segunda-feira, 6 de abril de 2026

Avaliação em Contextos de eLearning - Estado da Arte

 by Laura S. Maria

Considero a temática da Avaliação em Contextos de eLearning muito pertinente, especialmente com os novos desafios apresentados pela Inteligência Artificial (IA). Muito se tem falado de metodologias ativas, centradas no aluno e promotoras do trabalho colaborativo e desenvolvimento de competências. Será que as atividades avaliativas têm acompanhado este novo paradigma na educação?

É imperativo refletirmos de forma cuidada e consciente sobre esta temática, devendo a avaliação espelhar as atividades desenvolvidas no âmbito do processo de ensino e aprendizagem.

A primeira atividade da unidade curricular de Avaliação em Contextos de eLearning foi dedicada à exploração do estado da arte da avaliação em eLearning. A utilização da IA como ponto de partida para a exploração deste tópico - numa vertente metacognitiva - e a comparação das respostas com fontes científicas fidedignas,  possibilitou não só uma compreensão do estado da arte, mas também a utilização crítica e criativa da IA.  

Genericamente, a IA identificou uma mudança de paradigma nos processos avaliativos online – de uma avaliação centrada em instrumentos de avaliação de respostas fechadas para atividades avaliativas alinhadas com o sócio-construtivismo, como instrumentos de avaliação de competências, portefólios e fóruns de discussão.

Não obstante, as respostas da IA apresentaram-se limitadas e generalizadas, sendo necessário um aprofundamento da temática recorrendo a leitura científica.

Nesta linha, a IA poderá ser uma opção adequada como ponto de partida para uma pesquisa, sendo que, a informação terá sempre de ser aprofundada e cientificamente corroborada por meio de literatura validada.




Como sugestão de leitura deixaria o estudo de Souza & Amante (2019), subjacente ao modelo PrACT, que descreve a centralidade da autenticidade avaliativa, nomeadamente a similitude com contextos reais, a complexidade cognitiva e a significância das tarefas avaliativas no âmbito de um curso profissional ministrado a distância.

Souza, E. B., Amante, L. (2019). Avaliação Alternativa Digital: o Modelo PrACT aplicado à Educação Profissional, In A. J. Osório, M. J. Gomes, A. J. Valente, (Atas da XI Conferência Internacional de Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação – Challenges 2019, pp. 1097-1112. Braga: Universidade do Minho. 

http://hdl.handle.net/10400.2/10361 

domingo, 29 de março de 2026

Os Ecossistemas de Educação Digital e a Plataforma eTwinning

 by Laura Silva Maria

Para entendermos o conceito de ecossistema de educação digital, não podemos deixar de ter presente toda uma evolução filosófica e sociológica resultante da revolução informacional no final do século XX, que fomentou o desenvolvimento de uma sociedade em rede com conectividade global (Castells, 1999). Não obstante, em termos conceptuais, atualmente verificamos uma evolução significativa do que é um ecossistema de educação digital face à sociedade em rede do final do século XX.

Pretendo com este artigo fazer uma reflexão comparativa sobre a forma como a plataforma eTwinning reflete alguns ideais de autores como Bauman, Floridi, Latour, Moreira, Novak, Requena e Santaella.

Os projetos eTwinning são desenvolvidos numa plataforma online europeia, fechada e segura. Estão integradas na comunidade eTwinning escolas de 46 países que desenvolvem projetos escolares colaborativos com recurso ao digital. Alinhado com o conceito de educação analógico-digital (Moreira&Trindade, 2019), os projetos eTwinning são desenvolvidos em sala de aula, podendo integrar atividades “tradicionais” com metodologias ativas e inovadoras, com recurso a uma plataforma digital. A metodologia preponderante subjacente aos projetos eTwinning é a metodologia baseada em projetos, que promove o desenvolvimento de competências-chave para preparar indivíduos para o mercado de trabalho global.

Indo ao encontro do conceito de infoesfera, (Floridi, citado em Moreira, 2025), passou-se do ensino centrado no professor a aprendizagem com foco no aluno, em relação com outros alunos em outros países, fora do espaço físico da aula. Do trabalho colaborativo internacional desenvolvido na plataforma eTwinning, resulta a co-construção de conhecimento coletivo (Bauman, citado em Moreira, 2025). Ainda alinhado com os ideais de Floridi (citado em Moreira, 2025), a plataforma eTwinning promove a privacidade e respeito dos alunos, sendo todo o trabalho desenvolvido em consonância com o Regulamento Geral de Proteção de Dados.

