quarta-feira, 15 de julho de 2026

Avaliação em Contextos de eLearning

 by Laura Silva Maria

Reflexão de uma Experiência de Aprendizagem

criado por ChatGPT


A viagem pela Avaliação em Contextos de eLearning foi muito enriquecedora, com temáticas pertinentes que despertaram o meu interesse desde o início. Os novos desafios colocados pela Inteligência Artificial (IA) ditaram uma mudança de paradigma no processo de ensino e aprendizagem e, concomitantemente, nos processos avaliativos. 

A unidade curricular (UC), da responsabilidade das professoras Lúcia Amante e Elizabeth Souza, apresentou um contrato de aprendizagem exigente, mas muito bem estruturado, facilitando a organização do trabalho ao longo do semestre. 

Os conceitos teóricos abordados ao longo da UC foram de extrema utilidade na definição de um plano de avaliação de um módulo de formação em contexto de e-learning, que constituiu o trabalho final da unidade curricular.

A abordagem metodológica foi essencialmente assíncrona em linha com os pressupostos da Universidade Aberta. Contudo, registaram-se alguns momentos síncronos que considerei particularmente relevantes por facilitarem uma proximidade com as professoras, fundamental para nos sentirmos acompanhados e inseridos numa turma real. A monitorização realizada pelas professoras, via fórum e email, potenciou esse sentimento de pertença.

A autoavaliação e a avaliação por pares, após cada atividade, com base em critérios e rubricas previamente definidos permitiu-me refletir sobre o desempenho dos colegas e sobre o meu próprio desempenho, autorregular-me e compreender onde posso melhorar.

A possibilidade de trabalhar sozinha, a pares e em grupo enriqueceu o resultado dos trabalhos realizados. Ademais, o trabalho colaborativo desafiou-nos a ser mais flexíveis, empáticos e responsáveis, aprofundando as nossas competências de cooperação, adaptabilidade e respeito pelo outro. 

 A atividade 0 - apresentação pelos dados – reforçou a relação de proximidade entre estudantes e professoras por se apresentar como uma atividade informal, divertida e altamente potenciadora da criatividade.  Considero esta atividade um quebra-gelo criativo passível de integrar a minha prática letiva.

A atividade 1 – o estado da arte da avaliação em eLearning – apresentou-se-nos como uma primeira abordagem ao desenvolvimento de um trabalho académico em coautoria com a IA, uma experiência inédita para mim e muito enriquecedora por permitir desmistificar a utilização da IA em trabalhos académicos.

Recorrer a ferramentas de IA para realizar uma pesquisa e comparar criticamente os resultados obtidos com as fontes originais é uma forma sublime de desenvolver a análise crítica da informação produzida pela IA e, ainda assim, efetuar a leitura cuidada da literatura científica original. Perante a dificuldade observada em contexto de ensino básico e secundário quanto a uma utilização responsável e ética da IA, esta é uma atividade que se adequa a esse contexto, promovendo o espírito crítico.

Apreciei particularmente a atividade 2 - a avaliação na educação online – baseada na leitura colaborativa da obra Estratégias de avaliação para a aprendizagem online, de Conrad e Openo (2019) com recurso à ferramenta Perusall.

A leitura conjunta da obra no Perusall conferiu uma dinâmica de comunicação, colaboração e pertença à atividade sendo o resultado – o guia – o culminar de um verdadeiro esforço comum.

A divisão dos capítulos da obra de Conrad e Openo pelos estudantes possibilitou-nos, com espírito de entreajuda, apreender os conteúdos da obra na íntegra. A interação com os comentários dos colegas foi igualmente enriquecedora e despoletou reflexões mais profundas.

Fazendo um paralelismo com a Aprendizagem Baseada em Projetos e o desenvolvimento de projetos eTwinning, temática que pretendo abordar na minha dissertação no segundo ano de mestrado, esta atividade promoveu o trabalho colaborativo entre os estudantes através da criação de um produto final comum – o guia. A professora, enquanto facilitadora, criou as condições para que os estudantes se envolvessem ativamente na construção da sua própria aprendizagem promovendo competências como a criatividade, o espírito crítico, a empatia, a autonomia e a responsabilidade. A tecnologia – Perusall – foi utilizada com um propósito, estando ao serviço da pedagogia.

Na atividade 3 – inteligência artificial e práticas de avaliação – demos continuidade ao trabalho em coautoria com a IA na escrita de um ensaio, o que permitiu aprofundar a reflexão sobre a utilização responsável da IA na avaliação em contexto académico.

A necessidade de descrever o papel assumido pela IA no processo de coautoria, contribuiu para uma consciencialização mais profunda sobre a sua utilização ética e responsável, forçando-me a adotar medidas conscientes de forma a não comprometer a autenticidade e a autoria do trabalho, garantindo a integridade académica e a transparência.

Importa sublinhar a importância do feedback exaustivo e transparente, ancorado em critérios e numa rubrica, facultado pela professora. Teria sido benéfica a disponibilização prévia da rubrica, uma vez que algumas das lacunas do meu trabalho poderiam ter sido corrigidas atempadamente. Ainda assim, o feedback permitiu-me compreender as fragilidades do meu trabalho, possibilitando elaborar uma reflexão autorreguladora que foi publicada no diário de bordo – blogue.

A atividade 4 – desenho de avaliação na educação online – permitiu aplicar as aprendizagens e os conceitos adquiridos ao longo do semestre, traduzindo-se numa atividade altamente pertinente e realizada com intencionalidade pedagógica. Permitiu articular aprendizagens e atividades realizadas noutras unidades curriculares, resultando num produto replicável na minha prática profissional.   


Conclusão

As aprendizagens adquiridas revelaram-se extremamente significativas, uma vez que tenciono, no segundo ano do mestrado, desenvolver um projeto de formação online.

