Ambientes Virtuais de Aprendizagem


Ecossistema Digital de Aprendizagem

by Laura Silva Maria
22-06-26




No âmbito do trabalho final da UC de Ambientes Virtuais de Aprendizagem, sob orientação do Professor António Moreira, fomos convidados a desenvolver um Ecossistema Digital de Aprendizagem na plataforma Moodle. Apresento a minha proposta de curso de formação no âmbito do projeto eTwinning por estar integrado na minha área de trabalho.



O eTwinning é uma comunidade de escolas europeias que privilegia a colaboração entre professores e alunos de diferentes países através do desenvolvimento de projetos, troca de experiências e aprendizagem mútua. O curso de formação “Utilização de ferramentas web 2.0 e IA no desenvolvimento de projetos colaborativos com recurso à plataforma eTwinning” constitui-se como um curso online em formato síncrono e assíncrono que visa oferecer diferentes oportunidades para o desenvolvimento de competências dos professores, tanto no que respeita à mudança de metodologia de trabalho na sala de aula, como à integração do digital em contexto de aprendizagem. O relatório da UNESCO (2018) ressalta a importância vital de os professores, através de formação contínua, adquirirem competências que lhes permitam educar os alunos da era digital, pelo que, através deste curso, preconiza-se a apresentação e idealização de cenários de aprendizagem ativa, com vista a uma implementação mais efetiva e consolidada, do digital, em espaço de sala de aula. A par do referido, este curso permite, também, explorar as vertentes do trabalho de projeto e do trabalho cooperativo e colaborativo, tão necessárias para colocar em prática o preconizado no "Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória".

  


 Este curso tem como objetivos:

 -Desenvolver nos professores competências para a utilização pedagógica de recursos digitais;

-Fomentar o uso seguro e responsável da Internet e da Inteligência Artificial;

-Promover o uso da metodologia de trabalho de projeto;

-Desenvolver competências de liderança, trabalho em equipa, resolução de problemas e comunicação;

-Promover a inclusão e a diversidade, bem como a compreensão e o respeito mútuo;

-Estimular a criatividade e a capacidade de encontrar soluções inovadoras para problemas;

-Estabelecer ligações entre a vida escolar e a vida no mundo real, promovendo aprendizagens significativas;

-Planificar e submeter projeto eTwinning com recurso a ferramentas digitais e de IA, promotoras de trabalho colaborativo com alunos.

 

O curso de formação irá decorrer online em formato síncrono e assíncrono, sendo distribuído por 6 sessões de 2h30. Será disponibilizado um link ZOOM para aceder à sala da reunião. Durante as sessões será explorada a plataforma ESEP/Etwinning, assim como haverá recurso ao Moodle. As atividades são desenvolvidas em ambiente colaborativo, de partilha e reflexão. Serão promotoras das competências colaboração, comunicação, partilha e metacognição.

As atividades desenvolvidas e recursos utilizados - ferramentas web 2.0 e IA - apresentam uma intencionalidade pedagógica, tendo sido criteriosamente pensados no sentido de poderem ser replicados pelos professores com os seus alunos no desenvolvimento de projetos eTwinning.

No final de todas as sessões haverá um momento para partilha e reflexão em grande grupo, sobre as atividades desenvolvidas. Como produto final os formandos deverão desenvolver colaborativamente a planificação de um projeto que deverá ser submetida na plataforma eTwinning. No final da formação, será solicitado aos formandos a realização de autoavaliação, avaliação por pares e avaliação da formação e da formadora. Os formandos irão, ainda, elaborar um relatório que espelhe o seu percurso e as suas experiências de desenvolvimento profissional, vividas ao longo da formação.

 

Serão abordados os seguintes conteúdos:

• O que é o eTwinning?