Coerente com a ideia de educação híbrida no sentido de Latour (citado em Moreira, 2025), que transpõe as fronteiras da sala de aula formal, o eTwinning abra a sala de aula ao mundo, fomentando competências interculturais.  Identifica-se aqui um certo paralelismo com a arquitetura líquida de Marcos Novak (citado em Moreira, 2025) que prevê a substituição da sala de aula física por um ecossistema digital mais abrangente.

A aprendizagem líquida defendida por Bauman (citado em Moreira, 2025) está bem patente nos projetos eTwinning.  Os alunos não só adquirem os conteúdos em contextos reais, mas também desenvolvem competências como a comunicação, colaboração, espírito criativo e analítico, responsabilidade e resiliência numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida. Desta forma estaremos a preparar indivíduos capazes de serem bem-sucedidos numa sociedade moderna marcada pela instabilidade, devendo estar aptos a adaptarem-se à mutabilidade dos percursos educativos e profissionais (Bauman, citado em Moreira, 2025).

Requena (citado em Moreira, 2025) vai mais além quando refere a co-autoria da aprendizagem, considerando que o ambiente de um espaço educativo afetuoso integra essa mesma co-autoria.  Este ideal está perfeitamente alinhado com a metodologia eTwinning, sendo que as parcerias internacionais e o trabalho colaborativo promovem a empatia e relações afetivas duradouras.

 

Os habitantes das ecologias de aprendizagem e os projetos eTwinning

Para autores como Floridi, Bauman, Latour e Santaella (citados em Moreira, 2025) os habitantes das ecologias de aprendizagem não são apenas elementos humanos, mas todos os elementos que integram a rede, sendo participantes ativos no processo educativo, incluindo os dispositivos móveis, assistentes virtuais e sistemas de inteligência artificial.

No que concerne à plataforma eTwinning, o acesso é restrito e seguro, não permitindo aos alunos navegar por “espaços” cujo acesso é mediado por algoritmos e que utilizam sistemas que influenciam a que conteúdos os alunos têm acesso. Embora os assistentes virtuais e sistemas de inteligência artificial não sejam partes integrantes da plataforma eTwinning, o seu desenvolvimento fora da plataforma e posterior integração na mesma é viável e encorajada se devidamente acompanhada pelo professor. Assim sendo, o professor deverá orientar os alunos no sentido de desenvolverem as literacias necessárias que lhes permitam fazer uma análise crítica, ética e responsável da inteligência artificial para a criação dos produtos a integrar nos projetos eTwinning.

 

Conclusão e desafios

Refletindo sobre os projetos eTwinning à luz dos ideais dos diversos autores citados, podemos concluir que “Os ecossistemas educativos digitais não podem, nem devem ser concebidos apenas como plataformas tecnológicas, mas como espaços híbridos que acolhem a complexidade emocional, social e cultural dos seus habitantes (professores e estudantes).” (Moreira, 2025, p.17).

É inegável o esforço a nível das políticas europeias na promoção de uma aprendizagem digital inclusiva e de qualidade com a implementação do Plano de Ação para a Educação Digital (Comissão Europeia, 2020). Contudo, na prática letiva atual, ainda nos deparamos com alguns desafios que carecem de atenção e que deixo para reflexão:

-Dificuldade de alguns professores em se “libertarem” de um ensino tradicional, expositivo e centrado no professor;

-Falta de formação de professores adequada a nível tecnológico e metodológico;

-Falta de envolvimento das estruturas institucionais – direções das escolas, sendo fulcral um reforço no desenvolvimento de estratégias institucionais relativas à utilização prática e sustentada de ecossistemas de educação digital.

 

Referências

Castells, M. (1999). A era da informação: Economia, sociedade e cultura: Vol. I. A sociedade em rede (2ªed.). Paz e Terra

Comissão Europeia. (2020). Plano de Ação para a Educação Digital 2021-2027: Reconfigurar a educação e a formação para a era digital (COM/2020/624 final).