A maior dificuldade ao longo deste semestre esteve associada à elevada exigência no âmbito das diversas UCs do mestrado, tendo como resultado a entrega de alguns trabalhos que careciam de mais atenção. Além disso, o elevado fluxo de comentários nos fóruns tornou-se difícil de acompanhar, nem sempre sendo fácil apresentar contributos não repetitivos.

Em suma, poderá referir-se que a UC de Avaliação em Contextos de eLearning apresenta cenários de avaliação reais, alinhados com a dimensão da praticabilidade, nomeadamente na vertente da sustentabilidade, preconizada pelo modelo PrACT (Amante & Oliveira, 2019), sendo os processos avaliativos estudados passíveis de serem implementados na minha prática profissional como formadora de professores e professora do ensino básico e secundário.

O valor significativo e a autenticidade das aprendizagens prendem-se com a replicabilidade das atividades desenvolvidas, não apenas no contexto da minha atividade profissional, mas também no âmbito do projeto a desenvolver no segundo ano de mestrado.

De salientar a vertente metacognitiva da UC, uma vez que a própria metodologia foi exemplificativa dos conceitos estudados. Esta UC permitiu-me capacitar para compreender e implementar um novo paradigma avaliativo, envolvendo os alunos e os formandos como participantes ativos e privilegiando a cultura da avaliação em detrimento da cultura do teste.

 

Referências

Amante, L., & Oliveira, I. (2019). Avaliação e feedback: Desafios atuais. Universidade Aberta. http://hdl.handle.net/10400.2/8419


terça-feira, 14 de julho de 2026

Avaliação em Contextos de eLearning

 by Laura Silva Maria


A Inteligência Artificial e as 

Práticas de Avaliação Formativa


Imagem gerada por NotebookLM

Escrita de um Ensaio com Apoio da Inteligência Artificial

A atividade desenvolvida no âmbito da UC de Avaliação em Contextos de eLearning demonstrou ser muito pertinente para o aprofundamento de uma reflexão sobre a utilização responsável da Inteligência Artificial (IA) na avaliação em contexto académico.

A secção prévia do ensaio revelou-se particularmente relevante por me permitir desenvolver uma análise crítica mais aprofundada sobre os desafios da utilização da IA em trabalhos académicos. A necessidade de descrever o papel assumido pela IA no processo de coautoria, obrigou-me a adotar medidas conscientes de forma a não comprometer a autenticidade e a autoria do trabalho, garantindo a integridade académica e transparência. Esse processo contribuiu para uma consciencialização mais profunda sobre a utilização ética e responsável da IA.


Ensaio:

A Inteligência Artificial e a Avaliação na Autorregulação da Aprendizagem

Sendo a autorregulação um elemento facilitador de uma aprendizagem efetiva e transversal a diferentes componentes da avaliação, optei por aprofundar esta temática.

Neste ensaio procurei refletir sobre a avaliação formativa e a autorregulação da aprendizagem, o feedback e a autoavaliação, o feedback e a avaliação por pares, bem como sobre o papel da IA na autorregulação da aprendizagem. Ainda assim, uma articulação entre a Inteligência Artificial e os elementos em análise no referido texto carece de maior aprofundamento.

Importa, desde já, evidenciar o papel do feedback formativo na autorregulação da aprendizagem, uma vez que esta reflexão está ancorada no feedback fornecido pela docente da UC, com base numa rubrica analítica. A rubrica articulada com um feedback adequado, alinhado com uma avaliação para a aprendizagem, permitiu-me refletir de forma mais significativa sobre o trabalho realizado (Relvas, Pinto, Oliveira & Pereira, 2020, citados em Oliveira et al. ,2025).

Neste sentido, e numa perspetiva metacognitiva, pretendo aprofundar a relação entre os conceitos abordados com benefícios e desafios específicos apresentados pela Inteligência Artificial.


A Inteligência Artificial e a Avaliação Formativa

Feedback e rubrica analítica

O feedback com recurso à IA, por meio de chatbots, pode efetivamente facilitar o trabalho do professor. Enquanto o estudante obtém feedback imediato, facilitando a continuidade do seu estudo de forma autónoma, o professor fica mais disponível para tarefas orientadas para a personalização do processo de ensino e aprendizagem. Ainda assim, importa refletir sobre a forma como o feedback automatizado poderá promover autonomia ou dependência, tanto do estudante como do professor.  O desafio prende-se com as limitações dos tutores inteligentes, uma vez que não têm capacidade para se envolverem em interações mais intelectuais, nem conseguirão compreender contextos humanos (O'Dea & O'Dea, 2023). O estudante deverá estar munido de competências analíticas que lhe permita analisar criticamente as respostas obtidas, podendo compará-las com outras fontes de IA, sendo o professor o recurso mais fidedigno a quem recorrer em caso de dúvidas ou questões mais complexas. Razão pela qual o professor deverá ser responsável pela monitorização do processo avaliativo, garantindo o envolvimento dos estudantes de forma equilibrada entre a autonomia e a independência no uso fidedigno da IA.

No que concerne às rubricas analíticas, constata-se que o seu desenvolvimento em coautoria com a Inteligência Artificial é benéfico por facilitar uma tarefa que seria bastante morosa para o professor. A IA pode efetivamente libertar os humanos de trabalhos onerosos, tornando a avaliação mais fácil (Swiecki et al., 2022).   Cabe destacar, porém, que a criação de rubricas adequadas está dependente de prompts cuidadosamente elaborados pelo professor e direcionados ao resultado pretendido. Um diálogo iterativo com a IA é da exclusiva responsabilidade do professor, sendo igualmente da sua responsabilidade analisar criticamente os resultados facultados pela IA, decidindo sobre sua exclusão ou integração no processo avaliativo.   

No seguimento do exposto, a IA pode ter um papel preponderante nas várias estratégias que integram a avaliação formativa, para além do feedback.

Autoavaliação e avaliação por pares

Autoavaliação e avaliação por pares poderão igualmente assentar em rubricas produzidas em coautoria com a IA e, desta forma, permitir aos aprendentes refletir, autorregular o seu processo de aprendizagem e melhorar o seu desempenho.

