quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Estará a Escola preparada para o uso ético da IA?

 by Laura Silva Maria


Imagem criada por IA


As instituições estão realmente preparadas para concretizar, na prática, o uso ético e equilibrado da IA?

Como assegurar que a IA amplie a autonomia e o pensamento crítico dos alunos?

As Escolas estão preparadas para educar cidadãos numa cultura digital em que o aprender com a IA não apague o aprender a pensar?

Como podem as Escolas equilibrar inovação tecnológica com equidade, ética e desenvolvimento humano?
 

Para dar resposta a estas questões gostaria de lançar para reflexão a seguinte ideia de Andrew Scott (s.d.)

 

As machines get better at being machines, humans have to get better at being more human.

 

Paralelamente à evolução da tecnologia e, consequentemente, da IA, registou-se uma crescente necessidade da intervenção humana. A internet e a IA não são infraestruturas meramente técnicas, sendo um espaço de interação social e humana – We are the Web. (Michael Wesch 2007)

A IA deverá ser apenas um meio, e não um fim, e o humano nunca deverá perder a sua centralidade. É essa humanidade que nos permite ser responsáveis, equilibrados, críticos, honestos e éticos.


      Será que a Escola estava preparada para educar seres pensantes, responsáveis, autónomos, críticos e éticos antes da IA?

     

Todos os alunos refletiam sobre a sua aprendizagem de forma crítica?
     
Os alunos não copiavam nas avaliações?

Não procuravam um caminho fácil e desonesto para obter resultados?

Não se verificavam situações de falta de ética e de plágio?
 

Permitam-me realçar que a tecnologia e a IA não são o cerne da questão. Não importa a utilização da IA, mas a forma como a IA é utilizada, o seu verdadeiro valor pedagógico. A humanização é o ponto essencial. Não podemos permitir-nos perder essa humanização com o desenvolvimento tecnológico e o acesso à IA.

A Escola tem vindo a ser preparada para a utilização ética da IA, com investigação, regulamentação, formação de professores, etc. É um processo em constante evolução. 

 

Estará a Escola está preparada?
E o Ser Humano, está?

 

domingo, 25 de janeiro de 2026

Educar para quê, porquê e com o quê, na era da Inteligência Artificial?

 by Laura Silva Maria

                             Imagem gerada por IA - Chat GPT


A aplicação prática da Inteligência Artificial (IA) na educação deverá ter um impacto benéfico em todos os seus intervenientes: professores, aprendentes e famílias. Não obstante, deveremos estar conscientes dos potenciais riscos e efeitos negativos associados, pondo em causa a ética na educação, assim como a ética dos dados e, desta forma, comprometendo valores básicos preconizados na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948).   

Um aspeto prioritário do Plano de Ação para a Educação Digital (2021-2027), é a necessidade de haver “conteúdos de elevada qualidade, ferramentas intuitivas e plataformas seguras, respeitando a privacidade e as normas éticas.” Assim como um “bom conhecimento e compreensão das tecnologias com utilização intensiva de dados, como a IA.”(Comissão Europeia, 2020).

Como pode a utilização de ferramentas baseadas em IA generativa ampliar a aprendizagem autónoma e aberta sem reforçar desigualdades, reduzir a agência do estudante (aprendente) ou colocar em risco critérios de rigor académico?

A resposta a esta questão carece de uma contextualização mais generalizada sobre a utilização de sistemas de IA nas instituições educativas.


                                                Imagem gerada por IA - Chat GPT



Planeamento a nível da instituição sobre a adequabilidade da utilização de IA

A implementação de um sistema de IA numa instituição educativa deverá partir de uma reflexão cuidada entre os diversos intervenientes, analisando o contexto educativo e as necessidades, de forma a que seja tomada uma decisão consciente e ponderada.