E-Rede-UAb. (2019, 31 de outubro). [METODOLOGIAS ATIVAS] #2 Era Híbrida e Educação Disruptiva: António Moreira e Sara Dias-Trindade [Vídeo]. YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=z3q5sbjifZA

Moreira, J. A. (2025). Novos Ecossistemas de Aprendizagem nos Territórios Híbridos da Noosfera . Santo Tirso: Whitebooks.


sexta-feira, 13 de março de 2026

Story Dice - uma apresentação pelos dados

 by Laura S. Maria


Que forma simpática e criativa para nos apresentarmos no âmbito da UC de Avaliação em Contexto de eLearning 👍. Gostei de ler as várias histórias dos colegas.

Meu nome é Laura Silva Maria e também vos vou contar uma história.

Quantas cartas escrevi quando era jovem. Lembro-me da ansiedade enquanto esperava por resposta e da felicidade quando chegava uma carta pelo correio. Ainda tenho uma caixa cheia delas guardada no sótão. Como professora de Inglês e Alemão ainda sou do tempo em que promovíamos o pen-pal - intercâmbio por carta com os nossos alunos. Atualmente já não se escrevem cartas, por isso ainda promovo a troca de cartas por correio no âmbito de projetos Erasmus e eTwinning. E os miúdos gostam….

Cresci na Alemanha, vivo na Moita, sou licenciada em Línguas e Literaturas Modernas. Paralelamente à minha prática letiva, tenho trabalhado no âmbito da coordenação de projetos. Tive a oportunidade de integrar a Direção-Geral da Educação como coordenadora da Organização Nacional de Apoio eTwinning entre 2023 e 2025, experiência desafiante, mas enriquecedora. Sempre gostei de experiências novas e de aprender mais. Não recuso um desafio. Houve alturas em que parecia que tinha ingerido uma caixa de pilhas de forma a dar resposta a tudo. Ao longo da vida confrontei-me com a alguns catos com espinhos, que fui conseguindo espantar colocando um lençol na cabeça e correndo atrás deles. Sabiam que os catos têm medo de fantasmas?

Atualmente, com a missão cumpridas de duas filhas adultas e independentes já não há catos nem fantasmas que me apoquentem. O que aprecio mesmo é fazer o que gosto, estudar, ler, caminhar, apreciar as coisas boas e simples da vida como um saboroso prato de comida acompanhado de uma boa companhia e de uma agradável conversa.

Laura Silva Maria

sexta-feira, 6 de março de 2026

Apresentação Pessoal com Recurso à Inteligência Artificial - NotebookLM

 by  Laura Silva Maria

06-03-26

Prompt

Meu nome é Laura Silva Maria, cresci e estudei na Alemanha, e sou licenciada em LLModernas, variante de Inglês e Alemão, pela UNL. Sou professora de Inglês e Alemão (Alemão muito pouco, uma vez que não há muita procura). Sou formadora pelo CCPFC nas áreas de Didática das Línguas e Projetos Educativos. Vivo na Moita, distrito de Setúbal.

Desde 2013 que desenvolvo, coordeno e implemento projetos Erasmus, tendo aliado, desde 2017, a plataforma europeia eTwinning a esses mesmos projetos. Durante o período de confinamento, o Ensino a Distância tornou-se essencial, sendo as minhas aulas dadas exclusivamente através de projetos eTwinning.

Coordenei a Organização Nacional de Apoio eTwinning PT, integrada na Direção-Geral da Educação entre setembro 2023 e dezembro 2025, experiência muito desafiante e enriquecedora. 

A plataforma eTwinning permite-nos desenvolver projetos curriculares, colaborativos, com recurso ao digital, entre professores e alunos de diferentes países europeus.  

Após anos de experiência prática, senti necessidade de aprofundar os meus conhecimentos e competências na área da Pedagogia do eLearning, assim como obter uma especialização académica estruturada e atualizada.

Nos tempos livres gosto de ler, viajar, caminhar e fazer exercício e abraçar novas experiências.


Infográfico



Vídeo



sábado, 14 de fevereiro de 2026

Escape Room Em Busca dos Segredos do Mundo eTwinning

 By Laura Silva Maria

mPeL_Materiais e Recursos para eLearning

Produção de um REA para exposição virtual

"O presente e o futuro da educação online: perspetivas e desafios"


 Escape Room

Em Busca dos Segredos do Mundo eTwinning

👉Entre aqui!