No que concerne à autoavaliação, vejo com prudência a eficácia do recurso à Inteligência Artificial. De forma indireta, a utilização da IA poderá ser benéfica ao ser utilizada na elaboração de critérios de avaliação e rubricas. Contudo, recorrer à IA para avaliar o próprio desempenho, ainda que, mediante uma análise crítica cuidada dos resultados obtidos, não poderá comprometer a validade e a autenticidade da autoavaliação?

Relativamente à avaliação por pares, poderá ser benéfico recorrer a diferentes instrumentos de IA de forma a comparar os resultados obtidos a partir de prompts estruturados, com critérios e rubricas perfeitamente definidos. De salientar, contudo, que a validação será feita com base na avaliação efetuada pelo avaliador humano, sendo os resultados da IA meramente promotores de uma reflexão crítica mais aprofundada.

 

Imagem gerada por Chat GPT

Considerações Finais

O recurso à Inteligência Artificial para a avaliação no ensino superior apresenta inúmeras possibilidades.  Ferramentas EdTech poderão servir de apoio ao trabalho dos educadores na elaboração de materiais diversos, como critérios de avaliação e rubricas a implementar em atividades de autoavaliação e avaliação por pares. No âmbito da avaliação de competências em contexto digital, ambientes virtuais de aprendizagem, articulados com sistemas de IA facilitam a simulação de práticas em contexto real. A IA potencia, ainda, através de authentic assessment (Swiecki et al., 2022), a recolha e a análise de dados relevantes para o processo avaliativo, de forma a permitir ao educador monitorizar todo o processo durante a simulação e, deste modo, providenciar feedback adequado.

Como reflexão final, cumpre sublinhar a importância de recorrer à IA para potenciar uma avaliação autêntica e sustentável, facilitando a construção significativa das aprendizagens, em conformidade com a dimensão da autenticidade defendida pelo modelo PrACT (Amante & Oliveira, 2019). Importa igualmente acautelar que a IA promove processos avaliativos alinhados com uma praticabilidade defendida pelo modelo delineado por Amante e Oliveira (2019), devendo os designs avaliativos ser exequíveis nos contextos reais de implementação.

A Inteligência Artificial poderá constituir-se como um assistente facilitador nos processos avaliativos, contanto que seja sujeita a uma cuidada análise crítica que assegure a sua utilização transparente, equilibrada, responsável e ética. 

 

Referências

Amante, L., & Oliveira, I. (2019). Avaliação e feedback: Desafios atuais. Universidade Aberta. http://hdl.handle.net/10400.2/8419

O'Dea, X., & O'Dea, M. (2023). Is artificial intelligence really the next big thing in learning and teaching in higher education? A conceptual paper. Journal of University Teaching & Learning Practice, 20(5). https://doi.org/10.53761/1.20.5.05

Oliveira, I., Pereira, A., Amante, L., & Oliveira, R. (Eds.). (2022). A prática em avaliação digital de competências. LE@D, Universidade Aberta. https://doi.org/10.34627/leadw.2022.4

Oliveira, I., Pereira, A., Amante, L., & Rocio, V. (2025). Inteligência artificial e aprendizagem autorregulada: Que desafios? Revista Docência e Cibercultura, 9(1), 1–19. https://doi.org/10.12957/redoc.2024.81751

Swiecki, Z., Khosravi, H., Chen, G., Martinez-Maldonado, R., Lodge, J. M., Milligan, S., Selwyn, N., & Gašević, D. (2022). Assessment in the age of artificial intelligence. Computers and Education: Artificial Intelligence, 3, 100075. https://doi.org/10.1016/j.caeai.2022.100075

 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Ecossistema Digital de Aprendizagem

 by Laura Silva Maria



No âmbito do trabalho final da UC de Ambientes Virtuais de Aprendizagem, sob orientação do Professor António Moreira, fomos convidados a desenvolver um Ecossistema Digital de Aprendizagem na plataforma Moodle. Apresento a minha proposta de curso de formação no âmbito do projeto eTwinning por estar integrado na minha área de trabalho.




O eTwinning é uma comunidade de escolas europeias que privilegia a colaboração entre professores e alunos de diferentes países através do desenvolvimento de projetos, troca de experiências e aprendizagem mútua. O curso de formação “Utilização de ferramentas web 2.0 e IA no desenvolvimento de projetos colaborativos com recurso à plataforma eTwinning” constitui-se como um curso online em formato síncrono e assíncrono que visa oferecer diferentes oportunidades para o desenvolvimento de competências dos professores, tanto no que respeita à mudança de metodologia de trabalho na sala de aula, como à integração do digital em contexto de aprendizagem. O relatório da UNESCO (2018) ressalta a importância vital de os professores, através de formação contínua, adquirirem competências que lhes permitam educar os alunos da era digital, pelo que, através deste curso, preconiza-se a apresentação e idealização de cenários de aprendizagem ativa, com vista a uma implementação mais efetiva e consolidada, do digital, em espaço de sala de aula. A par do referido, este curso permite, também, explorar as vertentes do trabalho de projeto e do trabalho cooperativo e colaborativo, tão necessárias para colocar em prática o preconizado no "Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória".

   


 

Este curso tem como objetivos:

 -Desenvolver nos professores competências para a utilização pedagógica de recursos digitais;

-Fomentar o uso seguro e responsável da Internet e da Inteligência Artificial;

-Promover o uso da metodologia de trabalho de projeto;

-Desenvolver competências de liderança, trabalho em equipa, resolução de problemas e comunicação;

-Promover a inclusão e a diversidade, bem como a compreensão e o respeito mútuo;

-Estimular a criatividade e a capacidade de encontrar soluções inovadoras para problemas;

-Estabelecer ligações entre a vida escolar e a vida no mundo real, promovendo aprendizagens significativas;

-Planificar e submeter projeto eTwinning com recurso a ferramentas digitais e de IA, promotoras de trabalho colaborativo com alunos.