Descobrir a European School Education Platform

A metodologia de projeto

Exploração no eTwinning - funcionalidades do espaço pessoal

Estabelecer contactos e parcerias eTwinning

Criar e submeter um projeto eTwinning

Potencialidades do TwinSpace

Organização, gestão e dinamização do TwinSpace

Cidadania Digital e RGPD

• Utilização ética da IA

• Critérios de qualidade para um projeto eTwinning

Planificação colaborativa de um projeto eTwinning

Licenças Creative Commons e Recursos Educacionais Abertos

Ferramentas digitais para o desenvolvimento de projetos eTwinning

    


Reflexão Final

O desenvolvimento desta atividade final foi muito enriquecedor, permitindo integrar em um espaço, o Moodle, uma variedade de aprendizagens adquiridas ao longo do mestrado em Pedagogia do eLearning nas diversas UC. A criação deste curso permitiu cruzar a minha experiência profissional no âmbito da concessão de projetos europeus com ambientes virtuais de aprendizagem, ferramentas digitais e de inteligência artificial, recursos educacionais abertos, licenças creative commons e avaliação em contexto de eLearning.  O curso, integrador de todos os conceitos referidos, pretende-se que tenha uma aplicabilidade prática, tendo este trabalho servido um propósito real.

 

Referência

Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. (2018). Quadro de competências em TIC para professores da UNESCO (3.ª ed.). UNESCO. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000371024

 

 

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Encantamento Tecnológico versus

 Intencionalidade Pedagógica

by  Laura Silva Maria
19-06-26


Imagem gerada por IA no Canva

O novo paradigma da educação OnLIFE (Schlemmer et al., 2023) emergente no terceiro milénio resulta de uma evolução tecnológica que tem os seus primórdios na revolução informacional no final do século XX, com consequentes redes interativas que foram propulsoras de uma sociedade em rede com conectividade a nível global (Castells, 1999).  A excessiva variedade e quantidade de informação difundida implicaria desenvolver nos indivíduos uma capacidade analítica e crítica que viabilizasse a seleção da informação e diferenciação da desinformação. Neste novo paradigma educativo privilegiam-se metodologias ativas centradas no aprendente com forte vertente colaborativa. No seguimento desta contextualização, gostaria de aprofundar a seguinte questão:

Como formar sujeitos verdadeiramente autónomos em ecossistemas digitais cada vez mais imersivos, preditivos e emocionalmente persuasivos?

As competências essenciais para a vida ativa integrada numa sociedade em rede, como o espírito crítico, a resolução de problemas e também a autonomia, deverão ser desenvolvidas desde a educação pré-escolar com metodologias centradas no trabalho colaborativo e no envolvimento ativo das crianças. Para isso, não será necessário recorrer ao digital ou ao virtual, embora o possamos fazer. Querendo com isto dizer que, num momento em que os ecossistemas imersivos, preditivos e emocionalmente persuasivos não terão, ainda, uma implementação generalizada no nosso sistema de ensino básico, devemos, não obstante, fomentar nos alunos a aquisição de competências e da literacia que os preparem para se movimentarem nos ecossistemas digitais imersivos de forma autónoma, quando confrontados com os mesmos.

 Não defendendo uma posição tecnofóbica, mas valorizando, acima de tudo, a inovação pedagógica, não pude deixar de identificar vários paralelismos entre conceitos associados ao paradigma da educação OnLIFE e metodologias, mais ou menos tradicionais, não obrigatoriamente associadas à tecnologia e ao digital.




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 Atrevo-me a sugerir que a aprendizagem inventiva e o hibridismo das hiperinteligências (Schlemmer et al., 2023) assentam nos pressupostos da aprendizagem baseada em projetos e aprendizagem baseada em problemas (ABP). A ABP parte de um problema do mundo real no qual os aprendentes têm de se envolver ativamente de forma colaborativa e para o qual deverão procurar solução. O protagonismo ecológico-conectivo defendido por Schlemmer et al. (2023), na sua vertente específica da conectividade (sem o aspeto ecológico), poderá considerar-se alinhado com o trabalho colaborativo desenvolvido em ABP. Por outro lado, a emergência das hiperinteligências, à semelhança do verdadeiro trabalho colaborativo presente na ABP, não resultam da junção de várias inteligências, mas sim de uma interdependência, da criação de novo saber – a aprendizagem inventiva. A verdadeira essência do trabalho colaborativo é o que Schlemmer defende como

 “pensar para além de uma perspectiva adaptativa, específica de cada inteligência; naquilo que se produz no coengrendramento, num processo de cocriação, de “fazer com” e que, portanto, refere a transformação de ambos (cotransformação). E, mais ainda, num possível “terceiro” que emerja nesse/desse hibridismo, ou seja, não somente cocriação e cotransformação, mas a invenção de algo que antes não existia”. (Schlemmer et al., 2023, p. 63).

