensino básico e secundário.

O valor significativo e a autenticidade das aprendizagens prendem-se com a replicabilidade das atividades desenvolvidas, não apenas no contexto da minha atividade profissional, mas também no âmbito do projeto a desenvolver no segundo ano de mestrado.

De salientar a vertente metacognitiva da UC, uma vez que a própria metodologia foi exemplificativa dos conceitos estudados. Esta UC permitiu-me capacitar para compreender e implementar um novo paradigma avaliativo, envolvendo os alunos e os formandos como participantes ativos e privilegiando a cultura da avaliação em detrimento da cultura do teste.

 

Referências

Amante, L., & Oliveira, I. (2019). Avaliação e feedback: Desafios atuais. Universidade Aberta. http://hdl.handle.net/10400.2/8419


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by Laura Silva Maria - 14-07-2026

A Inteligência Artificial e as 

Práticas de Avaliação Formativa


Imagem gerada por NotebookLM

Escrita de um Ensaio com Apoio da Inteligência Artificial

A atividade desenvolvida no âmbito da UC de Avaliação em Contextos de eLearning demonstrou ser muito pertinente para o aprofundamento de uma reflexão sobre a utilização responsável da Inteligência Artificial (IA) na avaliação em contexto académico.

A secção prévia do ensaio revelou-se particularmente relevante por me permitir desenvolver uma análise crítica mais aprofundada sobre os desafios da utilização da IA em trabalhos académicos. A necessidade de descrever o papel assumido pela IA no processo de coautoria, obrigou-me a adotar medidas conscientes de forma a não comprometer a autenticidade e a autoria do trabalho, garantindo a integridade académica e transparência. Esse processo contribuiu para uma consciencialização mais profunda sobre a utilização ética e responsável da IA.


Ensaio:

A Inteligência Artificial e a Avaliação na Autorregulação da Aprendizagem

Sendo a autorregulação um elemento facilitador de uma aprendizagem efetiva e transversal a diferentes componentes da avaliação, optei por aprofundar esta temática.

Neste ensaio procurei refletir sobre a avaliação formativa e a autorregulação da aprendizagem, o feedback e a autoavaliação, o feedback e a avaliação por pares, bem como sobre o papel da IA na autorregulação da aprendizagem. Ainda assim, uma articulação entre a Inteligência Artificial e os elementos em análise no referido texto carece de maior aprofundamento.

Importa, desde já, evidenciar o papel do feedback formativo na autorregulação da aprendizagem, uma vez que esta reflexão está ancorada no feedback fornecido pela docente da UC, com base numa rubrica analítica. A rubrica articulada com um feedback adequado, alinhado com uma avaliação para a aprendizagem, permitiu-me refletir de forma mais significativa sobre o trabalho realizado (Relvas, Pinto, Oliveira & Pereira, 2020, citados em Oliveira et al. ,2025).

Neste sentido, e numa perspetiva metacognitiva, pretendo aprofundar a relação entre os conceitos abordados com benefícios e desafios específicos apresentados pela Inteligência Artificial.


A Inteligência Artificial e a Avaliação Formativa

Feedback e rubrica analítica

O feedback com recurso à IA, por meio de chatbots, pode efetivamente facilitar o trabalho do professor. Enquanto o estudante obtém feedback imediato, facilitando a continuidade do seu estudo de forma autónoma, o professor fica mais disponível para tarefas orientadas para a personalização do processo de ensino e aprendizagem. Ainda assim, importa refletir sobre a forma como o feedback automatizado poderá promover autonomia ou dependência, tanto do estudante como do professor.  O desafio prende-se com as limitações dos tutores inteligentes, uma vez que não têm capacidade para se envolverem em interações mais intelectuais, nem conseguirão compreender contextos humanos (O'Dea & O'Dea, 2023). O estudante deverá estar munido de competências analíticas que lhe permita analisar criticamente as respostas obtidas, podendo compará-las com outras fontes de IA, sendo o professor o recurso mais fidedigno a quem recorrer em caso de dúvidas ou questões mais complexas. Razão pela qual o professor deverá ser responsável pela monitorização do processo avaliativo, garantindo o envolvimento dos estudantes de forma equilibrada entre a autonomia e a independência no uso fidedigno da IA.