Deverão ser avaliados os impactos benéficos na instituição, nos professores, nos aprendentes e no processo de ensino-aprendizagem, da mesma forma que terão de ser equacionados os perigos e os riscos inerentes. A comunicação e colaboração com outras instituições, assim como a análise de atuais sistemas de IA e de dados pode facilitar a compreensão da temática. O acompanhamento por um fornecedor de sistema de IA é essencial para ajudar a controlar o funcionamento do sistema. O perito pode facilitar a introdução gradual do sistema, permitindo uma monitorização constante e avaliação dos riscos.

Compreender o que é a IA e a relação com a ética dos dados na educação

                                                 Imagem gerada por IA - Chat GPT


Para uma utilização responsável e consciente da IA, antes de mais, os seus utilizadores terão de compreender o que é a IA, como funciona e qual a sua relação com os dados.

Os dados recolhidos pelos sistemas de inteligência artificial são disponibilizados por todos nós que navegamos na Internet. Através da nossa pegada digital vamos fornecendo uma vasta quantidade de dados, que são utilizados por software “treinado” para reformular a informação obtida, sendo capaz de criar resultados de acordo com as solicitações dos humanos.

Na educação, a análise do rastreio dos dados educativos através da inteligência artificial é benéfica para a compreensão do estado da arte em determinado contexto educativo e, consequentemente, desenvolver um planeamento estratégico para dar resposta a determinadas fragilidades identificadas.  Ao contexto escolar acresce a recolha de um elevado número de dados de professores, alunos e famílias, associados aos processos administrativos. Assim sendo, a instituição deverá assegurar a confidencialidade no armazenamento dos dados educativos de modo a garantir a sua utilização ética de acordo com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD).

Informação e formação

Para garantir a transparência dos processos inerentes à implementação de sistemas de IA nas instituições escolares, todos os intervenientes deverão estar informados.  A instituição deve comunicar com os pais e com os alunos, garantindo o envolvimento de toda a comunidade escolar. Os professores devem manter-se atualizados, de forma a garantir a explicabilidade do processo.

Sendo a IA um mundo muito vasto e complexo, os educadores não deverão sentir-se na obrigação de dominar esta temática na totalidade e de forma aprofundada. Deverão sim, centrar-se na forma como em contexto educacional se pode beneficiar da utilização da IA de forma crítica, segura, inclusiva e ética.

O papel do professor

O professor deverá encarar a IA como uma aliada que o poderá auxiliar em tarefas como a utilização ética da IA dos dados, atividades de ensino-aprendizagem promotoras de criatividade e espírito crítico e atividades de avaliação.  A utilização de IA em tarefas administrativas e automatizadas libertará o professor das mesmas, tendo mais tempo e disponibilidade para atividades significativas com os alunos.

Diretrizes europeias sobre a utilização ética de IA na educação

Tendo presente os cuidados prévios a ter com a implementação de sistemas de IA numa escola, deverão ser tidos em conta as orientações e normativos europeus sobre a utilização ética da IA na educação. Os valores e princípios estabelecidos pelo direito internacional reforçam a necessidade de garantir a dignidade humana em todas as fases do ciclo de vida dos sistemas de IA e não apenas aquando da sua implementação na escola. Defendem a inclusão, diversidade, igualdade e bem-estar físico e mental de todos os intervenientes. Alertam para o perigo de distorções ou vieses que podem comprometer a justiça e igualdade, podendo resultar em discriminação e exclusão. Assim sendo, deverão ser tomadas medidas de mitigação de riscos através de uma monitorização e avaliação contínua dos impactos. A transparência e explicabilidade ao longo de todo o processo, garante a todos um tratamento ético e justo dos seus dados pessoais.

As instituições escolares, ao refletirem sobre as quatro considerações que servem de base à utilização ética da IA - ação humana, equidade, humanidade e escolha justificada – assim como ao analisarem as perguntas inerentes aos sete requisitos essenciais para uma IA de confiança (Comissão Europeia, 2022), asseguram uma utilização adequada da IA na sua instituição, pelos professores e pelos aprendentes. Assim sendo, estão reunidas as condições para garantir que os aprendentes utilizem ferramentas baseadas em IA generativa de forma a ampliar a aprendizagem autónoma e aberta sem reforçar desigualdades e sem reduzir a sua agência ou colocar em risco critérios de rigor académico.

