quarta-feira, 15 de julho de 2026

Avaliação em Contextos de eLearning

 by Laura Silva Maria

Reflexão de uma Experiência de Aprendizagem

criado por ChatGPT


A viagem pela Avaliação em Contextos de eLearning foi muito enriquecedora, com temáticas pertinentes que despertaram o meu interesse desde o início. Os novos desafios colocados pela Inteligência Artificial (IA) ditaram uma mudança de paradigma no processo de ensino e aprendizagem e, concomitantemente, nos processos avaliativos. 

A unidade curricular (UC), da responsabilidade das professoras Lúcia Amante e Elizabeth Souza, apresentou um contrato de aprendizagem exigente, mas muito bem estruturado, facilitando a organização do trabalho ao longo do semestre. 

Os conceitos teóricos abordados ao longo da UC foram de extrema utilidade na definição de um plano de avaliação de um módulo de formação em contexto de e-learning, que constituiu o trabalho final da unidade curricular.

A abordagem metodológica foi essencialmente assíncrona em linha com os pressupostos da Universidade Aberta. Contudo, registaram-se alguns momentos síncronos que considerei particularmente relevantes por facilitarem uma proximidade com as professoras, fundamental para nos sentirmos acompanhados e inseridos numa turma real. A monitorização realizada pelas professoras, via fórum e email, potenciou esse sentimento de pertença.

A autoavaliação e a avaliação por pares, após cada atividade, com base em critérios e rubricas previamente definidos permitiu-me refletir sobre o desempenho dos colegas e sobre o meu próprio desempenho, autorregular-me e compreender onde posso melhorar.

A possibilidade de trabalhar sozinha, a pares e em grupo enriqueceu o resultado dos trabalhos realizados. Ademais, o trabalho colaborativo desafiou-nos a ser mais flexíveis, empáticos e responsáveis, aprofundando as nossas competências de cooperação, adaptabilidade e respeito pelo outro. 

 A atividade 0 - apresentação pelos dados – reforçou a relação de proximidade entre estudantes e professoras por se apresentar como uma atividade informal, divertida e altamente potenciadora da criatividade.  Considero esta atividade um quebra-gelo criativo passível de integrar a minha prática letiva.

A atividade 1 – o estado da arte da avaliação em eLearning – apresentou-se-nos como uma primeira abordagem ao desenvolvimento de um trabalho académico em coautoria com a IA, uma experiência inédita para mim e muito enriquecedora por permitir desmistificar a utilização da IA em trabalhos académicos.

Recorrer a ferramentas de IA para realizar uma pesquisa e comparar criticamente os resultados obtidos com as fontes originais é uma forma sublime de desenvolver a análise crítica da informação produzida pela IA e, ainda assim, efetuar a leitura cuidada da literatura científica original. Perante a dificuldade observada em contexto de ensino básico e secundário quanto a uma utilização responsável e ética da IA, esta é uma atividade que se adequa a esse contexto, promovendo o espírito crítico.

Apreciei particularmente a atividade 2 - a avaliação na educação online – baseada na leitura colaborativa da obra Estratégias de avaliação para a aprendizagem online, de Conrad e Openo (2019) com recurso à ferramenta Perusall.

A leitura conjunta da obra no Perusall conferiu uma dinâmica de comunicação, colaboração e pertença à atividade sendo o resultado – o guia – o culminar de um verdadeiro esforço comum.

A divisão dos capítulos da obra de Conrad e Openo pelos estudantes possibilitou-nos, com espírito de entreajuda, apreender os conteúdos da obra na íntegra. A interação com os comentários dos colegas foi igualmente enriquecedora e despoletou reflexões mais profundas.

Fazendo um paralelismo com a Aprendizagem Baseada em Projetos e o desenvolvimento de projetos eTwinning, temática que pretendo abordar na minha dissertação no segundo ano de mestrado, esta atividade promoveu o trabalho colaborativo entre os estudantes através da criação de um produto final comum – o guia. A professora, enquanto facilitadora, criou as condições para que os estudantes se envolvessem ativamente na construção da sua própria aprendizagem promovendo competências como a criatividade, o espírito crítico, a empatia, a autonomia e a responsabilidade. A tecnologia – Perusall – foi utilizada com um propósito, estando ao serviço da pedagogia.

Na atividade 3 – inteligência artificial e práticas de avaliação – demos continuidade ao trabalho em coautoria com a IA na escrita de um ensaio, o que permitiu aprofundar a reflexão sobre a utilização responsável da IA na avaliação em contexto académico.

A necessidade de descrever o papel assumido pela IA no processo de coautoria, contribuiu para uma consciencialização mais profunda sobre a sua utilização ética e responsável, forçando-me a adotar medidas conscientes de forma a não comprometer a autenticidade e a autoria do trabalho, garantindo a integridade académica e a transparência.

Importa sublinhar a importância do feedback exaustivo e transparente, ancorado em critérios e numa rubrica, facultado pela professora. Teria sido benéfica a disponibilização prévia da rubrica, uma vez que algumas das lacunas do meu trabalho poderiam ter sido corrigidas atempadamente. Ainda assim, o feedback permitiu-me compreender as fragilidades do meu trabalho, possibilitando elaborar uma reflexão autorreguladora que foi publicada no diário de bordo – blogue.

A atividade 4 – desenho de avaliação na educação online – permitiu aplicar as aprendizagens e os conceitos adquiridos ao longo do semestre, traduzindo-se numa atividade altamente pertinente e realizada com intencionalidade pedagógica. Permitiu articular aprendizagens e atividades realizadas noutras unidades curriculares, resultando num produto replicável na minha prática profissional.   


Conclusão

As aprendizagens adquiridas revelaram-se extremamente significativas, uma vez que tenciono, no segundo ano do mestrado, desenvolver um projeto de formação online.

A maior dificuldade ao longo deste semestre esteve associada à elevada exigência no âmbito das diversas UCs do mestrado, tendo como resultado a entrega de alguns trabalhos que careciam de mais atenção. Além disso, o elevado fluxo de comentários nos fóruns tornou-se difícil de acompanhar, nem sempre sendo fácil apresentar contributos não repetitivos.

Em suma, poderá referir-se que a UC de Avaliação em Contextos de eLearning apresenta cenários de avaliação reais, alinhados com a dimensão da praticabilidade, nomeadamente na vertente da sustentabilidade, preconizada pelo modelo PrACT (Amante & Oliveira, 2019), sendo os processos avaliativos estudados passíveis de serem implementados na minha prática profissional como formadora de professores e professora do ensino básico e secundário.

O valor significativo e a autenticidade das aprendizagens prendem-se com a replicabilidade das atividades desenvolvidas, não apenas no contexto da minha atividade profissional, mas também no âmbito do projeto a desenvolver no segundo ano de mestrado.

De salientar a vertente metacognitiva da UC, uma vez que a própria metodologia foi exemplificativa dos conceitos estudados. Esta UC permitiu-me capacitar para compreender e implementar um novo paradigma avaliativo, envolvendo os alunos e os formandos como participantes ativos e privilegiando a cultura da avaliação em detrimento da cultura do teste.

 

Referências

Amante, L., & Oliveira, I. (2019). Avaliação e feedback: Desafios atuais. Universidade Aberta. http://hdl.handle.net/10400.2/8419


Sem comentários:

Enviar um comentário