 Continuando a minha reflexão comparativa, relativamente à imersão, sendo a mesma concebida como “estado cognitivo em que se está absorto, isto é, com profundo envolvimento” (Morgado, 2022, p. 104), questiono se poderá ser considerada imersão uma atividade, na qual os alunos estão profundamente absorvidos, por exemplo um role-play, mesmo sem a mediação da tecnologia?

Indago se, à luz do entendimento tridimensional da imersão apresentado por Morgado (2022), poderá ocorrer aprendizagem por imersão pela ação ou pela narrativa em alunos absortos em uma atividade estrategicamente planeada, sem que para isso se tenha de recorrer à tecnologia – imersão pelo sistema.

 Cumpre sublinhar que, de modo algum, pretendo diminuir a relevância da educação OnLIFE e a imperatividade de todos nos mantermos atualizados quanto às tecnologias emergentes como a inteligência artificial, metaversos, RV, RA e RX.

O novo paradigma da educação OnLIFE veio acrescentar a vertente transorgânica dos atos conectivos a uma aprendizagem inventiva, sendo que neste paradigma as hiperinteligências e a aprendizagem inventiva resultam de uma ecologia conectiva de redes de humanos e entidades não humanas.

 Considero o equilíbrio a palavra-chave na abordagem destas questões. Na utilização dos metaversos deverá ser criticamente analisado o seu valor educativo real, devendo haver um planeamento criterioso com intencionalidade pedagógica na sua utilização.

Pretendo com esta problematização revalidar a ideia de que a essência é a pedagogia, sendo que a tecnologia é apenas um meio para a alcançar.

 

Os metaversos na educação


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“Vislumbra-se a possibilidade de o metaverso vir a ser a nova geração das redes sociais. Mas esse retorno veio acompanhado de desinformações, confusões conceituais e falsas promessas” (Tori, 2023, p.53).

Independentente da minha exposição no ponto anterior, não podia estar mais de acordo com Romero Tori. Os metaversos apresentam grande potencial a nível educacional, podendo fomentar aprendizagens de alto impacto, através da imersão, do envolvimento e da interatividade. As vertentes da Construção e da Ludicidade apresentadas por Tori (2023) facilitam o envolvimento dos alunos na construção ativa e modificação do ambiente, incorporando estratégias de gamificação, promovendo o desenvolvimento de competências essenciais.

Reitera-se a questão da intencionalidade pedagógica e da metodologia que se pretende aplicar e da adequabilidade destes meios ao propósito.

Os metaversos poderão ser particularmente pertinentes em simulações de situações de alto risco, onde a experiência direta é difícil, cara, perigosa ou eticamente limitada.

 No âmbito do ensino regular e alinhado com a minha perceção de professora de línguas de 3º ciclo e secundário, considero que o Artsteps e o Spatial são ambientes imersivos pertinentes, e de fácil acesso, para o desenvolvimento de trabalho colaborativo. A nível da aprendizagem das línguas estrangeiras, a abordagem da imersão linguística e cultural por meio de jogos e de role-play facilitam aprendizagens imersivas e autênticas em contextos reais (Kukulska-Hulme et al., 2024).

 Em suma, importa reforçar o que já foi amplamente referenciado. É fundamental mantermo-nos a par da evolução tecnológica. Não obstante, não deveremos perder uma visão crítica que só poderá ser assegurada pelo filtro humano. Em termos educacionais as tecnologias deverão servir sempre um propósito pedagógico. Deverá ser assegurada a formação adequada aos professores, terão de ser garantidos recursos e condições de acessibilidade, assim como asseguradas questões éticas e de privacidade.  Há ainda um longo caminho a percorrer, carecendo de investigação científica mais aprofundada.

