domingo, 3 de maio de 2026

Tecnologias para a Criação de Ambientes Virtuais de Aprendizagem

Uma reflexão crítica de uma professora do ensino básico e secundário

by Laura Silva Maria

Esta reflexão resulta de um debate de ideias associadas ao conceito de ecossistema virtual de aprendizagem e insere-se no tema 2 – Tecnologias para a Criação de Ambientes Virtuais de Aprendizagem - integrado na UC de Ambientes Virtuais de Aprendizagem sob a orientação do professor António Moreira.

 

Hibridismo ou blended learning

 


Um verdadeiro ecossistema digital tem de ter presente o conceito de hibridismo, não se resumindo ao blended learning em termos geográficos (presencial – a distância), mas um hibridismo que implique um equilíbrio do melhor que se faz em ambas estas vertentes (Moreira e Horta, 2020).

A imprevisibilidade originada pela pandemia Covid 19 e consequente encerramento das escolas veio obrigar os professores a reajustarem-se a uma nova forma de ensinar adotando uma variedade de novas metodologias, de modo a ir ao encontro das necessidades dos alunos.

Consequentemente, registou-se uma inevitável mudança de paradigma no processo de ensino e aprendizagem, sendo que mesmo os docentes mais céticos na utilização das tecnologias e mais “presos” a métodos tradicionais tiveram de sair da sua zona de conforto e aprender novas formas de ensinar.

Não julguemos, contudo, que a passagem do ensino presencial para o ensino a distância signifique uma mudança de um ensino expositivo para metodologias inovadoras e promotoras do envolvimento ativo do aluno. Muitos professores limitaram-se a expor os seus conteúdos através de uma plataforma como o Teams ou o Zoom, da mesma forma que o faziam na sala de aula presencial.

Retomemos, então, o conceito de hibridismo. Não está relacionado com geografia, mas com metodologia, intencionalidade pedagógica e aprendizagens significativas. Neste sentido, para Moreira e Horta (2020) uma educação mais híbrida permite “combinar diferentes presenças (físicas e digitais), tempos (síncronos e assíncronos), tecnologias (analógicas e digitais), culturas (pré-digital e digital) e, sobretudo, articular diferentes espaços e ambientes de aprendizagem (analógicos e digitais) (Moreira e Horta, 2020, p. 4). Desta forma, a tecnologia deverá estar sempre presente como auxiliar do agente humano (LabELO- Laboratório Multimédia de Estudos do Local, 2020).

  

O “espaço” nos ambientes virtuais de aprendizagem

Quando pensamos em espaço, muitas ideias nos poderão surgir: um local físico, uma sala de aula, um espaço ao ar livre, uma videochamada, uma rede social, uma plataforma digital….. muito mais espaços poderíamos imaginar.

No contexto dos ecossistemas virtuais de aprendizagem, qualquer espaço poderá ser considerado para o desenvolvimento / envolvimento de aprendizagens significativas em rede. Estejamos numa sala física, equipada tecnologicamente com várias áreas de trabalho (Ambiente Educativo Inovador) ou numa sala de aula tradicional, com acesso a uma plataforma digital que nos conecta com professores e alunos de outros países (eTwinning). Ou até no conforto das nossas casas a assistir a uma videoconferência ou a interagir em um fórum (Moodle).

Se olharmos o ambiente à nossa volta, questionamo-nos…afinal, o que é o espaço?

O espaço nada é ….. se não preenchido com interação, comunicação e atividade pedagógica intencional e significativa.

E assim nascem os verdadeiros ecossistemas de aprendizagem.

 

O que é um ambiente de ensino e aprendizagem inovador?

Segundo Moreira e Horta (2020), um ambiente de ensino e aprendizagem inovador pode ser

” enriquecido tecnologicamente, constituído por diferentes espaços flexíveis e reconfiguráveis, que desafiam os professores a repensar o papel da pedagogia, da tecnologia e do design da configuração espacial das salas de aula.” (Moreira e Horta, 2020, p.9).