 

Que princípios e práticas deve um código de boas práticas incluir para usar a IA generativa como instrumento de estruturação da aprendizagem em contextos de educação aberta e digital, assegurando transparência e autoria, qualidade académica, inclusão e proteção dos dados?

Os compromissos a assumir no âmbito deste código de boas práticas deverão ser direcionados para os diferentes intervenientes:

Instituição

● Garantir os pré-requisitos para a implementação do sistema, reforçando a segurança das infraestruturas;

● Monitorizar e avaliar o processo ao longo de todo o ciclo de implementação;

● Facilitar formação aos professores no âmbito do regulamento de utilização, literacia e ética da IA;

● Promover ações de informação junto das famílias e comunidade escolar, garantindo a transparência e explicabilidade do processo;

● Assegurar uma implementação ética da IA e dos dados, respeitando as normas RGPD.

 

Professor

● Manter-se informado e frequentar formação que o capacite para a utilização ética e responsável da IA no processo de ensino e aprendizagem;

● Utilizar recursos de forma ética e responsável respeitando as normas sobre direito de autor e direitos conexos;

● Respeitar a política de privacidade e segurança dos dados de forma a não partilhar dados sensíveis;

● Garantir a equidade nas condições de acesso dos aprendentes a ferramentas de IA.

 

Aluno/aprendente

● Utilizar as ferramentas de IA generativa de acordo com as indicações do professor;

● Em caso de utilização de ferramentas de IA identificar a fonte, a data e a forma como a informação foi utilizada para a realização da tarefa;

● Utilizar as ferramentas de IA de forma ética e crítica no processo de aprendizagem, respeitando as normas sobre direito de autor e direitos conexos;

● Utilizar a IA como ponto de partida ou complemento e nunca em substituição do próprio pensamento crítico e criativo;

● Ter consciência de que a IA pode conter erros, pelo que a informação deverá ser sempre confirmada com fontes fidedignas;

● Ter consciência de que os tutores virtuais são máquinas inteligentes sem sentido empático.

  

                                                    Imagem gerada por IA - Chat GPT


Reflexões finais

Com o desenvolvimento acelerado da tecnologia, as potencialidades da inteligência artificial aumentam exponencialmente. Da mesma forma, os resultados tornam-se mais fiáveis, não só em termos de conteúdos, mas igualmente no que concerne à ética e proteção de dados, havendo requisitos obrigatórios para o desenvolvimento de sistemas de IA que asseguram a sua fiabilidade.

É imprescindível que todos os intervenientes na educação e formação (professores, formadores, diretores, investigadores), se mantenham atualizados, de forma a poderem acompanhar o ritmo da evolução e estarem aptos a capacitar os aprendentes para uma utilização autónoma, responsável, crítica e ética da inteligência artificial, sem comprometer o rigor académico.

 

Consulta de Chat GPT na procura de Linhas orientadoras para a utilização da inteligência artificial na Universidade Aberta, para a sua referenciação APA.

 

 

Referências APA

European Commission. (2022). Ethical guidelines for educators on using artificial intelligence. European Education Area. https://education.ec.europa.eu/focus-topics/digital-education/action-plan/ethical-guidelines-for-educators-on-using-ai

European Union. (s.d.). Ethical guidelines on the use of artificial intelligence (AI) [Vídeo]. EC Audiovisual Service. https://audiovisual.ec.europa.eu/en/video/I-232180?lg=EN&sublg=pt

European Commission. (2022). Orientações éticas para educadores sobre a utilização de inteligência artificial (IA) e de dados no ensino e na aprendizagem (Nr. de catálogo NC-07-22-649-PT-N; ISBN 978-92-76-54204-9) [PDF]. Publications Office of the European Union. https://op.europa.eu/pt/publication-detail/-/publication/d81a0d54-5348-11ed-92ed-01aa75ed71a1/language-pt

European Commission. (2020). Plano de ação para a educação digital [Página web]. European Education Area. https://education.ec.europa.eu/pt-pt/focus-topics/digital-education/plan

UNESCO. (2022). Recomendação sobre a ética da inteligência artificial [Documento normativo]. UNESCO. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000381137_por

Universidade Aberta. (2024). Linhas orientadoras para a utilização da inteligência artificial na Universidade Aberta (Despacho nº 64/R/2024). Universidade Aberta, Lisboa.