 

Temática

Plataforma ESEP/eTwinning

Contextualização

Registo

Contactos

Parceiros

Criação de um projeto.

 Enquadramento

O projeto eTwinning, a maior comunidade de professores da Europa, foi lançado em 2005 e está integrado no Programa Erasmus+ da Comissão Europeia, contando atualmente com 46 países parceiros. Os projetos colaborativos desenvolvidos entre professores e alunos de diferentes países são uma excelente forma de implementar a metodologia alinhada com os conceitos de REA e PEA, num espaço virtual de trabalho interativo e seguro – European School Education Platform (ESEP).

Os projetos eTwinning promovem um trabalho interdisciplinar e inclusivo, permitem uma abordagem flexível dos currículos, indo ao encontro das necessidades individuais dos alunos. Através da colaboração em torno da resolução de problemas e da criação de produtos finais comuns, o conhecimento é co-construído e facilitado por meio de uma interação e reflexão mútua, aspeto mencionado por Ehlers relativamente à mudança de paradigma que temos vindo a presenciar no ensino

 

knowledge is co-created and facilitated through mutual interaction and reflection (Ehlers, 2011:4).

Ehlers também reforça ideia de que “estamos perante PEA quando há criação de recursos centrados no aluno, quando os alunos se envolvem na criação de conteúdos, quando professores se afastam de um ensino centrado no professor, quando os processos de aprendizagem são processos produtivos e os resultados são dignos de serem partilhados e reutilizados, os recursos melhoram o processo de aprendizagem” (Ehlers, 5)

No seguimento deste raciocínio, e pondo em prática os ideiais por trás da Filosofia REA, através da implementação de projetos eTwinning, alunos de diferentes países envolvem-se ativamente em atividades colaborativas e na criação de recursos que deverão ser disseminados e utilizados a nível local, regional, nacional e internacional.

 Aplicabilidade prática do REA

Para a seleção da temática e do recurso a autora teve em consideração a aplicabilidade prática na sua atividade profissional, de forma a rentabilizar o trabalho desenvolvido.

Como formadora de professores na área do eTwinning, a autora irá dinamizar um curso de formação híbrido, eTwinning Road – o eTwinning vai à Escola, a decorrer entre 27 de fevereiro e 12 de março 2026, sendo este Escape Room parte integrante dos conteúdos do curso.

 Objetivos

O recurso tem como principais objetivos:

-aferir os conhecimentos adquiridos pelos formandos ao longo do curso de formação, na última sessão online, promovendo uma aquisição de conhecimentos em espiral (Holmberg, 1995);

-sensibilizar os formandos para o envolvimento dos alunos na criação de atividades colaborativas por meio de ferramentas interativas (ex. Escape Rooms, Genially) no desenvolvimento de projetos eTwinning;

- sensibilizar os formandos para o envolvimento dos alunos na utilização da IA  de forma responsável e ética, para a criação de recursos (ex. vídeos em NotebookLM);

-disponibilizar o recurso para utilização e adaptação livre a todos os interessados.

 Público-alvo

-Formandos do curso de formação eTwinning Road – o eTwinning vai à Escola;

-Professores da Educação Pré-escolar e do Ensino Básico e Secundário de todas as áreas disciplinares.

 Conteúdos e estrutura

A atividade é apresentada em formato de Escape Room. Os formandos terão de colaborar com a personagem Twinny na consecução de quatro missões, para que possa deslocar-se no arquipélago da ESEP, onde se encontra após o avião onde seguia se ter despenhado.

Missão 1: Como se registar na ESEP/eTwinning

Missão 2: Procurar e adicionar contactos

Missao 3: Procurar parceiros

Missão 4: Criar um projeto

Os conteúdos podem ser revistos acedendo às janelas interativas, assim como a vídeos e imagens informativas. Seguem-se questões que terão de ser respondidas corretamente para poderem passar à fase seguinte e alcançarem o objetivo final.

 Ferramentas, repositórios e licenças

Escape Room Genially.

