by Laura Silva Maria
Reflexão de uma Experiência de Aprendizagem
A viagem pela Avaliação em
Contextos de eLearning foi muito enriquecedora, com temáticas pertinentes
que despertaram o meu interesse desde o início. Os novos desafios colocados
pela Inteligência Artificial (IA) ditaram uma mudança de paradigma no processo
de ensino e aprendizagem e, concomitantemente, nos processos avaliativos.
A unidade curricular (UC), da
responsabilidade das professoras Lúcia Amante e Elizabeth Souza, apresentou um contrato
de aprendizagem exigente, mas muito bem estruturado, facilitando a organização
do trabalho ao longo do semestre.
Os conceitos teóricos abordados ao
longo da UC foram de extrema utilidade na definição de um plano de avaliação de
um módulo de formação em contexto de e-learning, que constituiu o trabalho
final da unidade curricular.
A abordagem metodológica foi
essencialmente assíncrona em linha com os pressupostos da Universidade Aberta.
Contudo, registaram-se alguns momentos síncronos que considerei particularmente
relevantes por facilitarem uma proximidade com as professoras, fundamental para
nos sentirmos acompanhados e inseridos numa turma real. A monitorização realizada
pelas professoras, via fórum e email, potenciou esse sentimento de pertença.
A autoavaliação e a avaliação por pares,
após cada atividade, com base em critérios e rubricas previamente definidos permitiu-me
refletir sobre o desempenho dos colegas e sobre o meu próprio desempenho, autorregular-me
e compreender onde posso melhorar.
A possibilidade de trabalhar sozinha,
a pares e em grupo enriqueceu o resultado dos trabalhos realizados. Ademais, o
trabalho colaborativo desafiou-nos a ser mais flexíveis, empáticos e
responsáveis, aprofundando as nossas competências de cooperação, adaptabilidade
e respeito pelo outro.
A atividade
1 – o estado da arte da avaliação em eLearning –
apresentou-se-nos como uma primeira abordagem ao desenvolvimento de um trabalho
académico em coautoria com a IA, uma experiência inédita para mim e muito enriquecedora
por permitir desmistificar a utilização da IA em trabalhos académicos.
Recorrer
a ferramentas de IA para realizar uma pesquisa e comparar criticamente os
resultados obtidos com as fontes originais é uma forma sublime de desenvolver a
análise crítica da informação produzida pela IA e, ainda assim, efetuar a
leitura cuidada da literatura científica original. Perante a dificuldade observada
em contexto de ensino básico e secundário quanto a uma utilização responsável e
ética da IA, esta é uma atividade que se adequa a esse contexto, promovendo o
espírito crítico.
Apreciei
particularmente a atividade 2 - a avaliação na educação online – baseada
na leitura colaborativa da obra Estratégias de avaliação para a aprendizagem
online, de Conrad e Openo (2019) com recurso à ferramenta Perusall.
A leitura conjunta da obra no Perusall conferiu uma dinâmica de comunicação,
colaboração e pertença à atividade sendo o resultado – o guia – o culminar
de um verdadeiro esforço comum.
A divisão dos capítulos da obra de
Conrad e Openo pelos estudantes possibilitou-nos, com espírito de entreajuda,
apreender os conteúdos da obra na íntegra. A interação com os comentários dos
colegas foi igualmente enriquecedora e despoletou reflexões mais profundas.
Fazendo um paralelismo com a Aprendizagem
Baseada em Projetos e o desenvolvimento de projetos eTwinning, temática
que pretendo abordar na minha dissertação no segundo ano de mestrado, esta
atividade promoveu o trabalho colaborativo entre os estudantes através da criação
de um produto final comum – o guia. A professora, enquanto facilitadora, criou
as condições para que os estudantes se envolvessem ativamente na construção da
sua própria aprendizagem promovendo competências
como a criatividade, o espírito crítico, a empatia, a autonomia e a responsabilidade.
A tecnologia – Perusall – foi utilizada com um propósito, estando ao
serviço da pedagogia.
Na atividade 3 – inteligência artificial
e práticas de avaliação – demos continuidade ao trabalho em coautoria com a IA na escrita de um
ensaio, o que permitiu aprofundar a reflexão sobre a utilização responsável da IA
na avaliação em contexto académico.
A necessidade de descrever o papel
assumido pela IA no processo de coautoria, contribuiu para uma
consciencialização mais profunda sobre a sua utilização ética e responsável, forçando-me
a adotar medidas conscientes de forma a não comprometer a autenticidade e a
autoria do trabalho, garantindo a integridade académica e a transparência.
Importa sublinhar a importância do feedback
exaustivo e transparente, ancorado em critérios e numa rubrica, facultado pela
professora. Teria sido benéfica a disponibilização prévia da rubrica, uma vez
que algumas das lacunas do meu trabalho poderiam ter sido corrigidas
atempadamente. Ainda assim, o feedback permitiu-me compreender as fragilidades do
meu trabalho, possibilitando elaborar uma reflexão autorreguladora que foi
publicada no diário de bordo – blogue.
A atividade 4 – desenho de avaliação
na educação online –
permitiu aplicar as aprendizagens e os conceitos adquiridos ao longo do semestre,
traduzindo-se numa atividade altamente pertinente e realizada com intencionalidade
pedagógica. Permitiu articular aprendizagens e atividades realizadas noutras unidades
curriculares, resultando num produto replicável na minha prática profissional.
Conclusão
As aprendizagens adquiridas
revelaram-se extremamente significativas, uma vez que tenciono, no segundo ano
do mestrado, desenvolver um projeto de formação online.
A maior dificuldade ao longo deste
semestre esteve associada à elevada exigência no âmbito das diversas UCs do
mestrado, tendo como resultado a entrega de alguns trabalhos que careciam de
mais atenção. Além disso, o elevado fluxo de comentários nos fóruns tornou-se difícil
de acompanhar, nem sempre sendo fácil apresentar contributos não repetitivos.
Em suma, poderá referir-se que a UC
de Avaliação em Contextos de eLearning apresenta cenários de avaliação reais, alinhados
com a dimensão da praticabilidade, nomeadamente na vertente da sustentabilidade,
preconizada pelo modelo PrACT (Amante & Oliveira, 2019), sendo os processos
avaliativos estudados passíveis de serem implementados na minha prática
profissional como formadora de professores e professora do ensino básico e
secundário.
O valor significativo e a autenticidade
das aprendizagens prendem-se com a replicabilidade das atividades desenvolvidas,
não apenas no contexto da minha atividade profissional, mas também no âmbito do
projeto a desenvolver no segundo ano de mestrado.
De salientar a vertente metacognitiva
da UC, uma vez que a própria metodologia foi exemplificativa dos conceitos
estudados. Esta UC permitiu-me capacitar para compreender e implementar um novo
paradigma avaliativo, envolvendo os alunos e os formandos como participantes ativos
e privilegiando a cultura da avaliação em detrimento da cultura do teste.
Referências
Amante, L.,
& Oliveira, I. (2019). Avaliação e feedback: Desafios atuais. Universidade
Aberta. http://hdl.handle.net/10400.2/8419