 

Castells, M. (1999). A era da informação: Economia, sociedade e cultura: Vol. I. A sociedade em rede (2ªed.). Paz e Terra

Kukulska-Hulme, A., Wise, A. F., Coughlan, T., Biswas, G., Bossu, C., Burriss, S. K., Charitonos, K., Crossley, S. A., Enyedy, N., Ferguson, R., FitzGerald, E., Gaved, M., Herodotou, C., Hundley, M., McTamaney, C., Molvig, O., Pendergrass, E., Ramey, L., Sargent, J., ... Whitelock, D. (2024). Innovating Pedagogy 2024: Open University Innovation Report 12. The Open University. https://oro.open.ac.uk/99053/

Morgado, L. (2022). Ambientes de Aprendizagem Imersivos. Video Journal of Social and Human Research, 1(2), 102-116. https://doi.org/10.18817/ vjshr.v1i2.32

Schlemmer, E., Di Felice, M., & Accoto, C. (2023). Depois da inteligência artificial. Cadernos IHU Ideias, 21(348). Instituto Humanitas Unisinos.

Tori, R. (2023). Metaversos na Educação: conceitos e possibilidades. Video Journal of Social and Human Research, 2(1), 53-66. https://doi.org/10.18817/ vjshr.v2i1.25



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Tecnologias para a Criação de Ambientes Virtuais de Aprendizagem

Uma reflexão crítica de uma professora do ensino básico e secundário

by  Laura Silva Maria
03-05-26

Esta reflexão resulta de um debate de ideias associadas ao conceito de ecossistema virtual de aprendizagem e insere-se no tema 2 – Tecnologias para a Criação de Ambientes Virtuais de Aprendizagem - integrado na UC de Ambientes Virtuais de Aprendizagem sob a orientação do professor António Moreira.

 

Hibridismo ou blended learning

 



Um verdadeiro ecossistema digital tem de ter presente o conceito de hibridismo, não se resumindo ao blended learning em termos geográficos (presencial – a distância), mas um hibridismo que implique um equilíbrio do melhor que se faz em ambas estas vertentes (Moreira e Horta, 2020).

A imprevisibilidade originada pela pandemia Covid 19 e consequente encerramento das escolas veio obrigar os professores a reajustarem-se a uma nova forma de ensinar adotando uma variedade de novas metodologias, de modo a ir ao encontro das necessidades dos alunos.

Consequentemente, registou-se uma inevitável mudança de paradigma no processo de ensino e aprendizagem, sendo que mesmo os docentes mais céticos na utilização das tecnologias e mais “presos” a métodos tradicionais tiveram de sair da sua zona de conforto e aprender novas formas de ensinar.

Não julguemos, contudo, que a passagem do ensino presencial para o ensino a distância signifique uma mudança de um ensino expositivo para metodologias inovadoras e promotoras do envolvimento ativo do aluno. Muitos professores limitaram-se a expor os seus conteúdos através de uma plataforma como o Teams ou o Zoom, da mesma forma que o faziam na sala de aula presencial.

Retomemos, então, o conceito de hibridismo. Não está relacionado com geografia, mas com metodologia, intencionalidade pedagógica e aprendizagens significativas. Neste sentido, para Moreira e Horta (2020) uma educação mais híbrida permite “combinar diferentes presenças (físicas e digitais), tempos (síncronos e assíncronos), tecnologias (analógicas e digitais), culturas (pré-digital e digital) e, sobretudo, articular diferentes espaços e ambientes de aprendizagem (analógicos e digitais) (Moreira e Horta, 2020, p. 4). Desta forma, a tecnologia deverá estar sempre presente como auxiliar do agente humano (LabELO- Laboratório Multimédia de Estudos do Local, 2020).

  

O “espaço” nos ambientes virtuais de aprendizagem

Quando pensamos em espaço, muitas ideias nos poderão surgir: um local físico, uma sala de aula, um espaço ao ar livre, uma videochamada, uma rede social, uma plataforma digital….. muito mais espaços poderíamos imaginar.