Todavia, tendo presente o conceito de hibridismo do ponto de vista de Moreira e Horta (2020), um ambiente de ensino e aprendizagem inovador deverá ir para além das salas de aula físicas, podendo ser associado a plataformas digitais como o eTwinning ou de forma mais abrangente a outros Ambientes Pessoais de Aprendizagem, sendo que os Personal Learning Environments (PLE) são mais do que meras plataformas e ferramentas digitais. Para Atwell (2023) trata-se de uma abordagem social e pedagógica para a utilização da tecnologia na aprendizagem, definindo que os PLE potenciam o desenvolvimento de  

“… educational technology which can respond to the way people are using technology for learning and which allows them to themselves shape their own learning spaces, to form and join communities and to create, consume, remix, and share material.” (Atwell, 2007, como citado em Atwell 2023, p.2).

 

Vários estudos comprovam a eficácia dos PLE para os estudantes, na aquisição de aprendizagens impactantes, permitindo aprender fazendo e potenciando autonomia, discussão, pensamento crítico e uma aprendizagem iterativa (Cenka et al. 2023). Segundo o conectivismo de George Siemens, adquirimos competências ao criarmos redes de conexão em comunidades especializadas, de forma a alcançarmos aprendizagens significativas (Downes, 2005).

  

Considerações Finais

Fazendo uma análise retrospetiva, tendo sempre presente a minha visão de professora do ensino básico e secundário, concluo que é imperativo que os professores se mantenham em constante evolução e desenvolvimento profissional de forma a fazerem face à mutabilidade e imprevisibilidade dos tempos.

Numa sociedade em rede cada vez mais conectada através da Web 2.0 (LabELO- Laboratório Multimédia de Estudos do Local, 2020) os PLE poderão apresentar-se como uma alternativa cumulativa aos tradicionais formatos de organização, servindo de apoio ao ensino tradicional (Rodrigues e Miranda, 2013).

Tendo presente uma intencionalidade pedagógica alinhada com a idade dos aprendentes, considero pertinente a adaptação de práticas inerentes a este novo paradigma educacional, podendo haver mais ou menos orientação do professor e consequentemente promover uma maior ou menor autonomia nos alunos consoante a sua maturidade.

Ferramentas de acesso aberto da Web 2.0 são uma mais-valia no auxílio aos professores no desenvolvimento dos seus processos pedagógicos (LabELO- Laboratório Multimédia de Estudos do Local, 2020).

É essencial desenvolver hábitos e práticas associadas a um ensino interligado com os ecossistemas digitais de aprendizagem favorecendo um hibridismo alinhado com o conceito de educação total (Moreira e Horta, 2020).
A abertura e flexibilidade destas metodologias viabiliza o recurso a uma variedade de ferramentas digitais, assim como interações diversas entre agentes humanos e não-humanos,
de forma a promover a sua autonomia e desenvolvimento de competências-chave para o século XXI, como a cidadania, espírito crítico e analítico e capacidade de resolução de conflitos (Zhang et al., 2023).

Face ao exposto, independentemente da idade dos aprendentes, do nível de ensino e de estarmos perante ensino online ou presencial, acredito ser exequível e viável que os professores recorram a práticas que facilitem uma participação ativa dos aprendentes na sua aprendizagem e visem o desenvolvimento de competências cognitivas e sociais, assim como a produção de conhecimento através de redes de conectividade e partilha.

  

Referências

 

Attwell, G. (2023). Personal Learning Environments: looking back and looking forward. Revista de Educación a Distancia (RED), 23(71). https://doi.org/10.6018/red.526911

Cenka, B. A., Santoso, H. B., & Junus, K. (2023). Personal learning environment toward lifelong learning: an ontology-driven conceptual model. Interactive Learning Environments31(10), 6445–6461. https://doi.org/10.1080/10494820.2022.2039947

Downes, S. (2005). E-learning 2.0. eLearn Magazine. http://www.elearnmag.org/subpage.cfm?section=articles&article=29-1 

LabELO- Laboratório Multimédia de Estudos do Local (2020, março 29). Vídeo2 TecnologiasDigitais amoreiraSIED [Vídeo]. YouTube https://youtu.be/x6juVIg0dGA?si=JSF5WU21PwJ2HLwL

Moreira, J. A., & Horta, M. J. (2020). Educação e ambientes híbridos de aprendizagem: Um processo de inovação sustentada. Revista UFG20, e66027. https://doi.org/10.5216/revufg.v20.66027

Zhang, Y., Xu, X., Zhang, M., Cai, N., Lei, V.NL. (2023). Personal Learning Environments and Personalized Learning in the Education Field: Challenges and Future Trends. In: Hong, C., Ma, W.W.K. (eds) Applied Degree Education and the Shape of Things to Come. Lecture Notes in Educational Technology. Springer, Singapore. https://doi.org/10.1007/978-981-19-9315-2_13




