domingo, 7 de dezembro de 2025

Autenticidade e Transparência na Rede

by Laura Silva Maria

A solidão da popularidade no digital e o síndroma de FOMO – o medo de ficar de fora


Imagem criada por IA em Canva

O tema da autenticidade e transparência na rede no âmbito da UC Educação e Sociedade em Rede permitiu-me refletir de forma mais ponderada sobre as consequências do desenvolvimento tecnológico, à luz dos pensadores Jean Baudrillard e Paul Virilio.

Ambos os autores apresentam ideias convergentes no que respeita à perceção da realidade e da autenticidade em consequência do desenvolvimento tecnológico, pós-industrial. Contudo, apresentam divergências na forma como se perde a noção de realidade e autenticidade.

Para Baudrillard, no mundo hiper-real derivado da transformação tecnológica, a autenticidade e a transparência deixam de ter significado. A autenticidade desaparece quando as representações do real - simulacros - se tornam mais reais do que o real. É assim que, segundo Baudrillard, o indivíduo com as suas múltiplas identidades perde a noção da verdadeira identidade.

Virilio, por outro lado, defende que o que nos faz perder a perceção da autenticidade é a velocidade perigosa – dromologia – com que excessiva quantidade e variedade de informação é difundida. Os “acidentes” decorrentes da velocidade inerente ao progresso tecnológico são a contrapartida negativa. Quanto mais informação, mais desinformação, deep fake e outras simulações criadas por IA. Quanto mais progresso, maior a perda de autenticidade e da orientação nas relações que mantemos com o que nos rodeia.

FOMO – Fear OF Missing Out – um síndroma do século XXI

Vivemos rodeados de estímulos excessivos que nos chegam através de diversos meios a uma velocidade que dificilmente conseguimos acompanhar. Sentimos nos jovens, e também nos menos jovens, a ansiedade associada ao síndroma FOMO – o medo de não conseguir acompanhar e assim, ficar de fora, ser excluído. Quanto mais estes indivíduos acompanham as redes sociais, mais medo têm de perder alguma informação, tornando-se um vício difícil de contornar, perdendo-se neste turbilhão. Os indivíduos solitários e com baixa auto-estima parecem procurar conforto e aceitação nas redes sociais, estando mais vulneráveis ao FOMO, que, consequentemente, acentua a probabilidade de ansiedade e depressão.  Vive-se o mundo das redes sociais como um mundo de faz de conta, onde a aparência ilude a autenticidade e a transparência se desvanece, porque nada é o que parece.

 O desenvolvimento tecnológico e as relações humanas

O desenvolvimento tecnológico influenciou fortemente as relações humanas. Na superficialidade dos relacionamento humanos nas redes sociais, a reflexão crítica e ponderada foi substituida pelo Já-instantâneo e irrefletido, referido por Virilio. A falta de reflexão profunda originada pela pressa e a necessidade do imediato não permitem distinguir o que é autêntico e transparente do que é informação falsa e manipulada.

O ser humano tem de parar, tem de desligar, tem de se permitir tempo para o pensamento individual profundo, essencial para refletir de forma crítica e autêntica. Só assim conseguiremos compreender quem somos e quem queremos ser, mantendo a autenticidade e a transparência e escapando à solidão da popularidade nas redes sociais.

Imagem criada por IA em Canva


Laura Silva Maria
mPeL

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