 

domingo, 18 de janeiro de 2026

A ABERTURA DA EDUCAÇÃO PARA O BEM COMUM

  by Laura Silva Maria


                                                                  Imagem criada por IA - Canva


Como compreender a Educação Aberta?

Esta artigo visa refletir sobre Práticas Educacionais Abertas (PEA) no seguimento de uma atividade desenvolvida no âmbito da U.C. de Educação e Sociedade em Rede, integrada no Mestrado de Pedagogia do E-Learning, da Universidade Aberta.

Antes de mais, julgo pertinente fazer uma breve contextualização sobre o movimento internacional da Educação Aberta, que assenta fortemente na promoção do Bem Comum e na democratização do acesso à educação a nível internacional, estando alinhada com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (Artigo 26). O movimento da Educação Aberta facilita o acesso aberto, flexível e gratuito à educação a nível internacional. Defende uma metodologia de ensino colaborativo centrado no aprendente, promovendo a inclusão e a igualdade de oportunidades. O trabalho colaborativo e partilhado no âmbito da Educação Aberta permite enriquecer o conhecimento global, fomentando a inteligência coletiva defendida por Pierre Lévy (2000, p.17). Recursos Educacionais Abertos (REA) suportam este movimento através de “materiais de ensino, aprendizagem e investigação, em qualquer suporte ou mídia, digital ou não, que estão sob domínio público e são disponibilizados com licença aberta que permite o acesso, uso, adaptação e redistribuição gratuita por terceiros, sem restrição ou com poucas restrições” (UNESCO, 2002). Tendo presente a Declaração da Cidade do Cabo para a Educação Aberta (2007) no que concerne à “crença de que todos devem ter a liberdade de usar, personalizar, melhorar e redistribuir os recursos educacionais, sem restrições”, David Wiley (2014) veio dar resposta a esta necessidade na sua publicação The Access to Compromise and the 5th R, onde são descritos os 5Rs de abertura dos REA – Retain, Reuse, Revise, Remix, Redistribute.

 

O que são Práticas Educacionais Abertas (PEA)?

Ulf-Daniel Ehlers define as PEA da seguinte forma:

 

OEP are defined as practices which support the (re)use and production of OER through institutional policies, promote innovative pedagogical models, and respect and empower learners as co-producers on their lifelong learning path. (Ehlers, 2011:4)

Assim sendo, a utilização dos Recursos Educacionais Abertos deverá estar sempre associada a uma metodologia ativa centrada no aprendente, através da qual ele constrói o seu conhecimento de forma colaborativa. O trabalho colaborativo que suporta as metodologias baseadas em projetos ou problemas, é essencial para o desenvolvimento do pensamento de ordem superior defendido por Matthew Lipman (2003). A verdadeira colaboração envolve o aprendente ativamente na resolução de situações através da comunicação, criatividade e espírito crítico, de forma a alcançar um produto final comum.  A inter-dependência para alcançar um produto final e, consequentemente, o sucesso, responsabiliza todos os aprendentes no cumprimento da tarefa, desta forma, adquirindo não apenas  conteúdos, mas também competências. Os desafios inerentes a estas metodologias fomentam a resiliência, capacidade de gestão de conflitos e adaptabilidade. É o envolvimento em situações reais e a responsabilização dos aprendentes no seu processo de aquisição de conhecimentos que promove aprendizagens significativas e duradouras.

Qual o papel do professor?