Estratégias de Avaliação para a Aprendizagem Online

 

Uma leitura colaborativa através do Perusall

by Laura Silva Maria

                              


Ao longo do tema 2 da UC de Avaliação em Contextos de eLearning, sob a responsabilidade das professoras Lúcia Amante e Elizabeth Souza, exploramos o livro Estratégias de avaliação para a aprendizagem online de Diane Conrad e Jason Openo (2019) com recurso ao Perusall, resultando na criação de um guia de boas práticas de avaliação online.


Metodologia

A metodologia utilizada para a construção deste guia foi interessante e pertinente, tendo-se configurado numa tarefa com intencionalidade pedagógica e promotora de reflexão.  A leitura conjunta da obra no Perusall conferiu uma dinâmica de comunicação, colaboração e pertença à atividade sendo o resultado – o guia – o culminar de um verdadeiro esfoço comum, coerente com os “nós” de conexão de um ecossistema de aprendizagem digital. A divisão dos capítulos da obra de Conrad e Openo pelos estudantes possibilitou-nos, com espírito de entreajuda, apreender os conteúdos da obra na íntegra.

Por fim, realizamos a autoavaliação através de um formulário, que me permitiu refletir sobre a minha prestação, autorregular-me e compreender onde posso melhorar.

 

Leitura

No que concerne à obra, procurei não resumir a leitura, mas sim refletir e transmitir considerações que me pareceram pertinentes. Partilhei sugestões de leitura e houve momentos em que senti necessidade de elaborar materiais com recurso a outras ferramentas para transmitir ideias que julguei pertinentes. Houve situações em que partilhei relatos de experiências pessoais, fazendo analogias com excertos da obra, desenvolvendo-se uma relação de interatividade e quase humanidade com o livro. A interação com os comentários dos colegas foi igualmente enriquecedora e despoletou reflexões mais profundas.

Não sendo o objetivo desta reflexão a análise da obra em questão, não posso deixar de referir alguns conceitos e ideias que me despertaram interesse e fizeram especial sentido.

Os capítulos 1 e 2 sobre os quais me debrucei mais profundamente prendem-se com a avaliação na aprendizagem online e a relação entre os princípios da educação de adultos com a aprendizagem e avaliação online.

 

Triangulação entre avaliação, metodologia e tecnologia

Gostaria de destacar o conceito de triangulação entre avaliação, metodologia e tecnologia. A avaliação deverá espelhar a metodologia de ensino e aprendizagem e ambas são indissociáveis. A tecnologia deverá estar ao serviço da pedagogia, logo alinhada com as práticas metodológicas e avaliativas apresentando intencionalidade pedagógica.

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Avaliação formativa e feedback adaptativo


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O apoio da tecnologia nas atividades avaliativas será uma mais-valia se utilizada para uma avaliação formativa centrada no percurso e na aquisição de competências. Uma avaliação formativa e um feedback adequados ao longo de todo o processo promove a autonomia e facilita a autorregulação por parte do aprendente, assim como permite ao professor reajustar a sua prática em função das necessidades dos alunos (Morgado et al. 2022). Cardoso e Narciss (como citado em Morgado et al. 2022) partilham da ideia de que um feedback adequado é essencial.

 

Produzido em StoryBoard

 

Ainda estamos mudando ou chegamos lá?

Na relação que fui desenvolvendo com o livro e no diálogo quase humano estabelecido, senti a última frase do capítulo 1 como se direcionada especialmente para mim, como se o livro aguardasse a minha resposta. Considero que ainda estamos mudando. A nível do ensino regular, realidade que eu conheço, muitos professores têm receio de sair da sua zona de conforto e segurança. Através de uma avaliação sumativa baseada em testes estruturados, sendo mais objetiva, torna-se mais fácil a atribuição de classificações quantitativas. A exigência de uma avaliação quantitativa e de realização de exames nacionais para o acesso ao ensino superior, delimita as opções de práticas avaliativas alternativas, especialmente nas ciências exatas. Não obstante, com a evolução da IA, a forma tradicional de avaliar terá de ser repensada. Para chegarmos lá serão necessários grandes ajustes políticos e institucionais, assim como um investimento na formação de professores


Os princípios da educação de adultos e os princípios da educação básica e secundária

A obra de Conrad & Openo tem o seu foco no ensino superior. Não obstante, senti sempre a necessidade de estabelecer paralelos através do filtro da minha prática profissional de professora do ensino básico e secundário e do desenvolvimento de projetos eTwinning.