No contexto dos ecossistemas virtuais de aprendizagem, qualquer espaço poderá ser considerado para o desenvolvimento / envolvimento de aprendizagens significativas em rede. Estejamos numa sala física, equipada tecnologicamente com várias áreas de trabalho (Ambiente Educativo Inovador) ou numa sala de aula tradicional, com acesso a uma plataforma digital que nos conecta com professores e alunos de outros países (eTwinning). Ou até no conforto das nossas casas a assistir a uma videoconferência ou a interagir em um fórum (Moodle).

Se olharmos o ambiente à nossa volta, questionamo-nos…afinal, o que é o espaço?

O espaço nada é ….. se não preenchido com interação, comunicação e atividade pedagógica intencional e significativa.

E assim nascem os verdadeiros ecossistemas de aprendizagem.

 

O que é um ambiente de ensino e aprendizagem inovador?

Segundo Moreira e Horta (2020), um ambiente de ensino e aprendizagem inovador pode ser

” enriquecido tecnologicamente, constituído por diferentes espaços flexíveis e reconfiguráveis, que desafiam os professores a repensar o papel da pedagogia, da tecnologia e do design da configuração espacial das salas de aula.” (Moreira e Horta, 2020, p.9).

Todavia, tendo presente o conceito de hibridismo do ponto de vista de Moreira e Horta (2020), um ambiente de ensino e aprendizagem inovador deverá ir para além das salas de aula físicas, podendo ser associado a plataformas digitais como o eTwinning ou de forma mais abrangente a outros Ambientes Pessoais de Aprendizagem, sendo que os Personal Learning Environments (PLE) são mais do que meras plataformas e ferramentas digitais. Para Atwell (2023) trata-se de uma abordagem social e pedagógica para a utilização da tecnologia na aprendizagem, definindo que os PLE potenciam o desenvolvimento de  

“… educational technology which can respond to the way people are using technology for learning and which allows them to themselves shape their own learning spaces, to form and join communities and to create, consume, remix, and share material.” (Atwell, 2007, como citado em Atwell 2023, p.2).

 

Vários estudos comprovam a eficácia dos PLE para os estudantes, na aquisição de aprendizagens impactantes, permitindo aprender fazendo e potenciando autonomia, discussão, pensamento crítico e uma aprendizagem iterativa (Cenka et al. 2023). Segundo o conectivismo de George Siemens, adquirimos competências ao criarmos redes de conexão em comunidades especializadas, de forma a alcançarmos aprendizagens significativas (Downes, 2005).

  

Considerações Finais

Fazendo uma análise retrospetiva, tendo sempre presente a minha visão de professora do ensino básico e secundário, concluo que é imperativo que os professores se mantenham em constante evolução e desenvolvimento profissional de forma a fazerem face à mutabilidade e imprevisibilidade dos tempos.

Numa sociedade em rede cada vez mais conectada através da Web 2.0 (LabELO- Laboratório Multimédia de Estudos do Local, 2020) os PLE poderão apresentar-se como uma alternativa cumulativa aos tradicionais formatos de organização, servindo de apoio ao ensino tradicional (Rodrigues e Miranda, 2013).

Tendo presente uma intencionalidade pedagógica alinhada com a idade dos aprendentes, considero pertinente a adaptação de práticas inerentes a este novo paradigma educacional, podendo haver mais ou menos orientação do professor e consequentemente promover uma maior ou menor autonomia nos alunos consoante a sua maturidade.

Ferramentas de acesso aberto da Web 2.0 são uma mais-valia no auxílio aos professores no desenvolvimento dos seus processos pedagógicos (LabELO- Laboratório Multimédia de Estudos do Local, 2020).

É essencial desenvolver hábitos e práticas associadas a um ensino interligado com os ecossistemas digitais de aprendizagem favorecendo um hibridismo alinhado com o conceito de educação total (Moreira e Horta, 2020).
abertura e flexibilidade destas metodologias viabiliza o recurso a uma variedade de ferramentas digitais, assim como interações diversas entre agentes humanos e não-humanos, 
de forma a promover a sua autonomia e desenvolvimento de competências-chave para o século XXI, como a cidadania, espírito crítico e analítico e capacidade de resolução de conflitos (Zhang et al., 2023).