No que concerne às rubricas analíticas, constata-se que o seu desenvolvimento em coautoria com a Inteligência Artificial é benéfico por facilitar uma tarefa que seria bastante morosa para o professor. A IA pode efetivamente libertar os humanos de trabalhos onerosos, tornando a avaliação mais fácil (Swiecki et al., 2022).   Cabe destacar, porém, que a criação de rubricas adequadas está dependente de prompts cuidadosamente elaborados pelo professor e direcionados ao resultado pretendido. Um diálogo iterativo com a IA é da exclusiva responsabilidade do professor, sendo igualmente da sua responsabilidade analisar criticamente os resultados facultados pela IA, decidindo sobre sua exclusão ou integração no processo avaliativo.   

No seguimento do exposto, a IA pode ter um papel preponderante nas várias estratégias que integram a avaliação formativa, para além do feedback.

Autoavaliação e avaliação por pares

Autoavaliação e avaliação por pares poderão igualmente assentar em rubricas produzidas em coautoria com a IA e, desta forma, permitir aos aprendentes refletir, autorregular o seu processo de aprendizagem e melhorar o seu desempenho.

No que concerne à autoavaliação, vejo com prudência a eficácia do recurso à Inteligência Artificial. De forma indireta, a utilização da IA poderá ser benéfica ao ser utilizada na elaboração de critérios de avaliação e rubricas. Contudo, recorrer à IA para avaliar o próprio desempenho, ainda que, mediante uma análise crítica cuidada dos resultados obtidos, não poderá comprometer a validade e a autenticidade da autoavaliação?

Relativamente à avaliação por pares, poderá ser benéfico recorrer a diferentes instrumentos de IA de forma a comparar os resultados obtidos a partir de prompts estruturados, com critérios e rubricas perfeitamente definidos. De salientar, contudo, que a validação será feita com base na avaliação efetuada pelo avaliador humano, sendo os resultados da IA meramente promotores de uma reflexão crítica mais aprofundada.

 

Imagem gerada por Chat GPT

Considerações Finais

O recurso à Inteligência Artificial para a avaliação no ensino superior apresenta inúmeras possibilidades.  Ferramentas EdTech poderão servir de apoio ao trabalho dos educadores na elaboração de materiais diversos, como critérios de avaliação e rubricas a implementar em atividades de autoavaliação e avaliação por pares. No âmbito da avaliação de competências em contexto digital, ambientes virtuais de aprendizagem, articulados com sistemas de IA facilitam a simulação de práticas em contexto real. A IA potencia, ainda, através de authentic assessment (Swiecki et al., 2022), a recolha e a análise de dados relevantes para o processo avaliativo, de forma a permitir ao educador monitorizar todo o processo durante a simulação e, deste modo, providenciar feedback adequado.

Como reflexão final, cumpre sublinhar a importância de recorrer à IA para potenciar uma avaliação autêntica e sustentável, facilitando a construção significativa das aprendizagens, em conformidade com a dimensão da autenticidade defendida pelo modelo PrACT (Amante & Oliveira, 2019). Importa igualmente acautelar que a IA promove processos avaliativos alinhados com uma praticabilidade defendida pelo modelo delineado por Amante e Oliveira (2019), devendo os designs avaliativos ser exequíveis nos contextos reais de implementação.

A Inteligência Artificial poderá constituir-se como um assistente facilitador nos processos avaliativos, contanto que seja sujeita a uma cuidada análise crítica que assegure a sua utilização transparente, equilibrada, responsável e ética. 

 

Referências

Amante, L., & Oliveira, I. (2019). Avaliação e feedback: Desafios atuais. Universidade Aberta. http://hdl.handle.net/10400.2/8419

O'Dea, X., & O'Dea, M. (2023). Is artificial intelligence really the next big thing in learning and teaching in higher education? A conceptual paper. Journal of University Teaching & Learning Practice, 20(5). https://doi.org/10.53761/1.20.5.05

Oliveira, I., Pereira, A., Amante, L., & Oliveira, R. (Eds.). (2022). A prática em avaliação digital de competências. LE@D, Universidade Aberta. https://doi.org/10.34627/leadw.2022.4

Oliveira, I., Pereira, A., Amante, L., & Rocio, V. (2025). Inteligência artificial e aprendizagem autorregulada: Que desafios? Revista Docência e Cibercultura, 9(1), 1–19. https://doi.org/10.12957/redoc.2024.81751