Esta reflexão leva-me a sugerir que a base de um ensino e aprendizagem de qualidade – presencial ou a distância, de adultos ou alunos mais jovens - é a metodologia e a intencionalidade pedagógica. A educação para o desenvolvimento de competências como a flexibilidade, resiliência e adaptabilidade são imprescindíveis para capacitar os indivíduos para um Mundo em constante mutação que diariamente nos surpreende pela sua imprevisibilidade. Assim sendo, os objetivos educacionais da educação de adultos e do ensino a distância (EaD) estão alinhados com o que se pretende da educação geral.

 

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As técnicas para motivar os aprendentes adultos são essenciais para motivar todos os alunos do ensino básico e secundário, onde cada vez mais se privilegiam as metodologias ativas, com uma forte vertente colaborativa. Metodologias como a Aprendizagem Baseada em Projetos (ex. projetos eTwinning) promovem não só a aquisição de conteúdos em contexto real, mas também desenvolvem competências essenciais para a vida.

PALAHICKY, 2017 (como citado em Conrad e Openo, 2019), refere que um dos problemas da aprendizagem online entre os alunos mais jovens é a falta de maturidade. Se efetivamente se comprova a falta de maturidade dos alunos mais jovens, a escola não deverá promover o desenvolvimento da maturidade, autonomia e responsabilidade através de metodologias promotoras do trabalho colaborativo e desenvolvimento de competências?

Ou deverá a escola, com base na potencial falta de maturidade dos alunos, limitar-se a estratégias menos desafiantes?

Se para os adultos, considerados maduros, é importante um sentido de propósito, mais relevante será para os aprendentes mais jovens, com mais tendência para questionar muitas das atividades que lhes são propostas.

Ao longo da minha prática letiva como professora do ensino básico e secundário, muitos alunos me questionaram “para quê precisamos saber/fazer isso?”.

Assim sendo, a aprendizagem com propósito não é exclusiva da educação de adultos, devendo desde a educação básica ser promovida uma aprendizagem em contexto e com propósitos reais.

 

Considerações Finais

Estamos perante uma obra que aborda a avaliação no âmbito da educação de adultos e do EaD. Contudo, verifica-se um paralelismo com as práticas desenvolvidas no ensino básico e secundário.  

Metodologias como a Aprendizagem Baseada em Projetos e Aprendizagem Baseada em Problemas desenvolvem, desde tenra idade, competências cognitivas essenciais.

Atividades no âmbito da Programação e Robótica são desenvolvidas em educação pré-escolar e 1º ciclo, promovendo o pensamento computacional em idade precoce.

Os projetos eTwinning desenvolvidos com recurso a uma plataforma europeia, tendo como principal objetivo o desenvolvimento de projetos colaborativos entre professores e alunos de diversos países, com recurso ao digital são implementados desde a educação pré-escolar. A metodologia subjacente é a Aprendizagem Baseada em Projetos, de cariz socio-construtivista, devendo os alunos desenvolver atividades colaborativas para a criação de um produto final comum. As atividades, interdisciplinares, integradas no currículo e implementadas nas diversas salas de aula em regime presencial, interligam-se com uma vertente online é desenvolvida através da plataforma eTwinning, em colaboração com os parceiros internacionais. À semelhança da educação de adultos, o professor deverá ser um facilitador, criando condições para que os alunos possam envolver-se ativamente na construção da sua aprendizagem. Desta forma, os alunos não só adquirem os conteúdos curriculares em contextos reais, como desenvolvem competências como a criatividade, espírito crítico, empatia, autonomia e responsabilidade.

Ainda assim, e indo ao encontro da ideia de “que o método de descoberta de buscar soluções não é universalmente útil nem aplicável.”, (Stanford History Education Group, citado em Conrad e Openo, 2019), considero que deverá haver um equilíbrio e flexibilidade, cabendo ao professor analisar e adaptar o método ao seu grupo de aprendentes, sejam eles adultos ou crianças.

Independentemente de todas as reflexões, considero que as aprendizagens em idade precoce poderão ser mais significativas promovendo um maior impacto a longo prazo.