 O curso de formação irá decorrer online em formato síncrono e assíncrono, sendo distribuído por 6 sessões de 2h30. Será disponibilizado um link ZOOM para aceder à sala da reunião. Durante as sessões será explorada a plataforma ESEP/Etwinning, assim como haverá recurso ao Moodle. As atividades são desenvolvidas em ambiente colaborativo, de partilha e reflexão. Serão promotoras das competências colaboração, comunicação, partilha e metacognição.

As atividades desenvolvidas e recursos utilizados - ferramentas web 2.0 e IA - apresentam uma intencionalidade pedagógica, tendo sido criteriosamente pensados no sentido de poderem ser replicados pelos professores com os seus alunos no desenvolvimento de projetos eTwinning.

No final de todas as sessões haverá um momento para partilha e reflexão em grande grupo, sobre as atividades desenvolvidas. Como produto final os formandos deverão desenvolver colaborativamente a planificação de um projeto que deverá ser submetida na plataforma eTwinning. No final da formação, será solicitado aos formandos a realização de autoavaliação, avaliação por pares e avaliação da formação e da formadora. Os formandos irão, ainda, elaborar um relatório que espelhe o seu percurso e as suas experiências de desenvolvimento profissional, vividas ao longo da formação.

 Serão abordados os seguintes conteúdos:

• O que é o eTwinning?

Descobrir a European School Education Platform

A metodologia de projeto

Exploração no eTwinning - funcionalidades do espaço pessoal

Estabelecer contactos e parcerias eTwinning

Criar e submeter um projeto eTwinning

Potencialidades do TwinSpace

Organização, gestão e dinamização do TwinSpace

Cidadania Digital e RGPD

• Utilização ética da IA

• Critérios de qualidade para um projeto eTwinning

Planificação colaborativa de um projeto eTwinning

Licenças Creative Commons e Recursos Educacionais Abertos

Ferramentas digitais para o desenvolvimento de projetos eTwinning

 

 
Reflexão Final

O desenvolvimento desta atividade final foi muito enriquecedor, permitindo integrar em um espaço, o Moodle, uma variedade de aprendizagens adquiridas ao longo do mestrado em Pedagogia do eLearning nas diversas UC. A criação deste curso permitiu cruzar a minha experiência profissional no âmbito da concessão de projetos europeus com ambientes virtuais de aprendizagem, ferramentas digitais e de inteligência artificial, recursos educacionais abertos, licenças creative commons e avaliação em contexto de eLearning.  O curso, integrador de todos os conceitos referidos, pretende-se que tenha uma aplicabilidade prática, tendo este trabalho servido um propósito real.

 

Referência

Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. (2018). Quadro de competências em TIC para professores da UNESCO (3.ª ed.). UNESCO. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000371024

 

 


sexta-feira, 19 de junho de 2026

Aprendizagem Colaborativa e Competências Digitais em Contextos Online

 by  Laura Silva Maria


No âmbito da UC de Processos Pedagógicos em eLearning sob a orientação da Professora Maribel Pinto, o Grupo Turquesa, composto por Ana Isa Sousa, Carla Miranda, Laura Silva Maria, Marta Coutinho e Paula Bugalho voltou a colaborar, desta vez no desenvolvimento de um curso de formação intitulado Aprendizagem Colaborativa e Competências Digitais em Contextos Online.

 Acedam ao curso no Google Sites


 Não percam a apresentação do Grupo Turquesa



Encantamento tecnológico versus intencionalidade pedagógica

 by Laura Silva Maria


Imagem gerada por IA no Canva



O novo paradigma da educação OnLIFE (Schlemmer et al., 2023) emergente no terceiro milénio resulta de uma evolução tecnológica que tem os seus primórdios na revolução informacional no final do século XX, com consequentes redes interativas que foram propulsoras de uma sociedade em rede com conectividade a nível global (Castells, 1999).  A excessiva variedade e quantidade de informação difundida implicaria desenvolver nos indivíduos uma capacidade analítica e crítica que viabilizasse a seleção da informação e diferenciação da desinformação. Neste novo paradigma educativo privilegiam-se metodologias ativas centradas no aprendente com forte vertente colaborativa. No seguimento desta contextualização, gostaria de aprofundar a seguinte questão:

Como formar sujeitos verdadeiramente autónomos em ecossistemas digitais cada vez mais imersivos, preditivos e emocionalmente persuasivos?

 As competências essenciais para a vida ativa integrada numa sociedade em rede, como o espírito crítico, a resolução de problemas e também a autonomia, deverão ser desenvolvidas desde a educação pré-escolar com metodologias centradas no trabalho colaborativo e no envolvimento ativo das crianças. Para isso, não será necessário recorrer ao digital ou ao virtual, embora o possamos fazer. Querendo com isto dizer que, num momento em que os ecossistemas imersivos, preditivos e emocionalmente persuasivos não terão, ainda, uma implementação generalizada no nosso sistema de ensino básico, devemos, não obstante, fomentar nos alunos a aquisição de competências e da literacia que os preparem para se movimentarem nos ecossistemas digitais imersivos de forma autónoma, quando confrontados com os mesmos.

 Não defendendo uma posição tecnofóbica, mas valorizando, acima de tudo, a inovação pedagógica, não pude deixar de identificar vários paralelismos entre conceitos associados ao paradigma da educação OnLIFE e metodologias, mais ou menos tradicionais, não obrigatoriamente associadas à tecnologia e ao digital.