Swiecki, Z., Khosravi, H., Chen, G., Martinez-Maldonado, R., Lodge, J. M., Milligan, S., Selwyn, N., & Gašević, D. (2022). Assessment in the age of artificial intelligence. Computers and Education: Artificial Intelligence, 3, 100075. https://doi.org/10.1016/j.caeai.2022.100075

 


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Estratégias de Avaliação para a Aprendizagem Online 

Uma leitura colaborativa através do Perusall

by Laura Silva Maria 03-05-2026

                              


Ao longo do tema 2 da UC de Avaliação em Contextos de eLearning, sob a responsabilidade das professoras Lúcia Amante e Elizabeth Souza, exploramos o livro Estratégias de avaliação para a aprendizagem online de Diane Conrad e Jason Openo (2019) com recurso ao Perusall, resultando na criação de um guia de boas práticas de avaliação online.


Metodologia

A metodologia utilizada para a construção deste guia foi interessante e pertinente, tendo-se configurado numa tarefa com intencionalidade pedagógica e promotora de reflexão A leitura conjunta da obra no Perusall conferiu uma dinâmica de comunicação, colaboração e pertença à atividade sendo o resultado – o guia – o culminar de um verdadeiro esfoço comum, coerente com os “nós” de conexão de um ecossistema de aprendizagem digital. A divisão dos capítulos da obra de Conrad e Openo pelos estudantes possibilitou-nos, com espírito de entreajuda, apreender os conteúdos da obra na íntegra.

Por fim, realizamos a autoavaliação através de um formulário, que me permitiu refletir sobre a minha prestação, autorregular-me e compreender onde posso melhorar.

 

Leitura

No que concerne à obra, procurei não resumir a leitura, mas sim refletir e transmitir considerações que me pareceram pertinentes. Partilhei sugestões de leitura e houve momentos em que senti necessidade de elaborar materiais com recurso a outras ferramentas para transmitir ideias que julguei pertinentes. Houve situações em que partilhei relatos de experiências pessoais, fazendo analogias com excertos da obra, desenvolvendo-se uma relação de interatividade e quase humanidade com o livro. A interação com os comentários dos colegas foi igualmente enriquecedora e despoletou reflexões mais profundas.

Não sendo o objetivo desta reflexão a análise da obra em questão, não posso deixar de referir alguns conceitos e ideias que me despertaram interesse e fizeram especial sentido.

Os capítulos 1 e 2 sobre os quais me debrucei mais profundamente prendem-se com a avaliação na aprendizagem online e a relação entre os princípios da educação de adultos com a aprendizagem e avaliação online.

 

Triangulação entre avaliação, metodologia e tecnologia

Gostaria de destacar o conceito de triangulação entre avaliação, metodologia e tecnologia. A avaliação deverá espelhar a metodologia de ensino e aprendizagem e ambas são indissociáveis. A tecnologia deverá estar ao serviço da pedagogia, logo alinhada com as práticas metodológicas e avaliativas apresentando intencionalidade pedagógica.

Imagem produzida por IA em Canva

 

Avaliação formativa e feedback adaptativo


Imagem produzida por IA em NotebookLM


O apoio da tecnologia nas atividades avaliativas será uma mais-valia se utilizada para uma avaliação formativa centrada no percurso e na aquisição de competências. Uma avaliação formativa e um feedback adequados ao longo de todo o processo promove a autonomia e facilita a autorregulação por parte do aprendente, assim como permite ao professor reajustar a sua prática em função das necessidades dos alunos (Morgado et al. 2022). Cardoso e Narciss (como citado em Morgado et al. 2022) partilham da ideia de que um feedback adequado é essencial.

 

Produzido em StoryBoard

 

Ainda estamos mudando ou chegamos lá?