 

Referências

Conrad, D., & Openo, J. (2019). Estratégias de avaliação para a aprendizagem online (J. Mattar, D. W. A. Duarte, C. C. de Lima, & J. da Silva Nunes, Trads.). Artesanato Educacional. https://read.aupress.ca/projects/assessment-strategies-for-online-learning/resource/portuguese-translation-estrategias-de-avaliacao-para-aprendizagem-online

Morgado, L., Aires, M.L., Seabra, F., Paz, J. Rocha, A. (2022). Formação Avançada integrada no LE@D 2021-2022, LE@D, Universidade Aberta. https://doi.org/10.34627/leadf.2022.5

sábado, 2 de maio de 2026

Avaliação em Contextos de Elearning - Sessão Síncrona

 by Laura Silva Maria

Realizou-se no dia 13 de abril de 2026 a primeira sessão síncrona no âmbito da unidade curricular (UC) de Avaliação em Contextos de Elearning, integrada no Mestrado de Pedagoga do eLearning.

A sessão foi dirigida pelas professoras Lúcia Amante e Elizabeth Souza e estiveram presentes os estudantes inscritos nesta UC.


Esta sessão teve como objetivos a apresentação das professoras e dos estudantes, assim como fazer um balanço das atividades desenvolvidas no âmbito do tema 1 – estado da arte da avaliação em e-learning - e esclarecimento de dúvidas sobre as atividades em curso – tema 2 - a avaliação na educação online.

As professoras abordaram a questão da utilização da inteligência artificial (IA) no decurso dos trabalhos da UC, reforçando a necessidade de haver uma abordagem crítica, ética e responsável e que potencie a qualidade das aprendizagens. Não deverá ser delegada na IA a realização de tarefas, mas a mesma deverá ser incluída como apoio na melhoria do nosso desempenho. Torna-se cada vez mais imperativo em contexto académico que seja registado o tipo de utilização feita da IA, de forma a garantir a sua utilização transparente e ética.

No que respeita à avaliação em contextos de e-learning foram debatidos os conceitos de autoavaliação, avaliação por pares e a o alinhamento da avaliação com a metodologia de ensino e aprendizagem.

Uma mudança de paradigma da avaliação prevê que a mesma seja feita não só pelo outro, mas por nós próprios no sentido de promover a autorregulação. No âmbito desta UC teremos a possibilidade de pensarmos sobre a nossa própria avaliação como processo de autorregulação, assim como iremos desenvolver avaliação por pares. Ao aplicarmos, na prática, conceitos que estamos a estudar, estaremos a desenvolver aprendizagens verdadeiramente significativas e em contexto.

A avaliação deverá espelhar as práticas de ensino e aprendizagem. Devemos avaliar da mesma forma como ensinamos. No ensino regular, ainda nos deparamos com alguns desafios neste sentido. Os professores do ensino regular, especialmente no ensino secundário, apresentam alguma dificuldade em desenvolver metodologias ativas e colaborativas centradas no desenvolvimento de competências, uma vez que são direcionados para uma avaliação classificativa que deverá culminar em exames nacionais cujos resultados são decisivos para o acesso ao ensino superior.  Neste alinhamento, não poderemos mudar as práticas letivas enquanto não houver mudança de práticas avaliativas. Uma mudança de paradigma dessa ordem carece de vontade política, sendo necessário uma restruturação que não depende dos professores, nem das escolas.

No seguimento desta discussão, a professora Elizabeth Souza acrescentou tratar-se de uma área que, devido à sua complexidade, carece de investigação científica a nível macro, sendo necessário um maior envolvimento político.

Como doutoranda na área da avaliação, deixou o convite aos estudantes presentes no sentido de equacionarem desenvolver investigação sobre esta temática.


sexta-feira, 1 de maio de 2026

Ambientes Pessoais de Aprendizagem - Personal Learning Environments (PLE)

 by Laura Silva Maria

O Tema 2 da UC de Processos Pedagógicos em eLearning, sob a orientação da Professora Maribel Pinto, prende-se com os Ambientes Pessoais de Aprendizagem. Após elaborarmos um texto de reflexão sobre o conceito de Personal Learning Environment (PLE), fomos desafiados a desenvolver o nosso próprio PLE.