Imagem gerada por IA no Canva

 Atrevo-me a sugerir que a aprendizagem inventiva e o hibridismo das hiperinteligências (Schlemmer et al., 2023) assentam nos pressupostos da aprendizagem baseada em projetos e aprendizagem baseada em problemas (ABP). A ABP parte de um problema do mundo real no qual os aprendentes têm de se envolver ativamente de forma colaborativa e para o qual deverão procurar solução. O protagonismo ecológico-conectivo defendido por Schlemmer et al. (2023), na sua vertente específica da conectividade (sem o aspeto ecológico), poderá considerar-se alinhado com o trabalho colaborativo desenvolvido em ABP. Por outro lado, a emergência das hiperinteligências, à semelhança do verdadeiro trabalho colaborativo presente na ABP, não resultam da junção de várias inteligências, mas sim de uma interdependência, da criação de novo saber – a aprendizagem inventiva. A verdadeira essência do trabalho colaborativo é o que Schlemmer defende como

 “pensar para além de uma perspectiva adaptativa, específica de cada inteligência; naquilo que se produz no coengrendramento, num processo de cocriação, de “fazer com” e que, portanto, refere a transformação de ambos (cotransformação). E, mais ainda, num possível “terceiro” que emerja nesse/desse hibridismo, ou seja, não somente cocriação e cotransformação, mas a invenção de algo que antes não existia”. (Schlemmer et al., 2023, p. 63).

 Continuando a minha reflexão comparativa, relativamente à imersão, sendo a mesma concebida como “estado cognitivo em que se está absorto, isto é, com profundo envolvimento” (Morgado, 2022, p. 104), questiono se poderá ser considerada imersão uma atividade, na qual os alunos estão profundamente absorvidos, por exemplo um role-play, mesmo sem a mediação da tecnologia?

Indago se, à luz do entendimento tridimensional da imersão apresentado por Morgado (2022), poderá ocorrer aprendizagem por imersão pela ação ou pela narrativa em alunos absortos em uma atividade estrategicamente planeada, sem que para isso se tenha de recorrer à tecnologia – imersão pelo sistema.

 Cumpre sublinhar que, de modo algum, pretendo diminuir a relevância da educação OnLIFE e a imperatividade de todos nos mantermos atualizados quanto às tecnologias emergentes como a inteligência artificial, metaversos, RV, RA e RX.

O novo paradigma da educação OnLIFE veio acrescentar a vertente transorgânica dos atos conectivos a uma aprendizagem inventiva, sendo que neste paradigma as hiperinteligências e a aprendizagem inventiva resultam de uma ecologia conectiva de redes de humanos e entidades não humanas.

 Considero o equilíbrio a palavra-chave na abordagem destas questões. Na utilização dos metaversos deverá ser criticamente analisado o seu valor educativo real, devendo haver um planeamento criterioso com intencionalidade pedagógica na sua utilização.

Pretendo com esta problematização revalidar a ideia de que a essência é a pedagogia, sendo que a tecnologia é apenas um meio para a alcançar.

 

Os metaversos na educação


Imagem gerada por IA no Canva

“Vislumbra-se a possibilidade de o metaverso vir a ser a nova geração das redes sociais. Mas esse retorno veio acompanhado de desinformações, confusões conceituais e falsas promessas” (Tori, 2023, p.53).

Independentente da minha exposição no ponto anterior, não podia estar mais de acordo com Romero Tori. Os metaversos apresentam grande potencial a nível educacional, podendo fomentar aprendizagens de alto impacto, através da imersão, do envolvimento e da interatividade. As vertentes da Construção e da Ludicidade apresentadas por Tori (2023) facilitam o envolvimento dos alunos na construção ativa e modificação do ambiente, incorporando estratégias de gamificação, promovendo o desenvolvimento de competências essenciais.

Reitera-se a questão da intencionalidade pedagógica e da metodologia que se pretende aplicar e da adequabilidade destes meios ao propósito.

Os metaversos poderão ser particularmente pertinentes em simulações de situações de alto risco, onde a experiência direta é difícil, cara, perigosa ou eticamente limitada.

 No âmbito do ensino regular e alinhado com a minha perceção de professora de línguas de 3º ciclo e secundário, considero que o Artsteps e o Spatial são ambientes imersivos pertinentes, e de fácil acesso, para o desenvolvimento de trabalho colaborativo. A nível da aprendizagem das línguas estrangeiras, a abordagem da imersão linguística e cultural por meio de jogos e de role-play facilitam aprendizagens imersivas e autênticas em contextos reais (Kukulska-Hulme et al., 2024).

 Em suma, importa reforçar o que já foi amplamente referenciado. É fundamental mantermo-nos a par da evolução tecnológica. Não obstante, não deveremos perder uma visão crítica que só poderá ser assegurada pelo filtro humano. Em termos educacionais as tecnologias deverão servir sempre um propósito pedagógico. Deverá ser assegurada a formação adequada aos professores, terão de ser garantidos recursos e condições de acessibilidade, assim como asseguradas questões éticas e de privacidade.  Há ainda um longo caminho a percorrer, carecendo de investigação científica mais aprofundada.

 

Castells, M. (1999). A era da informação: Economia, sociedade e cultura: Vol. I. A sociedade em rede (2ªed.). Paz e Terra

Kukulska-Hulme, A., Wise, A. F., Coughlan, T., Biswas, G., Bossu, C., Burriss, S. K., Charitonos, K., Crossley, S. A., Enyedy, N., Ferguson, R., FitzGerald, E., Gaved, M., Herodotou, C., Hundley, M., McTamaney, C., Molvig, O., Pendergrass, E., Ramey, L., Sargent, J., ... Whitelock, D. (2024). Innovating Pedagogy 2024: Open University Innovation Report 12. The Open University. https://oro.open.ac.uk/99053/

Morgado, L. (2022). Ambientes de Aprendizagem Imersivos. Video Journal of Social and Human Research, 1(2), 102-116. https://doi.org/10.18817/ vjshr.v1i2.32

Schlemmer, E., Di Felice, M., & Accoto, C. (2023). Depois da inteligência artificialCadernos IHU Ideias, 21(348). Instituto Humanitas Unisinos.