Face ao exposto, independentemente da idade dos aprendentes, do nível de ensino e de estarmos perante ensino online ou presencial, acredito ser exequível e viável que os professores recorram a práticas que facilitem uma participação ativa dos aprendentes na sua aprendizagem e visem o desenvolvimento de competências cognitivas e sociais, assim como a produção de conhecimento através de redes de conectividade e partilha.

  

Referências

 

Attwell, G. (2023). Personal Learning Environments: looking back and looking forward. Revista de Educación a Distancia (RED), 23(71). https://doi.org/10.6018/red.526911

Cenka, B. A., Santoso, H. B., & Junus, K. (2023). Personal learning environment toward lifelong learning: an ontology-driven conceptual model. Interactive Learning Environments31(10), 6445–6461. https://doi.org/10.1080/10494820.2022.2039947

Downes, S. (2005). E-learning 2.0. eLearn Magazine. http://www.elearnmag.org/subpage.cfm?section=articles&article=29-1 

LabELO- Laboratório Multimédia de Estudos do Local (2020, março 29). Vídeo2 TecnologiasDigitais amoreiraSIED [Vídeo]. YouTube https://youtu.be/x6juVIg0dGA?si=JSF5WU21PwJ2HLwL

Moreira, J. A., & Horta, M. J. (2020). Educação e ambientes híbridos de aprendizagem: Um processo de inovação sustentada. Revista UFG20, e66027. https://doi.org/10.5216/revufg.v20.66027

Zhang, Y., Xu, X., Zhang, M., Cai, N., Lei, V.NL. (2023). Personal Learning Environments and Personalized Learning in the Education Field: Challenges and Future Trends. In: Hong, C., Ma, W.W.K. (eds) Applied Degree Education and the Shape of Things to Come. Lecture Notes in Educational Technology. Springer, Singapore. https://doi.org/10.1007/978-981-19-9315-2_13



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Os Ecossistemas de Educação Digital e a

 Plataforma eTwinning

by  Laura Silva Maria
29-03-26




Para entendermos o conceito de ecossistema de educação digital, não podemos deixar de ter presente toda uma evolução filosófica e sociológica resultante da revolução informacional no final do século XX, que fomentou o desenvolvimento de uma sociedade em rede com conectividade global (Castells, 1999). Não obstante, em termos conceptuais, atualmente verificamos uma evolução significativa do que é um ecossistema de educação digital face à sociedade em rede do final do século XX.

Pretendo com este artigo fazer uma reflexão comparativa sobre a forma como a plataforma eTwinning reflete alguns ideais de autores como Bauman, Floridi, Latour, Moreira, Novak, Requena e Santaella.

Os projetos eTwinning são desenvolvidos numa plataforma online europeia, fechada e segura. Estão integradas na comunidade eTwinning escolas de 46 países que desenvolvem projetos escolares colaborativos com recurso ao digital. Alinhado com o conceito de educação analógico-digital (Moreira&Trindade, 2019), os projetos eTwinning são desenvolvidos em sala de aula, podendo integrar atividades “tradicionais” com metodologias ativas e inovadoras, com recurso a uma plataforma digital. A metodologia preponderante subjacente aos projetos eTwinning é a metodologia baseada em projetos, que promove o desenvolvimento de competências-chave para preparar indivíduos para o mercado de trabalho global.

Indo ao encontro do conceito de infoesfera, (Floridi, citado em Moreira, 2025), passou-se do ensino centrado no professor a aprendizagem com foco no aluno, em relação com outros alunos em outros países, fora do espaço físico da aula. Do trabalho colaborativo internacional desenvolvido na plataforma eTwinning, resulta a co-construção de conhecimento coletivo (Bauman, citado em Moreira, 2025). Ainda alinhado com os ideais de Floridi (citado em Moreira, 2025), a plataforma eTwinning promove a privacidade e respeito dos alunos, sendo todo o trabalho desenvolvido em consonância com o Regulamento Geral de Proteção de Dados.

Coerente com a ideia de educação híbrida no sentido de Latour (citado em Moreira, 2025), que transpõe as fronteiras da sala de aula formal, o eTwinning abra a sala de aula ao mundo, fomentando competências interculturais.  Identifica-se aqui um certo paralelismo com a arquitetura líquida de Marcos Novak (citado em Moreira, 2025) que prevê a substituição da sala de aula física por um ecossistema digital mais abrangente.