O professor “aberto” é aquele que sustenta uma aprendizagem “aberta”, dando voz aos alunos, envolvendo-os no processo de aprendizagem e permitindo-se também aprender com eles. Este professor deverá desenvolver um trabalho interdisiciplinar e colaborativo com os colegas, alinhado com o ideal do whole-school approach, de forma a envolver toda a comunidade escolar e rentabilizar o trabalho dos professores e os projetos em curso na escola (ex. DAC, projetos eTwinning, projetos Erasmus+).

Na mesma linha, Ehlers salientou que:

 

OEP address the whole OER governance community: policy makers, managers/administrators of organisations, educational professionals and learners. (Ehlers, 2011:4).

 

        

Práticas Educacionais Abertas nos Projetos Europeus e Internacionalização das Escolas

 Fonte: Comissão Europeia

A Educação Aberta é um modelo que promove o acesso a aprendentes de diferentes áreas geográficas, a nível nacional e internacional, fomentando a empatia, o respeito pelo outro e a inclusão. Desta forma, contribui para a internacionalização e abertura para um espaço europeu das instituições de ensino. Na mesma linha, o desenvolvimento de projetos europeus reforça a dimensão internacional da escola, aprofundando a perceção intercultural dos alunos e professores, promovendo os valores democráticos defendidos pela União Europeia.

Indo ao encontro da contextualização anterior e de forma a apresentar exemplos práticos da minha experiência professional, selecionei algumas ideias de Práticas Educacionais Abertas, com recurso às plataformas europeias que se seguem, apresentando um impacto documentado na disseminação do conhecimento e permitindo a (re)utilização de recursos educacionais abertos que cumpram o critério 5R de David Wiley.

 


Erasmus+ Project Results

https://erasmus-plus.ec.europa.eu/projects

Os resultados dos Projetos de Parcerias de Cooperação devem ser “reutilizáveis, transferíveis, redimensionáveis e ter uma dimensão transdisciplinar.” (Agência Nacional Erasmus+ s.d.). São recursos desenvolvidos colaborativamente por várias instituições em diferentes países e deverão ser disseminados e implementados em larga escala por diversos meios. O repositório de excelência para os resultados dos projetos Erasmus+ é a Plataforma de Resultados Erasmus+, da Comissão Europeia.

A aprovação de projetos Erasmus+ (Parcerias de Cooperação) está sujeita a licença Open Access dos recursos que terão de ser disponibilizados na Plataforma de Resultados Erasmus+ pelos beneficiários.

 Exemplo prático

Projeto Erasmus + Ka 201 DemEUcracy for ALL

                     

  Fonte: Projeto Erasmus + Ka 201 DemEUcracy for ALL

 https://erasmus-plus.ec.europa.eu/projects/search/details/2020-1-PT01-KA201-078358

 Os Projetos de Parcerias de Pequena Dimensão, mais direcionados para o trabalho prático com os alunos, poderão ser desenvolvidos associados a projetos eTwinning, sendo a partilha dos recurso criados feita no TwinSpace do projeto.

 

Projetos eTwinning

 

 Fonte: Comissão Europeia

O eTwinning, através de projetos colaborativos desenvolvidos entre professores e alunos de diferentes países, são uma excelente forma de implementar a metodologia alinhada com os conceitos de REA e PEA, sendo que o “eTwinning pretende promover, em professores e alunos, a consciência do modelo europeu de sociedade multilingue e multicultural” (eTwinning PT s.d.).

Os projetos eTwinning promovem um trabalho interdisciplinar e inclusivo, permitem uma abordagem flexível do currículo, indo ao encontro das necessidades individuais dos alunos. Através da colaboração em torno da resolução de problemas e da criação de produtos finais comuns, o conhecimento é co-construído e facilitado por meio de uma interação e reflexão mútua, referido por Ehlers relativamente à mudança de paradigma que temos vindo a presenciar no ensino: 

knowledge is co-created and facilitated through mutual interaction and reflection (Ehlers, 2011:4). 

O acesso ao conhecimento já não é suficiente. “A chave é a possibilidade de participar efetivamente da produção de conhecimento, tanto para resolução de problemas locais, quanto para ampliação do campo cognitivo da humanidade em larga escala”.  (Nobre & Mallmann, 2016, p. 153)

Pierre Lévy (2000), ao referir os três princípios da cibercultura, já antevia a relevância da interligação, das comunidades virtuais e da inteligência coletiva no ensino, bem presente na Educação Aberta e nos projetos Erasmus+ e eTwinning.