A disposição do meu PLE exemplifica bem como estes espaços não representam imposições institucionais, mas devem evidenciar ambientes dinâmicos e criados autonomamente em alinhamento com as necessidades individuais do aprendente (Pinto, 2015).

 



Fazendo um paralelismo com o que Roy Ascott (como citado em Levy, 2000), denomina como o “segundo dilúvio” o meu PLE aparenta uma inundação de informação desordenada e caótica, com as suas inúmeras fontes, ligadas entre si.

Não obstante, o meu PLE representa igualmente a criação de nós de redes de aprendizagem a distância “anywhere, anytime” (Pinto, 2015, p. 6684).

A ubiquidade do acesso à tecnologia está representada pelos dispositivos móveis -computador portátil e telemóvel- assim como a facilidade com que, com a evolução das ferramentas da Web 2.0, agregamos todos estes nós numa infografia de apenas uma página. O alinhamento com as minhas necessidades individuais está garantido, uma vez que me encontro em posição de observar toda a rede de interação e de a mobilizar através dos dispositivos que tenho ao meu alcance.

De salientar que o centro da rede é a pedagogia – simbolizada por colaboração, pesquisa, criação, organização, comunicação e publicação – ilustrando o núcleo desta rede de interação. A tecnologia rodeia a pedagogia de forma dispersa, devendo ser utilizada com intencionalidade pedagogica. Neste sentido, e de forma a ir ao encontro do dilúvio de informação, a seleção será feita de forma criteriosa e com sentido critico e analítico. 

As minhas áreas de interesse – trabalho, educação, formação, projetos, lazer – abraçam toda a rede, dando consistência e conetividade à mesma, uma vez que é através delas que defino a tecnologia a utilizar e com que finalidade. Assim sendo, apresento uma triangulação entre as áreas de interesse, a tecnologia e a pedagogia.

Associar as ferramentas a domínios específicos seria redutor, uma vez que existem múltiplos nós interativos de várias dimensões entre áreas de interesse, ferramentas e domínios, havendo várias relações de reciprocidade simbolizadas por diversas setas. Por um lado, utilizo ferramentas como o Whatsapp, Facebook e Instagram tanto para lazer, como para trabalho, estudo e projetos. Por outro lado, ferramentas como Genially, Padlet e Kahoot podem ter a finalidade de criar, colaborar ou partilhar como conteúdo aberto.

Em suma, indo ao encontro de Wilson et al. (como citado em Mota, 2009), o meu PLE apresenta coordenação das conexões, relações simétricas, contexto individualizado, boa interoperabilidade, cultura de conteúdos abertos e de remistura no âmbito pessoal e global.

 

Lévy, P. (2000). Cibercultura Instituto Piaget

Mota, J. C. (2009. Personal Learning Environments: Contributos para uma discussão do conceito. EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO & TECNOLOGIAS2(2), 5–21. Obtido de https://eft.educom.pt/index.php/eft/article/view/54

Pinto, M. (2015). Pedagogical potential of personal learning environments in higher education in sapo campus platform. EDULEARN15 Conference. https://library.iated.org/view/PINTO2015PED

 

 

Abordagens Pedagógicas em eLearning - O Papel do Professor em Contexto Online

 by Laura Silva Maria

Aceda ao vídeo de apresentação do grupo


No âmbito da UC de Processos Pedagógicos em e-Learning, sob orientação da professora Maribel Pinto desenvolvemos a atividade relativa ao Tema 1 - Pedagogia do e-learning.

O Grupo Turquesa, composto por Ana Isa Sousa, Carla Miranda, Laura Silva Maria, Marta Coutinho e Paula Bugalho, redigiu uma reflexão conjunta sobre abordagens pedagógicas em e-learning e o papel do professor em contexto online. No seguimento, o grupo criou um Padlet colaborativo, onde estas temáticas foram apresentadas e também debatidas com os restantes colegas. O grupo optou por apresentar as suas reflexões num hemisfério, tendo as mesmas sido distribuídas geograficamente consoante a localização dos autores referenciados.



Outros grupos apresentaram Padlets de diferentes formatos, tendo esta atividade resultado numa interessante interação entre todos os estudantes assim como numa riquíssima partilha de conhecimentos.