A plataforma Genially é um repositório onde autores de todo o mundo partilham as suas criações publicamente, de forma a poderem ser reutilizadas livremente ou como inspiração para a criação de outros recursos. Não obstante, deverá ser dado crédito ao autor do recurso original. Assim sendo, também o recurso Em Busca dos Segredos do Mundo eTwinning será publicado com a licença Creative Commons CC BY-NC-SA 4.0

Na plataforma Genially as obras terão de ser marcadas como public e reusable para que possam ficar visíveis, havendo instruções específicas sobre as opções de partilha em Genially Community Guidelines

https://help.genially.com/en_us/genially-community-guidelines-Bk6Z5V15xe

         

https://app.genially.com/teams/69583533c960e6c962d57da9/spaces/69583533c960e6c962d57dd8/dashboard

 A seleção desta plataforma prende-se com a versatilidade de opções que apresenta, enriquecendo o trabalho do professor no desenvolvimento de atividades colaborativas com os alunos. Permite a integração de diversas ferramentas no mesmo recurso, fomentando a utilização do digital no processo de ensino-aprendizagem. Da maior relevância é o facto de os alunos poderem eles próprios serem os criadores dos recursos de forma colaborativa, promovendo uma aprendizagem ativa e significativa, alinhada com a metodolgia PEA. No âmbito dos projetos eTwinning a vertente colaborativa é enriquecida através de parcerias internacionais.

Assim sendo, este trabalho tem um duplo propósito: capacitar os docentes na utilização da plataforma ESEP/eTwinning e formar os professores para a utilização prática, com os alunos, de ferramentas digitais colaborativas e de ferramentas de IA.

 Todo o conteúdo para a criação do REA (descrito no documento Guião Escape Room é original, assim como as imagens apresentadas.

 Tutoriais - NotebookLM e Youtube

Os tutoriais foram criados com recurso ao NotebookLM e estão públicos no canal YouTube da autora.

 

Tutorial 1 - https://youtu.be/OPPV-pcO160

 

Tutorial 2 - https://youtu.be/vziBKGjOuxE

  

Tutorial 3 - https://youtu.be/qSYT3uetTck

Tutorial 4 - https://youtu.be/Id9jh_7qSVI


Website eTwinning.PT

Após a finalização do curso de formação em março de 2026, os recursos serão publicados no separador dedicado aos cursos eTwinning Road e tutoriais de formação no website eTwinning PT

https://www.etwinning.pt/site/formacao

 Reflexão Final

Foram efetuadas ligeiras adaptações ao plano inicialmente apresentado, o que não comprometeu os objetivos previamente delineados para esta atividade.

O processo de produção deste Recurso Educacional Aberto iniciou-se com a escolha da temática, que não apresentou dificuldade por contemplar conteúdos a serem abordados na prática profissional da autora.

A opção pela plataforma Genially e o recurso Escape Room estão perfeitamente alinhados com os objetivos definidos para a atividade. Não obstante, foi dada particular atenção às questões de direitos de autor e licenças atribuídas e a atribuir.

A questão da originalidade suscitou alguma dúvida face à possibilidade de utilização de um template pré-concebido, tendo essa questão sido esclarecida pela professora da UC.

O desenvolvimento desta atividade no âmbito da UC de Materiais e Recursos para eLearning foi bastante enriquecedora em várias vertentes. Contribuiu para uma maior consciencialização da autora sobre a importância da verificação das licenças e em que moldes os recursos são publicados e partilhados nos repositórios. Permitiu  ainda, a criação de um recurso com uma aplicação prática no terreno, rentabilizando o trabalho desenvolvido. Por fim, e da maior relevância, a adaptabilidade do recurso ao contexto de sala de aula (presencial e virtual), enaltecendo as metodologias ativas, centradas no aluno, promotoras de aprendizagens significativas e duradouras, em linha com o movimento da Educação Aberta.

 Referências APA

Creative Commons (s.d.) https://creativecommons.org/

Ehlers, U.-D. (2025). Extending the territory: From open educational resources to open educational practices. Journal of open, flexible and distance learning, 15(2), 1–10. https://doi.org/10.61468/jofdl.v15i2.64

eTwinning PT (s.d.) https://etwinning.pt/site/etwinning

European School Education Platform (ESEP) (s.d.) https://school-education.ec.europa.eu/en/etwinning

Genially (s.d.).  https://genially.com/pt-br/

Holmberg, B. (1995). The theory of distance education. Distance Education, 16(2), 185-201. https://doi.org/10.1080/0158791950160202

Google. (2024). NotebookLM [Software de inteligência artificial]. https://notebooklm.google/

Nobre, A. (2020). REA: de A a .... Manual para identificar, procurar, utilizar, reutilizar, produzir e partilhar recursos educacionais abertos, Universidade Aberta http://hdl.handle.net/10400.2/10216

Wiley, D. (2014, September 24). The access compromise and the 5th R. Improving Learning.https://opencontent.org/blog/archives/3221

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Estará a Escola preparada para o uso ético da IA?

 by Laura Silva Maria


Imagem criada por IA


As instituições estão realmente preparadas para concretizar, na prática, o uso ético e equilibrado da IA?