Do mesmo modo, Ehlers reforça esta ideia de que “estamos perante PEA quando há criação de recursos centrados no aluno, quando os alunos se envolvem na criação de conteúdos, quando professores se afastam de um ensino centrado no professor, quando os processos de aprendizagem são processos produtivos e os resultados são dignos de serem partilhados e reutilizados, os recursos melhoram o processo de aprendizagem” (Ehlers, 5).

Exemplo Prático

Livro digital com projetos eTwinning reconhecidos com Prémio Nacional

                 Fonte: https://www.etwinning.pt/site/

           https://etwinning.pt/site/premios

  

European School Education Platform (ESEP)

https://school-education.ec.europa.eu/en


 

                                                             Imagem criada por IA – Chat GPT


Para além de espaço virtual de trabalho interativo e seguro, no qual o eTwinning está inserido, a ESEP é um ponto de encontro para a comunidade educativa europeia.

Partilha diversas publicações, recursos e iniciativas de formação (cursos, MOOCs, webinars, podcasts, etc.) do interesse de todos os intervenientes na área da educação. Promove cursos de formação Erasmus+, assim como facilita a procura de parceiros internacionais para o desenvolvimento de projetos.

Os recursos são disponibilizados com licenças abertas e permitem a sua utilização livre ou adaptação, sendo proibida a sua utilização com fins comerciais.

Exemplos Práticos

Planos de aula

                                          Fonte: European School Education Platform

https://school-education.ec.europa.eu/en/teach/lesson-plans


Kits de projetos

                                           Fonte: European School Education Platform

 https://school-education.ec.europa.eu/en/teach/project-kits


Reflexão Final

Sendo o ponto de partida para esta reflexão o OpenEdu Framework da  Comissão Europeia, julgo que uma atenção mais cuidada às 10 dimensões da educação aberta será mais do que merecida.

                                                                                       Fonte: Comissão Europeia – OpenEdu Framework


Visualizo o esquema Open Edu Framework como uma representação da experiência partilhada neste artigo. Todas as dimensões apresentadas no esquema estão relacionadas entre si, sendo a colaboração (collaboration) uma das dimensões fundamentais para para a aquisição de conteúdos (content) através de metodologias abertas e centradas no aluno (pedagogy). O acesso (access) a recursos abertos está dependente de uma investigação (research) cuidada com reconhecido valor científico e pedagógico (recognition).

De forma a garantir a implementação das dimensões centrais, deverá definir-se uma estratégia (strategy), com uma forte liderança (leadership), garantindo o acesso a tecnologias (technology) e conteúdos de qualidade (quality). (European Commission, 2017.)

Consequentemente, através da Educação Aberta e de Práticas Educacionais Abertas, as instituições escolares estarão a educar cidadãos informados, colaborativos, comunicativos, criativos, com espírito crítico e capazes de resolver desafios múltiplos e imprevistos, de forma a “preparar os alunos, que serão jovens e adultos em 2030, para empregos ainda não criados, para tecnologias ainda não inventadas, para a resolução de problemas que ainda se desconhecem" (Dec-lei nº55/2018).

 