  

 Aceda ao Padlet do Grupo Turquesa





segunda-feira, 6 de abril de 2026

Avaliação em Contextos de eLearning - Estado da Arte

 by Laura S. Maria

Considero a temática da Avaliação em Contextos de eLearning muito pertinente, especialmente com os novos desafios apresentados pela Inteligência Artificial (IA). Muito se tem falado de metodologias ativas, centradas no aluno e promotoras do trabalho colaborativo e desenvolvimento de competências. Será que as atividades avaliativas têm acompanhado este novo paradigma na educação?

É imperativo refletirmos de forma cuidada e consciente sobre esta temática, devendo a avaliação espelhar as atividades desenvolvidas no âmbito do processo de ensino e aprendizagem.

A primeira atividade da unidade curricular de Avaliação em Contextos de eLearning foi dedicada à exploração do estado da arte da avaliação em eLearning. A utilização da IA como ponto de partida para a exploração deste tópico - numa vertente metacognitiva - e a comparação das respostas com fontes científicas fidedignas,  possibilitou não só uma compreensão do estado da arte, mas também a utilização crítica e criativa da IA.  

Genericamente, a IA identificou uma mudança de paradigma nos processos avaliativos online – de uma avaliação centrada em instrumentos de avaliação de respostas fechadas para atividades avaliativas alinhadas com o sócio-construtivismo, como instrumentos de avaliação de competências, portefólios e fóruns de discussão.

Não obstante, as respostas da IA apresentaram-se limitadas e generalizadas, sendo necessário um aprofundamento da temática recorrendo a leitura científica.

Nesta linha, a IA poderá ser uma opção adequada como ponto de partida para uma pesquisa, sendo que, a informação terá sempre de ser aprofundada e cientificamente corroborada por meio de literatura validada.




Como sugestão de leitura deixaria o estudo de Souza & Amante (2019), subjacente ao modelo PrACT, que descreve a centralidade da autenticidade avaliativa, nomeadamente a similitude com contextos reais, a complexidade cognitiva e a significância das tarefas avaliativas no âmbito de um curso profissional ministrado a distância.

Souza, E. B., Amante, L. (2019). Avaliação Alternativa Digital: o Modelo PrACT aplicado à Educação Profissional, In A. J. Osório, M. J. Gomes, A. J. Valente, (Atas da XI Conferência Internacional de Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação – Challenges 2019, pp. 1097-1112. Braga: Universidade do Minho. 

http://hdl.handle.net/10400.2/10361 

domingo, 29 de março de 2026

Os Ecossistemas de Educação Digital e a Plataforma eTwinning

 by Laura Silva Maria

Para entendermos o conceito de ecossistema de educação digital, não podemos deixar de ter presente toda uma evolução filosófica e sociológica resultante da revolução informacional no final do século XX, que fomentou o desenvolvimento de uma sociedade em rede com conectividade global (Castells, 1999). Não obstante, em termos conceptuais, atualmente verificamos uma evolução significativa do que é um ecossistema de educação digital face à sociedade em rede do final do século XX.

Pretendo com este artigo fazer uma reflexão comparativa sobre a forma como a plataforma eTwinning reflete alguns ideais de autores como Bauman, Floridi, Latour, Moreira, Novak, Requena e Santaella.

Os projetos eTwinning são desenvolvidos numa plataforma online europeia, fechada e segura. Estão integradas na comunidade eTwinning escolas de 46 países que desenvolvem projetos escolares colaborativos com recurso ao digital. Alinhado com o conceito de educação analógico-digital (Moreira&Trindade, 2019), os projetos eTwinning são desenvolvidos em sala de aula, podendo integrar atividades “tradicionais” com metodologias ativas e inovadoras, com recurso a uma plataforma digital. A metodologia preponderante subjacente aos projetos eTwinning é a metodologia baseada em projetos, que promove o desenvolvimento de competências-chave para preparar indivíduos para o mercado de trabalho global.

Indo ao encontro do conceito de infoesfera, (Floridi, citado em Moreira, 2025), passou-se do ensino centrado no professor a aprendizagem com foco no aluno, em relação com outros alunos em outros países, fora do espaço físico da aula. Do trabalho colaborativo internacional desenvolvido na plataforma eTwinning, resulta a co-construção de conhecimento coletivo (Bauman, citado em Moreira, 2025). Ainda alinhado com os ideais de Floridi (citado em Moreira, 2025), a plataforma eTwinning promove a privacidade e respeito dos alunos, sendo todo o trabalho desenvolvido em consonância com o Regulamento Geral de Proteção de Dados.

