by Laura Silva Maria
O novo paradigma da educação OnLIFE (Schlemmer et al., 2023) emergente no
terceiro milénio resulta de uma evolução tecnológica que tem os seus primórdios
na revolução informacional no final do
século XX, com consequentes redes interativas que foram propulsoras de uma
sociedade em rede com conectividade a nível global (Castells, 1999). A excessiva
variedade e quantidade de informação difundida implicaria desenvolver nos
indivíduos uma capacidade analítica e crítica que viabilizasse a seleção da
informação e diferenciação da desinformação. Neste novo paradigma educativo
privilegiam-se metodologias ativas centradas no aprendente com forte vertente
colaborativa. No seguimento desta contextualização, gostaria de
aprofundar a seguinte questão:
Como formar sujeitos verdadeiramente autónomos em ecossistemas digitais cada vez mais imersivos, preditivos e emocionalmente persuasivos?
“pensar para além de uma
perspectiva adaptativa, específica de cada inteligência; naquilo que se produz
no coengrendramento, num processo de cocriação, de “fazer com” e que, portanto,
refere a transformação de ambos (cotransformação). E, mais ainda, num possível
“terceiro” que emerja nesse/desse hibridismo, ou seja, não somente cocriação e
cotransformação, mas a invenção de algo que antes não existia”. (Schlemmer et
al., 2023, p. 63).
Indago se, à luz do entendimento tridimensional da imersão apresentado
por Morgado (2022), poderá ocorrer aprendizagem por imersão pela ação ou pela
narrativa em alunos absortos em uma atividade estrategicamente planeada, sem que
para isso se tenha de recorrer à tecnologia – imersão pelo sistema.
O novo paradigma da educação OnLIFE veio acrescentar a vertente
transorgânica dos atos conectivos a uma aprendizagem inventiva, sendo que neste
paradigma as hiperinteligências e a aprendizagem inventiva resultam de uma
ecologia conectiva de redes de humanos e entidades não humanas.
Pretendo com esta problematização revalidar a ideia de que a essência
é a pedagogia, sendo que a tecnologia é apenas um meio para a alcançar.
Os metaversos na educação
Imagem gerada por IA no Canva
“Vislumbra-se a possibilidade de o metaverso vir a ser a nova geração das redes sociais. Mas esse retorno veio acompanhado de desinformações, confusões conceituais e falsas promessas” (Tori, 2023, p.53).
Independentente da minha exposição no ponto anterior, não podia estar mais de acordo com Romero Tori. Os metaversos apresentam grande potencial a nível educacional, podendo fomentar aprendizagens de alto impacto, através da imersão, do envolvimento e da interatividade. As vertentes da Construção e da Ludicidade apresentadas por Tori (2023) facilitam o envolvimento dos alunos na construção ativa e modificação do ambiente, incorporando estratégias de gamificação, promovendo o desenvolvimento de competências essenciais.
Reitera-se a questão da intencionalidade pedagógica e da metodologia que se pretende aplicar e da adequabilidade destes meios ao propósito.
Os metaversos poderão ser particularmente pertinentes em simulações de situações de alto risco, onde a experiência direta é difícil, cara, perigosa ou eticamente limitada.
Castells, M. (1999). A era da informação:
Economia, sociedade e cultura: Vol. I. A sociedade em rede (2ªed.). Paz e
Terra
Kukulska-Hulme, A., Wise, A. F., Coughlan,
T., Biswas, G., Bossu, C., Burriss, S. K., Charitonos, K., Crossley, S. A.,
Enyedy, N., Ferguson, R., FitzGerald, E., Gaved, M., Herodotou, C., Hundley,
M., McTamaney, C., Molvig, O., Pendergrass, E., Ramey, L., Sargent, J., ... Whitelock,
D. (2024). Innovating Pedagogy 2024: Open University Innovation
Report 12. The Open
University. https://oro.open.ac.uk/99053/
Morgado, L. (2022). Ambientes de Aprendizagem Imersivos. Video Journal of Social and Human
Research, 1(2), 102-116. https://doi.org/10.18817/ vjshr.v1i2.32
Schlemmer, E., Di Felice, M., & Accoto, C. (2023). Depois da
inteligência artificial. Cadernos IHU Ideias, 21(348).
Instituto Humanitas Unisinos.
Tori, R. (2023). Metaversos na Educação: conceitos e possibilidades. Video Journal of Social and Human
Research, 2(1), 53-66. https://doi.org/10.18817/ vjshr.v2i1.25



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