Na relação que fui desenvolvendo com o livro e no diálogo quase humano estabelecido, senti a última frase do capítulo 1 como se direcionada especialmente para mim, como se o livro aguardasse a minha resposta. Considero que ainda estamos mudando. A nível do ensino regular, realidade que eu conheço, muitos professores têm receio de sair da sua zona de conforto e segurança. Através de uma avaliação sumativa baseada em testes estruturados, sendo mais objetiva, torna-se mais fácil a atribuição de classificações quantitativas. A exigência de uma avaliação quantitativa e de realização de exames nacionais para o acesso ao ensino superior, delimita as opções de práticas avaliativas alternativas, especialmente nas ciências exatas. Não obstante, com a evolução da IA, a forma tradicional de avaliar terá de ser repensada. Para chegarmos lá serão necessários grandes ajustes políticos e institucionais, assim como um investimento na formação de professores


Os princípios da educação de adultos e os princípios da educação básica e secundária

A obra de Conrad & Openo tem o seu foco no ensino superior. Não obstante, senti sempre a necessidade de estabelecer paralelos através do filtro da minha prática profissional de professora do ensino básico e secundário e do desenvolvimento de projetos eTwinning.

Esta reflexão leva-me a sugerir que a base de um ensino e aprendizagem de qualidade – presencial ou a distância, de adultos ou alunos mais jovens - é a metodologia e a intencionalidade pedagógica. A educação para o desenvolvimento de competências como a flexibilidade, resiliência e adaptabilidade são imprescindíveis para capacitar os indivíduos para um Mundo em constante mutação que diariamente nos surpreende pela sua imprevisibilidade. Assim sendo, os objetivos educacionais da educação de adultos e do ensino a distância (EaD) estão alinhados com o que se pretende da educação geral.

 

Imagem produzida por IA em NotebookLM


As técnicas para motivar os aprendentes adultos são essenciais para motivar todos os alunos do ensino básico e secundário, onde cada vez mais se privilegiam as metodologias ativas, com uma forte vertente colaborativa. Metodologias como a Aprendizagem Baseada em Projetos (ex. projetos eTwinning) promovem não só a aquisição de conteúdos em contexto real, mas também desenvolvem competências essenciais para a vida.

PALAHICKY, 2017 (como citado em Conrad e Openo, 2019), refere que um dos problemas da aprendizagem online entre os alunos mais jovens é a falta de maturidade. Se efetivamente se comprova a falta de maturidade dos alunos mais jovens, a escola não deverá promover o desenvolvimento da maturidade, autonomia e responsabilidade através de metodologias promotoras do trabalho colaborativo e desenvolvimento de competências?

Ou deverá a escola, com base na potencial falta de maturidade dos alunos, limitar-se a estratégias menos desafiantes?

Se para os adultos, considerados maduros, é importante um sentido de propósito, mais relevante será para os aprendentes mais jovens, com mais tendência para questionar muitas das atividades que lhes são propostas.

Ao longo da minha prática letiva como professora do ensino básico e secundário, muitos alunos me questionaram “para quê precisamos saber/fazer isso?”.

Assim sendo, a aprendizagem com propósito não é exclusiva da educação de adultos, devendo desde a educação básica ser promovida uma aprendizagem em contexto e com propósitos reais.

 

Considerações Finais

Estamos perante uma obra que aborda a avaliação no âmbito da educação de adultos e do EaD. Contudo, verifica-se um paralelismo com as práticas desenvolvidas no ensino básico e secundário.  

Metodologias como a Aprendizagem Baseada em Projetos e Aprendizagem Baseada em Problemas desenvolvem, desde tenra idade, competências cognitivas essenciais.

Atividades no âmbito da Programação e Robótica são desenvolvidas em educação pré-escolar e 1º ciclo, promovendo o pensamento computacional em idade precoce.

Os projetos eTwinning desenvolvidos com recurso a uma plataforma europeia, tendo como principal objetivo o desenvolvimento de projetos colaborativos entre professores e alunos de diversos países, com recurso ao digital são implementados desde a educação pré-escolar. A metodologia subjacente é a Aprendizagem Baseada em Projetos, de cariz socio-construtivista, devendo os alunos desenvolver atividades colaborativas para a criação de um produto final comum. As atividades, interdisciplinares, integradas no currículo e implementadas nas diversas salas de aula em regime presencial, interligam-se com uma vertente online é desenvolvida através da plataforma eTwinning, em colaboração com os parceiros internacionais. À semelhança da educação de adultos, o professor deverá ser um facilitador, criando condições para que os alunos possam envolver-se ativamente na construção da sua aprendizagem. Desta forma, os alunos não só adquirem os conteúdos curriculares em contextos reais, como desenvolvem competências como a criatividade, espírito crítico, empatia, autonomia e responsabilidade.