Coerente com a ideia de educação híbrida no sentido de Latour (citado em Moreira, 2025), que transpõe as fronteiras da sala de aula formal, o eTwinning abra a sala de aula ao mundo, fomentando competências interculturais.  Identifica-se aqui um certo paralelismo com a arquitetura líquida de Marcos Novak (citado em Moreira, 2025) que prevê a substituição da sala de aula física por um ecossistema digital mais abrangente.

A aprendizagem líquida defendida por Bauman (citado em Moreira, 2025) está bem patente nos projetos eTwinning.  Os alunos não só adquirem os conteúdos em contextos reais, mas também desenvolvem competências como a comunicação, colaboração, espírito criativo e analítico, responsabilidade e resiliência numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida. Desta forma estaremos a preparar indivíduos capazes de serem bem-sucedidos numa sociedade moderna marcada pela instabilidade, devendo estar aptos a adaptarem-se à mutabilidade dos percursos educativos e profissionais (Bauman, citado em Moreira, 2025).

Requena (citado em Moreira, 2025) vai mais além quando refere a co-autoria da aprendizagem, considerando que o ambiente de um espaço educativo afetuoso integra essa mesma co-autoria.  Este ideal está perfeitamente alinhado com a metodologia eTwinning, sendo que as parcerias internacionais e o trabalho colaborativo promovem a empatia e relações afetivas duradouras.

 

Os habitantes das ecologias de aprendizagem e os projetos eTwinning

Para autores como Floridi, Bauman, Latour e Santaella (citados em Moreira, 2025) os habitantes das ecologias de aprendizagem não são apenas elementos humanos, mas todos os elementos que integram a rede, sendo participantes ativos no processo educativo, incluindo os dispositivos móveis, assistentes virtuais e sistemas de inteligência artificial.

No que concerne à plataforma eTwinning, o acesso é restrito e seguro, não permitindo aos alunos navegar por “espaços” cujo acesso é mediado por algoritmos e que utilizam sistemas que influenciam a que conteúdos os alunos têm acesso. Embora os assistentes virtuais e sistemas de inteligência artificial não sejam partes integrantes da plataforma eTwinning, o seu desenvolvimento fora da plataforma e posterior integração na mesma é viável e encorajada se devidamente acompanhada pelo professor. Assim sendo, o professor deverá orientar os alunos no sentido de desenvolverem as literacias necessárias que lhes permitam fazer uma análise crítica, ética e responsável da inteligência artificial para a criação dos produtos a integrar nos projetos eTwinning.

 

Conclusão e desafios

Refletindo sobre os projetos eTwinning à luz dos ideais dos diversos autores citados, podemos concluir que “Os ecossistemas educativos digitais não podem, nem devem ser concebidos apenas como plataformas tecnológicas, mas como espaços híbridos que acolhem a complexidade emocional, social e cultural dos seus habitantes (professores e estudantes).” (Moreira, 2025, p.17).

É inegável o esforço a nível das políticas europeias na promoção de uma aprendizagem digital inclusiva e de qualidade com a implementação do Plano de Ação para a Educação Digital (Comissão Europeia, 2020). Contudo, na prática letiva atual, ainda nos deparamos com alguns desafios que carecem de atenção e que deixo para reflexão:

-Dificuldade de alguns professores em se “libertarem” de um ensino tradicional, expositivo e centrado no professor;

-Falta de formação de professores adequada a nível tecnológico e metodológico;

-Falta de envolvimento das estruturas institucionais – direções das escolas, sendo fulcral um reforço no desenvolvimento de estratégias institucionais relativas à utilização prática e sustentada de ecossistemas de educação digital.

 

Referências

Castells, M. (1999). A era da informação: Economia, sociedade e cultura: Vol. I. A sociedade em rede (2ªed.). Paz e Terra

Comissão Europeia. (2020). Plano de Ação para a Educação Digital 2021-2027: Reconfigurar a educação e a formação para a era digital (COM/2020/624 final).

E-Rede-UAb. (2019, 31 de outubro). [METODOLOGIAS ATIVAS] #2 Era Híbrida e Educação Disruptiva: António Moreira e Sara Dias-Trindade [Vídeo]. YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=z3q5sbjifZA

Moreira, J. A. (2025). Novos Ecossistemas de Aprendizagem nos Territórios Híbridos da Noosfera . Santo Tirso: Whitebooks.