Tori, R. (2023). Metaversos na Educação: conceitos e possibilidades. Video Journal of Social and Human Research, 2(1), 53-66. https://doi.org/10.18817/ vjshr.v2i1.25


domingo, 3 de maio de 2026

Tecnologias para a Criação de Ambientes Virtuais de Aprendizagem

Uma reflexão crítica de uma professora do ensino básico e secundário

by Laura Silva Maria

Esta reflexão resulta de um debate de ideias associadas ao conceito de ecossistema virtual de aprendizagem e insere-se no tema 2 – Tecnologias para a Criação de Ambientes Virtuais de Aprendizagem - integrado na UC de Ambientes Virtuais de Aprendizagem sob a orientação do professor António Moreira.

 

Hibridismo ou blended learning

 


Um verdadeiro ecossistema digital tem de ter presente o conceito de hibridismo, não se resumindo ao blended learning em termos geográficos (presencial – a distância), mas um hibridismo que implique um equilíbrio do melhor que se faz em ambas estas vertentes (Moreira e Horta, 2020).

A imprevisibilidade originada pela pandemia Covid 19 e consequente encerramento das escolas veio obrigar os professores a reajustarem-se a uma nova forma de ensinar adotando uma variedade de novas metodologias, de modo a ir ao encontro das necessidades dos alunos.

Consequentemente, registou-se uma inevitável mudança de paradigma no processo de ensino e aprendizagem, sendo que mesmo os docentes mais céticos na utilização das tecnologias e mais “presos” a métodos tradicionais tiveram de sair da sua zona de conforto e aprender novas formas de ensinar.

Não julguemos, contudo, que a passagem do ensino presencial para o ensino a distância signifique uma mudança de um ensino expositivo para metodologias inovadoras e promotoras do envolvimento ativo do aluno. Muitos professores limitaram-se a expor os seus conteúdos através de uma plataforma como o Teams ou o Zoom, da mesma forma que o faziam na sala de aula presencial.

Retomemos, então, o conceito de hibridismo. Não está relacionado com geografia, mas com metodologia, intencionalidade pedagógica e aprendizagens significativas. Neste sentido, para Moreira e Horta (2020) uma educação mais híbrida permite “combinar diferentes presenças (físicas e digitais), tempos (síncronos e assíncronos), tecnologias (analógicas e digitais), culturas (pré-digital e digital) e, sobretudo, articular diferentes espaços e ambientes de aprendizagem (analógicos e digitais) (Moreira e Horta, 2020, p. 4). Desta forma, a tecnologia deverá estar sempre presente como auxiliar do agente humano (LabELO- Laboratório Multimédia de Estudos do Local, 2020).

  

O “espaço” nos ambientes virtuais de aprendizagem

Quando pensamos em espaço, muitas ideias nos poderão surgir: um local físico, uma sala de aula, um espaço ao ar livre, uma videochamada, uma rede social, uma plataforma digital….. muito mais espaços poderíamos imaginar.

No contexto dos ecossistemas virtuais de aprendizagem, qualquer espaço poderá ser considerado para o desenvolvimento / envolvimento de aprendizagens significativas em rede. Estejamos numa sala física, equipada tecnologicamente com várias áreas de trabalho (Ambiente Educativo Inovador) ou numa sala de aula tradicional, com acesso a uma plataforma digital que nos conecta com professores e alunos de outros países (eTwinning). Ou até no conforto das nossas casas a assistir a uma videoconferência ou a interagir em um fórum (Moodle).

Se olharmos o ambiente à nossa volta, questionamo-nos…afinal, o que é o espaço?

O espaço nada é ….. se não preenchido com interação, comunicação e atividade pedagógica intencional e significativa.

E assim nascem os verdadeiros ecossistemas de aprendizagem.

 

O que é um ambiente de ensino e aprendizagem inovador?

Segundo Moreira e Horta (2020), um ambiente de ensino e aprendizagem inovador pode ser

” enriquecido tecnologicamente, constituído por diferentes espaços flexíveis e reconfiguráveis, que desafiam os professores a repensar o papel da pedagogia, da tecnologia e do design da configuração espacial das salas de aula.” (Moreira e Horta, 2020, p.9).

Todavia, tendo presente o conceito de hibridismo do ponto de vista de Moreira e Horta (2020), um ambiente de ensino e aprendizagem inovador deverá ir para além das salas de aula físicas, podendo ser associado a plataformas digitais como o eTwinning ou de forma mais abrangente a outros Ambientes Pessoais de Aprendizagem, sendo que os Personal Learning Environments (PLE) são mais do que meras plataformas e ferramentas digitais. Para Atwell (2023) trata-se de uma abordagem social e pedagógica para a utilização da tecnologia na aprendizagem, definindo que os PLE potenciam o desenvolvimento de  

“… educational technology which can respond to the way people are using technology for learning and which allows them to themselves shape their own learning spaces, to form and join communities and to create, consume, remix, and share material.” (Atwell, 2007, como citado em Atwell 2023, p.2).

 

Vários estudos comprovam a eficácia dos PLE para os estudantes, na aquisição de aprendizagens impactantes, permitindo aprender fazendo e potenciando autonomia, discussão, pensamento crítico e uma aprendizagem iterativa (Cenka et al. 2023). Segundo o conectivismo de George Siemens, adquirimos competências ao criarmos redes de conexão em comunidades especializadas, de forma a alcançarmos aprendizagens significativas (Downes, 2005).

  

Considerações Finais

Fazendo uma análise retrospetiva, tendo sempre presente a minha visão de professora do ensino básico e secundário, concluo que é imperativo que os professores se mantenham em constante evolução e desenvolvimento profissional de forma a fazerem face à mutabilidade e imprevisibilidade dos tempos.

Numa sociedade em rede cada vez mais conectada através da Web 2.0 (LabELO- Laboratório Multimédia de Estudos do Local, 2020) os PLE poderão apresentar-se como uma alternativa cumulativa aos tradicionais formatos de organização, servindo de apoio ao ensino tradicional (Rodrigues e Miranda, 2013).

Tendo presente uma intencionalidade pedagógica alinhada com a idade dos aprendentes, considero pertinente a adaptação de práticas inerentes a este novo paradigma educacional, podendo haver mais ou menos orientação do professor e consequentemente promover uma maior ou menor autonomia nos alunos consoante a sua maturidade.