Como assegurar que a IA amplie a autonomia e o pensamento crítico dos alunos?

As Escolas estão preparadas para educar cidadãos numa cultura digital em que o aprender com a IA não apague o aprender a pensar?

Como podem as Escolas equilibrar inovação tecnológica com equidade, ética e desenvolvimento humano?
 

Para dar resposta a estas questões gostaria de lançar para reflexão a seguinte ideia de Andrew Scott (s.d.)

 

As machines get better at being machines, humans have to get better at being more human.

 

Paralelamente à evolução da tecnologia e, consequentemente, da IA, registou-se uma crescente necessidade da intervenção humana. A internet e a IA não são infraestruturas meramente técnicas, sendo um espaço de interação social e humana – We are the Web. (Michael Wesch 2007)

A IA deverá ser apenas um meio, e não um fim, e o humano nunca deverá perder a sua centralidade. É essa humanidade que nos permite ser responsáveis, equilibrados, críticos, honestos e éticos.


      Será que a Escola estava preparada para educar seres pensantes, responsáveis, autónomos, críticos e éticos antes da IA?

     

Todos os alunos refletiam sobre a sua aprendizagem de forma crítica?
     
Os alunos não copiavam nas avaliações?

Não procuravam um caminho fácil e desonesto para obter resultados?

Não se verificavam situações de falta de ética e de plágio?
 

Permitam-me realçar que a tecnologia e a IA não são o cerne da questão. Não importa a utilização da IA, mas a forma como a IA é utilizada, o seu verdadeiro valor pedagógico. A humanização é o ponto essencial. Não podemos permitir-nos perder essa humanização com o desenvolvimento tecnológico e o acesso à IA.

A Escola tem vindo a ser preparada para a utilização ética da IA, com investigação, regulamentação, formação de professores, etc. É um processo em constante evolução. 

 

Estará a Escola está preparada?
E o Ser Humano, está?

 

domingo, 25 de janeiro de 2026

Educar para quê, porquê e com o quê, na era da Inteligência Artificial?

 by Laura Silva Maria

                             Imagem gerada por IA - Chat GPT


A aplicação prática da Inteligência Artificial (IA) na educação deverá ter um impacto benéfico em todos os seus intervenientes: professores, aprendentes e famílias. Não obstante, deveremos estar conscientes dos potenciais riscos e efeitos negativos associados, pondo em causa a ética na educação, assim como a ética dos dados e, desta forma, comprometendo valores básicos preconizados na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948).   

Um aspeto prioritário do Plano de Ação para a Educação Digital (2021-2027), é a necessidade de haver “conteúdos de elevada qualidade, ferramentas intuitivas e plataformas seguras, respeitando a privacidade e as normas éticas.” Assim como um “bom conhecimento e compreensão das tecnologias com utilização intensiva de dados, como a IA.”(Comissão Europeia, 2020).

Como pode a utilização de ferramentas baseadas em IA generativa ampliar a aprendizagem autónoma e aberta sem reforçar desigualdades, reduzir a agência do estudante (aprendente) ou colocar em risco critérios de rigor académico?

A resposta a esta questão carece de uma contextualização mais generalizada sobre a utilização de sistemas de IA nas instituições educativas.


                                                Imagem gerada por IA - Chat GPT



Planeamento a nível da instituição sobre a adequabilidade da utilização de IA

A implementação de um sistema de IA numa instituição educativa deverá partir de uma reflexão cuidada entre os diversos intervenientes, analisando o contexto educativo e as necessidades, de forma a que seja tomada uma decisão consciente e ponderada.