A aprendizagem líquida defendida por Bauman (citado em Moreira, 2025) está bem patente nos projetos eTwinning.  Os alunos não só adquirem os conteúdos em contextos reais, mas também desenvolvem competências como a comunicação, colaboração, espírito criativo e analítico, responsabilidade e resiliência numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida. Desta forma estaremos a preparar indivíduos capazes de serem bem-sucedidos numa sociedade moderna marcada pela instabilidade, devendo estar aptos a adaptarem-se à mutabilidade dos percursos educativos e profissionais (Bauman, citado em Moreira, 2025).

Requena (citado em Moreira, 2025) vai mais além quando refere a co-autoria da aprendizagem, considerando que o ambiente de um espaço educativo afetuoso integra essa mesma co-autoria.  Este ideal está perfeitamente alinhado com a metodologia eTwinning, sendo que as parcerias internacionais e o trabalho colaborativo promovem a empatia e relações afetivas duradouras.

 

Os habitantes das ecologias de aprendizagem e os projetos eTwinning

Para autores como Floridi, Bauman, Latour e Santaella (citados em Moreira, 2025) os habitantes das ecologias de aprendizagem não são apenas elementos humanos, mas todos os elementos que integram a rede, sendo participantes ativos no processo educativo, incluindo os dispositivos móveis, assistentes virtuais e sistemas de inteligência artificial.

No que concerne à plataforma eTwinning, o acesso é restrito e seguro, não permitindo aos alunos navegar por “espaços” cujo acesso é mediado por algoritmos e que utilizam sistemas que influenciam a que conteúdos os alunos têm acesso. Embora os assistentes virtuais e sistemas de inteligência artificial não sejam partes integrantes da plataforma eTwinning, o seu desenvolvimento fora da plataforma e posterior integração na mesma é viável e encorajada se devidamente acompanhada pelo professor. Assim sendo, o professor deverá orientar os alunos no sentido de desenvolverem as literacias necessárias que lhes permitam fazer uma análise crítica, ética e responsável da inteligência artificial para a criação dos produtos a integrar nos projetos eTwinning.

 

Conclusão e desafios

Refletindo sobre os projetos eTwinning à luz dos ideais dos diversos autores citados, podemos concluir que “Os ecossistemas educativos digitais não podem, nem devem ser concebidos apenas como plataformas tecnológicas, mas como espaços híbridos que acolhem a complexidade emocional, social e cultural dos seus habitantes (professores e estudantes).” (Moreira, 2025, p.17).

É inegável o esforço a nível das políticas europeias na promoção de uma aprendizagem digital inclusiva e de qualidade com a implementação do Plano de Ação para a Educação Digital (Comissão Europeia, 2020). Contudo, na prática letiva atual, ainda nos deparamos com alguns desafios que carecem de atenção e que deixo para reflexão:

-Dificuldade de alguns professores em se “libertarem” de um ensino tradicional, expositivo e centrado no professor;

-Falta de formação de professores adequada a nível tecnológico e metodológico;

-Falta de envolvimento das estruturas institucionais – direções das escolas, sendo fulcral um reforço no desenvolvimento de estratégias institucionais relativas à utilização prática e sustentada de ecossistemas de educação digital.

 

Referências

Castells, M. (1999). A era da informação: Economia, sociedade e cultura: Vol. I. A sociedade em rede (2ªed.). Paz e Terra

Comissão Europeia. (2020). Plano de Ação para a Educação Digital 2021-2027: Reconfigurar a educação e a formação para a era digital (COM/2020/624 final).

E-Rede-UAb. (2019, 31 de outubro). [METODOLOGIAS ATIVAS] #2 Era Híbrida e Educação Disruptiva: António Moreira e Sara Dias-Trindade [Vídeo]. YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=z3q5sbjifZA

Moreira, J. A. (2025). Novos Ecossistemas de Aprendizagem nos Territórios Híbridos da Noosfera . Santo Tirso: Whitebooks.

 


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