Ainda assim, e indo ao encontro da ideia de “que o método de descoberta de buscar soluções não é universalmente útil nem aplicável.”, (Stanford History Education Group, citado em Conrad e Openo, 2019), considero que deverá haver um equilíbrio e flexibilidade, cabendo ao professor analisar e adaptar o método ao seu grupo de aprendentes, sejam eles adultos ou crianças.

Independentemente de todas as reflexões, considero que as aprendizagens em idade precoce poderão ser mais significativas promovendo um maior impacto a longo prazo.

 

Referências

Conrad, D., & Openo, J. (2019). Estratégias de avaliação para a aprendizagem online (J. Mattar, D. W. A. Duarte, C. C. de Lima, & J. da Silva Nunes, Trads.). Artesanato Educacional. https://read.aupress.ca/projects/assessment-strategies-for-online-learning/resource/portuguese-translation-estrategias-de-avaliacao-para-aprendizagem-online

Morgado, L., Aires, M.L., Seabra, F., Paz, J. Rocha, A. (2022). Formação Avançada integrada no LE@D 2021-2022, LE@D, Universidade Aberta. https://doi.org/10.34627/leadf.2022.5

Laura Silva Maria



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Avaliação em Contextos de Elearning
    Sessão Síncrona

by Laura Silva Maria 02-05-26
Realizou-se no dia 13 de abril de 2026 a primeira sessão síncrona no âmbito da unidade curricular (UC) de Avaliação em Contextos de Elearning, integrada no Mestrado de Pedagoga do eLearning.

A sessão foi dirigida pelas professoras Lúcia Amante e Elizabeth Souza e estiveram presentes os estudantes inscritos nesta UC.


Esta sessão teve como objetivos a apresentação das professoras e dos estudantes, assim como fazer um balanço das atividades desenvolvidas no âmbito do tema 1 – estado da arte da avaliação em e-learning - e esclarecimento de dúvidas sobre as atividades em curso – tema 2 - a avaliação na educação online.

As professoras abordaram a questão da utilização da inteligência artificial (IA) no decurso dos trabalhos da UC, reforçando a necessidade de haver uma abordagem crítica, ética e responsável e que potencie a qualidade das aprendizagens. Não deverá ser delegada na IA a realização de tarefas, mas a mesma deverá ser incluída como apoio na melhoria do nosso desempenho. Torna-se cada vez mais imperativo em contexto académico que seja registado o tipo de utilização feita da IA, de forma a garantir a sua utilização transparente e ética.

No que respeita à avaliação em contextos de e-learning foram debatidos os conceitos de autoavaliação, avaliação por pares e a o alinhamento da avaliação com a metodologia de ensino e aprendizagem.

Uma mudança de paradigma da avaliação prevê que a mesma seja feita não só pelo outro, mas por nós próprios no sentido de promover a autorregulação. No âmbito desta UC teremos a possibilidade de pensarmos sobre a nossa própria avaliação como processo de autorregulação, assim como iremos desenvolver avaliação por pares. Ao aplicarmos, na prática, conceitos que estamos a estudar, estaremos a desenvolver aprendizagens verdadeiramente significativas e em contexto.

A avaliação deverá espelhar as práticas de ensino e aprendizagem. Devemos avaliar da mesma forma como ensinamos. No ensino regular, ainda nos deparamos com alguns desafios neste sentido. Os professores do ensino regular, especialmente no ensino secundário, apresentam alguma dificuldade em desenvolver metodologias ativas e colaborativas centradas no desenvolvimento de competências, uma vez que são direcionados para uma avaliação classificativa que deverá culminar em exames nacionais cujos resultados são decisivos para o acesso ao ensino superior.  Neste alinhamento, não poderemos mudar as práticas letivas enquanto não houver mudança de práticas avaliativas. Uma mudança de paradigma dessa ordem carece de vontade política, sendo necessário uma restruturação que não depende dos professores, nem das escolas.

No seguimento desta discussão, a professora Elizabeth Souza acrescentou tratar-se de uma área que, devido à sua complexidade, carece de investigação científica a nível macro, sendo necessário um maior envolvimento político.

Como doutoranda na área da avaliação, deixou o convite aos estudantes presentes no sentido de equacionarem desenvolver investigação sobre esta temática.