Deverão ser avaliados os impactos benéficos na instituição, nos professores, nos aprendentes e no processo de ensino-aprendizagem, da mesma forma que terão de ser equacionados os perigos e os riscos inerentes. A comunicação e colaboração com outras instituições, assim como a análise de atuais sistemas de IA e de dados pode facilitar a compreensão da temática. O acompanhamento por um fornecedor de sistema de IA é essencial para ajudar a controlar o funcionamento do sistema. O perito pode facilitar a introdução gradual do sistema, permitindo uma monitorização constante e avaliação dos riscos.

Compreender o que é a IA e a relação com a ética dos dados na educação

                                                 Imagem gerada por IA - Chat GPT


Para uma utilização responsável e consciente da IA, antes de mais, os seus utilizadores terão de compreender o que é a IA, como funciona e qual a sua relação com os dados.

Os dados recolhidos pelos sistemas de inteligência artificial são disponibilizados por todos nós que navegamos na Internet. Através da nossa pegada digital vamos fornecendo uma vasta quantidade de dados, que são utilizados por software “treinado” para reformular a informação obtida, sendo capaz de criar resultados de acordo com as solicitações dos humanos.

Na educação, a análise do rastreio dos dados educativos através da inteligência artificial é benéfica para a compreensão do estado da arte em determinado contexto educativo e, consequentemente, desenvolver um planeamento estratégico para dar resposta a determinadas fragilidades identificadas.  Ao contexto escolar acresce a recolha de um elevado número de dados de professores, alunos e famílias, associados aos processos administrativos. Assim sendo, a instituição deverá assegurar a confidencialidade no armazenamento dos dados educativos de modo a garantir a sua utilização ética de acordo com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD).

Informação e formação

Para garantir a transparência dos processos inerentes à implementação de sistemas de IA nas instituições escolares, todos os intervenientes deverão estar informados.  A instituição deve comunicar com os pais e com os alunos, garantindo o envolvimento de toda a comunidade escolar. Os professores devem manter-se atualizados, de forma a garantir a explicabilidade do processo.

Sendo a IA um mundo muito vasto e complexo, os educadores não deverão sentir-se na obrigação de dominar esta temática na totalidade e de forma aprofundada. Deverão sim, centrar-se na forma como em contexto educacional se pode beneficiar da utilização da IA de forma crítica, segura, inclusiva e ética.

O papel do professor

O professor deverá encarar a IA como uma aliada que o poderá auxiliar em tarefas como a utilização ética da IA dos dados, atividades de ensino-aprendizagem promotoras de criatividade e espírito crítico e atividades de avaliação.  A utilização de IA em tarefas administrativas e automatizadas libertará o professor das mesmas, tendo mais tempo e disponibilidade para atividades significativas com os alunos.

Diretrizes europeias sobre a utilização ética de IA na educação

Tendo presente os cuidados prévios a ter com a implementação de sistemas de IA numa escola, deverão ser tidos em conta as orientações e normativos europeus sobre a utilização ética da IA na educação. Os valores e princípios estabelecidos pelo direito internacional reforçam a necessidade de garantir a dignidade humana em todas as fases do ciclo de vida dos sistemas de IA e não apenas aquando da sua implementação na escola. Defendem a inclusão, diversidade, igualdade e bem-estar físico e mental de todos os intervenientes. Alertam para o perigo de distorções ou vieses que podem comprometer a justiça e igualdade, podendo resultar em discriminação e exclusão. Assim sendo, deverão ser tomadas medidas de mitigação de riscos através de uma monitorização e avaliação contínua dos impactos. A transparência e explicabilidade ao longo de todo o processo, garante a todos um tratamento ético e justo dos seus dados pessoais.

As instituições escolares, ao refletirem sobre as quatro considerações que servem de base à utilização ética da IA - ação humana, equidade, humanidade e escolha justificada – assim como ao analisarem as perguntas inerentes aos sete requisitos essenciais para uma IA de confiança (Comissão Europeia, 2022), asseguram uma utilização adequada da IA na sua instituição, pelos professores e pelos aprendentes. Assim sendo, estão reunidas as condições para garantir que os aprendentes utilizem ferramentas baseadas em IA generativa de forma a ampliar a aprendizagem autónoma e aberta sem reforçar desigualdades e sem reduzir a sua agência ou colocar em risco critérios de rigor académico.