Ferramentas de acesso aberto da Web 2.0 são uma mais-valia no auxílio aos professores no desenvolvimento dos seus processos pedagógicos (LabELO- Laboratório Multimédia de Estudos do Local, 2020).

É essencial desenvolver hábitos e práticas associadas a um ensino interligado com os ecossistemas digitais de aprendizagem favorecendo um hibridismo alinhado com o conceito de educação total (Moreira e Horta, 2020).
A abertura e flexibilidade destas metodologias viabiliza o recurso a uma variedade de ferramentas digitais, assim como interações diversas entre agentes humanos e não-humanos,
de forma a promover a sua autonomia e desenvolvimento de competências-chave para o século XXI, como a cidadania, espírito crítico e analítico e capacidade de resolução de conflitos (Zhang et al., 2023).

Face ao exposto, independentemente da idade dos aprendentes, do nível de ensino e de estarmos perante ensino online ou presencial, acredito ser exequível e viável que os professores recorram a práticas que facilitem uma participação ativa dos aprendentes na sua aprendizagem e visem o desenvolvimento de competências cognitivas e sociais, assim como a produção de conhecimento através de redes de conectividade e partilha.

  

Referências

 

Attwell, G. (2023). Personal Learning Environments: looking back and looking forward. Revista de Educación a Distancia (RED), 23(71). https://doi.org/10.6018/red.526911

Cenka, B. A., Santoso, H. B., & Junus, K. (2023). Personal learning environment toward lifelong learning: an ontology-driven conceptual model. Interactive Learning Environments31(10), 6445–6461. https://doi.org/10.1080/10494820.2022.2039947

Downes, S. (2005). E-learning 2.0. eLearn Magazine. http://www.elearnmag.org/subpage.cfm?section=articles&article=29-1 

LabELO- Laboratório Multimédia de Estudos do Local (2020, março 29). Vídeo2 TecnologiasDigitais amoreiraSIED [Vídeo]. YouTube https://youtu.be/x6juVIg0dGA?si=JSF5WU21PwJ2HLwL

Moreira, J. A., & Horta, M. J. (2020). Educação e ambientes híbridos de aprendizagem: Um processo de inovação sustentada. Revista UFG20, e66027. https://doi.org/10.5216/revufg.v20.66027

Zhang, Y., Xu, X., Zhang, M., Cai, N., Lei, V.NL. (2023). Personal Learning Environments and Personalized Learning in the Education Field: Challenges and Future Trends. In: Hong, C., Ma, W.W.K. (eds) Applied Degree Education and the Shape of Things to Come. Lecture Notes in Educational Technology. Springer, Singapore. https://doi.org/10.1007/978-981-19-9315-2_13




Estratégias de Avaliação para a Aprendizagem Online

 

Uma leitura colaborativa através do Perusall

by Laura Silva Maria

                              


Ao longo do tema 2 da UC de Avaliação em Contextos de eLearning, sob a responsabilidade das professoras Lúcia Amante e Elizabeth Souza, exploramos o livro Estratégias de avaliação para a aprendizagem online de Diane Conrad e Jason Openo (2019) com recurso ao Perusall, resultando na criação de um guia de boas práticas de avaliação online.


Metodologia

A metodologia utilizada para a construção deste guia foi interessante e pertinente, tendo-se configurado numa tarefa com intencionalidade pedagógica e promotora de reflexão.  A leitura conjunta da obra no Perusall conferiu uma dinâmica de comunicação, colaboração e pertença à atividade sendo o resultado – o guia – o culminar de um verdadeiro esfoço comum, coerente com os “nós” de conexão de um ecossistema de aprendizagem digital. A divisão dos capítulos da obra de Conrad e Openo pelos estudantes possibilitou-nos, com espírito de entreajuda, apreender os conteúdos da obra na íntegra.

Por fim, realizamos a autoavaliação através de um formulário, que me permitiu refletir sobre a minha prestação, autorregular-me e compreender onde posso melhorar.

 

Leitura

No que concerne à obra, procurei não resumir a leitura, mas sim refletir e transmitir considerações que me pareceram pertinentes. Partilhei sugestões de leitura e houve momentos em que senti necessidade de elaborar materiais com recurso a outras ferramentas para transmitir ideias que julguei pertinentes. Houve situações em que partilhei relatos de experiências pessoais, fazendo analogias com excertos da obra, desenvolvendo-se uma relação de interatividade e quase humanidade com o livro. A interação com os comentários dos colegas foi igualmente enriquecedora e despoletou reflexões mais profundas.

Não sendo o objetivo desta reflexão a análise da obra em questão, não posso deixar de referir alguns conceitos e ideias que me despertaram interesse e fizeram especial sentido.

Os capítulos 1 e 2 sobre os quais me debrucei mais profundamente prendem-se com a avaliação na aprendizagem online e a relação entre os princípios da educação de adultos com a aprendizagem e avaliação online.

 

Triangulação entre avaliação, metodologia e tecnologia

Gostaria de destacar o conceito de triangulação entre avaliação, metodologia e tecnologia. A avaliação deverá espelhar a metodologia de ensino e aprendizagem e ambas são indissociáveis. A tecnologia deverá estar ao serviço da pedagogia, logo alinhada com as práticas metodológicas e avaliativas apresentando intencionalidade pedagógica.

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Avaliação formativa e feedback adaptativo


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O apoio da tecnologia nas atividades avaliativas será uma mais-valia se utilizada para uma avaliação formativa centrada no percurso e na aquisição de competências. Uma avaliação formativa e um feedback adequados ao longo de todo o processo promove a autonomia e facilita a autorregulação por parte do aprendente, assim como permite ao professor reajustar a sua prática em função das necessidades dos alunos (Morgado et al. 2022). Cardoso e Narciss (como citado em Morgado et al. 2022) partilham da ideia de que um feedback adequado é essencial.