Laura Silva Maria
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Avaliação em Contextos de eLearning
 Estado da Arte

by Laura S. Maria 06-04-26 

Considero a temática da Avaliação em Contextos de eLearning muito pertinente, especialmente com os novos desafios apresentados pela Inteligência Artificial (IA). Muito se tem falado de metodologias ativas, centradas no aluno e promotoras do trabalho colaborativo e desenvolvimento de competências. Será que as atividades avaliativas têm acompanhado este novo paradigma na educação?

É imperativo refletirmos de forma cuidada e consciente sobre esta temática, devendo a avaliação espelhar as atividades desenvolvidas no âmbito do processo de ensino e aprendizagem.

A primeira atividade da unidade curricular de Avaliação em Contextos de eLearning foi dedicada à exploração do estado da arte da avaliação em eLearning. A utilização da IA como ponto de partida para a exploração deste tópico - numa vertente metacognitiva - e a comparação das respostas com fontes científicas fidedignas,  possibilitou não só uma compreensão do estado da arte, mas também a utilização crítica e criativa da IA.  

Genericamente, a IA identificou uma mudança de paradigma nos processos avaliativos online – de uma avaliação centrada em instrumentos de avaliação de respostas fechadas para atividades avaliativas alinhadas com o sócio-construtivismo, como instrumentos de avaliação de competências, portefólios e fóruns de discussão.

Não obstante, as respostas da IA apresentaram-se limitadas e generalizadas, sendo necessário um aprofundamento da temática recorrendo a leitura científica.

Nesta linha, a IA poderá ser uma opção adequada como ponto de partida para uma pesquisa, sendo que, a informação terá sempre de ser aprofundada e cientificamente corroborada por meio de literatura validada.





Como sugestão de leitura deixaria o
 estudo de Souza & Amante (2019), subjacente ao modelo PrACT, que descreve a centralidade da autenticidade avaliativa, nomeadamente a similitude com contextos reais, a complexidade cognitiva e a significância das tarefas avaliativas no âmbito de um curso profissional ministrado a distância.

Laura Silva Maria


Souza, E. B., Amante, L. (2019). Avaliação Alternativa Digital: o Modelo PrACT aplicado à Educação Profissional, In A. J. Osório, M. J. Gomes, A. J. Valente, (Atas da XI Conferência Internacional de Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação – Challenges 2019, pp. 1097-1112. Braga: Universidade do Minho. 

http://hdl.handle.net/10400.2/10361 



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by Laura S. Maria 13-03-26 

Story Dice - uma apresentação pelos dados


Que forma simpática e criativa para nos apresentarmos no âmbito da UC de Avaliação em Contexto de eLearning 👍. Gostei de ler as várias histórias dos colegas.

Meu nome é Laura Silva Maria e também vos vou contar uma história.

Quantas cartas escrevi quando era jovem. Lembro-me da ansiedade enquanto esperava por resposta e da felicidade quando chegava uma carta pelo correio. Ainda tenho uma caixa cheia delas guardada no sótão. Como professora de Inglês e Alemão ainda sou do tempo em que promovíamos o pen-pal - intercâmbio por carta com os nossos alunos. Atualmente já não se escrevem cartas, por isso ainda promovo a troca de cartas por correio no âmbito de projetos Erasmus e eTwinning. E os miúdos gostam….

Cresci na Alemanha, vivo na Moita, sou licenciada em Línguas e Literaturas Modernas. Paralelamente à minha prática letiva, tenho trabalhado no âmbito da coordenação de projetos. Tive a oportunidade de integrar a Direção-Geral da Educação como coordenadora da Organização Nacional de Apoio eTwinning entre 2023 e 2025, experiência desafiante, mas enriquecedora. Sempre gostei de experiências novas e de aprender mais. Não recuso um desafio. Houve alturas em que parecia que tinha ingerido uma caixa de pilhas de forma a dar resposta a tudo. Ao longo da vida confrontei-me com a alguns catos com espinhos, que fui conseguindo espantar colocando um lençol na cabeça e correndo atrás deles. Sabiam que os catos têm medo de fantasmas?

Atualmente, com a missão cumpridas de duas filhas adultas e independentes já não há catos nem fantasmas que me apoquentem. O que aprecio mesmo é fazer o que gosto, estudar, ler, caminhar, apreciar as coisas boas e simples da vida como um saboroso prato de comida acompanhado de uma boa companhia e de uma agradável conversa.

Laura Silva Maria

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