 

Que princípios e práticas deve um código de boas práticas incluir para usar a IA generativa como instrumento de estruturação da aprendizagem em contextos de educação aberta e digital, assegurando transparência e autoria, qualidade académica, inclusão e proteção dos dados?

Os compromissos a assumir no âmbito deste código de boas práticas deverão ser direcionados para os diferentes intervenientes:

Instituição

● Garantir os pré-requisitos para a implementação do sistema, reforçando a segurança das infraestruturas;

● Monitorizar e avaliar o processo ao longo de todo o ciclo de implementação;

● Facilitar formação aos professores no âmbito do regulamento de utilização, literacia e ética da IA;

● Promover ações de informação junto das famílias e comunidade escolar, garantindo a transparência e explicabilidade do processo;

● Assegurar uma implementação ética da IA e dos dados, respeitando as normas RGPD.

 

Professor

● Manter-se informado e frequentar formação que o capacite para a utilização ética e responsável da IA no processo de ensino e aprendizagem;

● Utilizar recursos de forma ética e responsável respeitando as normas sobre direito de autor e direitos conexos;

● Respeitar a política de privacidade e segurança dos dados de forma a não partilhar dados sensíveis;

● Garantir a equidade nas condições de acesso dos aprendentes a ferramentas de IA.

 

Aluno/aprendente

● Utilizar as ferramentas de IA generativa de acordo com as indicações do professor;

● Em caso de utilização de ferramentas de IA identificar a fonte, a data e a forma como a informação foi utilizada para a realização da tarefa;

● Utilizar as ferramentas de IA de forma ética e crítica no processo de aprendizagem, respeitando as normas sobre direito de autor e direitos conexos;

● Utilizar a IA como ponto de partida ou complemento e nunca em substituição do próprio pensamento crítico e criativo;

● Ter consciência de que a IA pode conter erros, pelo que a informação deverá ser sempre confirmada com fontes fidedignas;

● Ter consciência de que os tutores virtuais são máquinas inteligentes sem sentido empático.

  

                                                    Imagem gerada por IA - Chat GPT


Reflexões finais

Com o desenvolvimento acelerado da tecnologia, as potencialidades da inteligência artificial aumentam exponencialmente. Da mesma forma, os resultados tornam-se mais fiáveis, não só em termos de conteúdos, mas igualmente no que concerne à ética e proteção de dados, havendo requisitos obrigatórios para o desenvolvimento de sistemas de IA que asseguram a sua fiabilidade.

É imprescindível que todos os intervenientes na educação e formação (professores, formadores, diretores, investigadores), se mantenham atualizados, de forma a poderem acompanhar o ritmo da evolução e estarem aptos a capacitar os aprendentes para uma utilização autónoma, responsável, crítica e ética da inteligência artificial, sem comprometer o rigor académico.

 

Consulta de Chat GPT na procura de Linhas orientadoras para a utilização da inteligência artificial na Universidade Aberta, para a sua referenciação APA.

 

 

Referências APA

European Commission. (2022). Ethical guidelines for educators on using artificial intelligence. European Education Area. https://education.ec.europa.eu/focus-topics/digital-education/action-plan/ethical-guidelines-for-educators-on-using-ai

European Union. (s.d.). Ethical guidelines on the use of artificial intelligence (AI) [Vídeo]. EC Audiovisual Service. https://audiovisual.ec.europa.eu/en/video/I-232180?lg=EN&sublg=pt

European Commission. (2022). Orientações éticas para educadores sobre a utilização de inteligência artificial (IA) e de dados no ensino e na aprendizagem (Nr. de catálogo NC-07-22-649-PT-N; ISBN 978-92-76-54204-9) [PDF]. Publications Office of the European Union. https://op.europa.eu/pt/publication-detail/-/publication/d81a0d54-5348-11ed-92ed-01aa75ed71a1/language-pt

European Commission. (2020). Plano de ação para a educação digital [Página web]. European Education Area. https://education.ec.europa.eu/pt-pt/focus-topics/digital-education/plan

UNESCO. (2022). Recomendação sobre a ética da inteligência artificial [Documento normativo]. UNESCO. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000381137_por

Universidade Aberta. (2024). Linhas orientadoras para a utilização da inteligência artificial na Universidade Aberta (Despacho nº 64/R/2024). Universidade Aberta, Lisboa.