 

Produzido em StoryBoard

 

Ainda estamos mudando ou chegamos lá?

Na relação que fui desenvolvendo com o livro e no diálogo quase humano estabelecido, senti a última frase do capítulo 1 como se direcionada especialmente para mim, como se o livro aguardasse a minha resposta. Considero que ainda estamos mudando. A nível do ensino regular, realidade que eu conheço, muitos professores têm receio de sair da sua zona de conforto e segurança. Através de uma avaliação sumativa baseada em testes estruturados, sendo mais objetiva, torna-se mais fácil a atribuição de classificações quantitativas. A exigência de uma avaliação quantitativa e de realização de exames nacionais para o acesso ao ensino superior, delimita as opções de práticas avaliativas alternativas, especialmente nas ciências exatas. Não obstante, com a evolução da IA, a forma tradicional de avaliar terá de ser repensada. Para chegarmos lá serão necessários grandes ajustes políticos e institucionais, assim como um investimento na formação de professores


Os princípios da educação de adultos e os princípios da educação básica e secundária

A obra de Conrad & Openo tem o seu foco no ensino superior. Não obstante, senti sempre a necessidade de estabelecer paralelos através do filtro da minha prática profissional de professora do ensino básico e secundário e do desenvolvimento de projetos eTwinning.

Esta reflexão leva-me a sugerir que a base de um ensino e aprendizagem de qualidade – presencial ou a distância, de adultos ou alunos mais jovens - é a metodologia e a intencionalidade pedagógica. A educação para o desenvolvimento de competências como a flexibilidade, resiliência e adaptabilidade são imprescindíveis para capacitar os indivíduos para um Mundo em constante mutação que diariamente nos surpreende pela sua imprevisibilidade. Assim sendo, os objetivos educacionais da educação de adultos e do ensino a distância (EaD) estão alinhados com o que se pretende da educação geral.

 

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As técnicas para motivar os aprendentes adultos são essenciais para motivar todos os alunos do ensino básico e secundário, onde cada vez mais se privilegiam as metodologias ativas, com uma forte vertente colaborativa. Metodologias como a Aprendizagem Baseada em Projetos (ex. projetos eTwinning) promovem não só a aquisição de conteúdos em contexto real, mas também desenvolvem competências essenciais para a vida.

PALAHICKY, 2017 (como citado em Conrad e Openo, 2019), refere que um dos problemas da aprendizagem online entre os alunos mais jovens é a falta de maturidade. Se efetivamente se comprova a falta de maturidade dos alunos mais jovens, a escola não deverá promover o desenvolvimento da maturidade, autonomia e responsabilidade através de metodologias promotoras do trabalho colaborativo e desenvolvimento de competências?

Ou deverá a escola, com base na potencial falta de maturidade dos alunos, limitar-se a estratégias menos desafiantes?

Se para os adultos, considerados maduros, é importante um sentido de propósito, mais relevante será para os aprendentes mais jovens, com mais tendência para questionar muitas das atividades que lhes são propostas.

Ao longo da minha prática letiva como professora do ensino básico e secundário, muitos alunos me questionaram “para quê precisamos saber/fazer isso?”.

Assim sendo, a aprendizagem com propósito não é exclusiva da educação de adultos, devendo desde a educação básica ser promovida uma aprendizagem em contexto e com propósitos reais.

 

Considerações Finais

Estamos perante uma obra que aborda a avaliação no âmbito da educação de adultos e do EaD. Contudo, verifica-se um paralelismo com as práticas desenvolvidas no ensino básico e secundário.  

Metodologias como a Aprendizagem Baseada em Projetos e Aprendizagem Baseada em Problemas desenvolvem, desde tenra idade, competências cognitivas essenciais.

Atividades no âmbito da Programação e Robótica são desenvolvidas em educação pré-escolar e 1º ciclo, promovendo o pensamento computacional em idade precoce.

Os projetos eTwinning desenvolvidos com recurso a uma plataforma europeia, tendo como principal objetivo o desenvolvimento de projetos colaborativos entre professores e alunos de diversos países, com recurso ao digital são implementados desde a educação pré-escolar. A metodologia subjacente é a Aprendizagem Baseada em Projetos, de cariz socio-construtivista, devendo os alunos desenvolver atividades colaborativas para a criação de um produto final comum. As atividades, interdisciplinares, integradas no currículo e implementadas nas diversas salas de aula em regime presencial, interligam-se com uma vertente online é desenvolvida através da plataforma eTwinning, em colaboração com os parceiros internacionais. À semelhança da educação de adultos, o professor deverá ser um facilitador, criando condições para que os alunos possam envolver-se ativamente na construção da sua aprendizagem. Desta forma, os alunos não só adquirem os conteúdos curriculares em contextos reais, como desenvolvem competências como a criatividade, espírito crítico, empatia, autonomia e responsabilidade.

Ainda assim, e indo ao encontro da ideia de “que o método de descoberta de buscar soluções não é universalmente útil nem aplicável.”, (Stanford History Education Group, citado em Conrad e Openo, 2019), considero que deverá haver um equilíbrio e flexibilidade, cabendo ao professor analisar e adaptar o método ao seu grupo de aprendentes, sejam eles adultos ou crianças.

Independentemente de todas as reflexões, considero que as aprendizagens em idade precoce poderão ser mais significativas promovendo um maior impacto a longo prazo.

 

Referências

Conrad, D., & Openo, J. (2019). Estratégias de avaliação para a aprendizagem online (J. Mattar, D. W. A. Duarte, C. C. de Lima, & J. da Silva Nunes, Trads.). Artesanato Educacional. https://read.aupress.ca/projects/assessment-strategies-for-online-learning/resource/portuguese-translation-estrategias-de-avaliacao-para-aprendizagem-online

Morgado, L., Aires, M.L., Seabra, F., Paz, J. Rocha, A. (2022). Formação Avançada integrada no LE@D 2021-2022, LE@D, Universidade Aberta. https://doi.org/10.34627/leadf.2022.5