Referências APA
Agência Nacional Erasmus+ (s.d.) https://erasmus-plus.ec.europa.eu/projects
Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho. Diário da República nº 129/2018, Série I de 2018-07-06. https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/55-2018-115652962
Ehlers, U.-D. (2025). Extending the territory: From open educational resources to open educational practices. Journal of open, flexible and distance learning, 15(2), 1–10. https://doi.org/10.61468/jofdl.v15i2.64
eTwinning PT (s.d.) https://etwinning.pt/site/etwinning
European Commission. (2017). Opening up Education: The OpenEdu Framework [Video]. YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=KhFeaFD5PJw
European School Education Platform (ESEP) (s.d.) https://school-education.ec.europa.eu/en/etwinning
Lévy, P. (2000). Cibercultura Instituto Piaget
Lipman, M. (2003). Thinking in education (2nd ed.). Cambridge University Press.
Nobre, A., & Mallmann, E., M. (2016), Recursos educacionais abertos: Transposição didática para transformação e coautoria de conhecimento educacional em rede, CIDTFF - Indagatio Didactica - Universidade de Aveiro http://hdl.handle.net/10400.2/6887
Open Society Institute and Shuttleworth Foundation. (2008, January 22). Cape Town open education declaration: Unlocking the promise of open educational resourceshttps://www.capetowndeclaration.org/read/brazilian-portuguese-translation/
Plataforma de Resultados Erasmus+ (s.d.) https://erasmus-plus.ec.europa.eu/projects
UNESCO. (2012, June 22). 2012 Paris OER declaration. UNESCO. 
https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000246687_por
United Nations. General Assembly. (1948, December 10). Universal declaration of human rights (217 A (III)). United Nations.
Wiley, D. (2009). Open Education [Video]. Keynote in the 2009 Penn state symposium for teaching and learning. https://www.youtube.com/watch?v=VcRctjvIeyQ&t=9s
Wiley, D. (2014, September 24). The access compromise and the 5th R. Improving Learning.https://opencontent.org/blog/archives/3221

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

REA na Prática Letiva de uma Professora de Línguas

by Laura Silva Maria

No âmbito da U.C. de Materiais e Recursos para E-Learning, inserida no Mestrado em Pedadogia do E-Learning da Universidade Aberta, desenvolvi uma pesquisa online sobre Recursos Educacionais Abertos (REA), da qual selecionei três REA, que adaptei para a minha prática letiva.

Partindo da premissa de que REA são “materiais de ensino, aprendizagem e investigação, em qualquer suporte ou mídia, digital ou não, que estão sob domínio público e são disponibilizados com licença aberta que permite o acesso, uso, adaptação e redistribuição gratuita por terceiros, sem restrição ou com poucas restrições” (UNESCO, 2002), optei por REA com licenças Creative Commons (CC), que vão ao encontro dos 5Rs de David Wiley (2014).


REA 1

Inglês 11º ano

The Multicultural World – Coping with Diversity.

 

Origem REDA

https://apoioescolas.dge.mec.pt/recursos/recursos-educativos-digitais-e-abertos-reda

                          

       

Recurso

PowerPoint Names by Maya Angeloupre-reading activities; Maya Angelou Biography

                   


https://reda.edu.azores.gov.pt/resources/detalhes-recurso/1858

https://reda.edu.azores.gov.pt/static/files/resources/leitura-extensiva-names-de-maya-angelou-1/leitura-extensiva-names-de-maya-angelou-1_1558721072937.ppt

 

O recurso utilizado como ponto de partida foi um PowerPoint com informação biográfica da escritora Maya Angelou, assim como atividades no âmbito da sua obra Names.

Tendo a intenção de apresentar a escritora e o seu poema Still I Rise nas minhas turmas de Inglês de 11º ano, considerei tratar-se de um recurso viável, que, no entanto, carecia de adaptação de forma a ir ao encontro dos objetivos da minha aula.

Neste sentido, omiti alguns slides do PowerPoint (todos relacionado com a temática da obra Names), alterei a ordem de outros e acrescentei, ainda, os slides 1, 2, 3 e 15 da minha autoria, resultando na seguinte adaptação:

 ADAPTAÇÃO_REA1 Maya Angelou.pptx

               



        



Desta forma, o recurso foi inserido no seguinte plano de aula:

English Lesson Plan_Year 11.pdf

 A opção por este REA prende-se com vários critérios:

Trata-se de um REA inserido no repositórios REDA, da responsabilidade do Governo dos Açores e integrado na iniciativa “Apoio às Escolas” do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, sendo um recurso com uma qualidade credível. A plataforma REDA é de fácil utilização com recursos sujeitos a uma licença Creative Commons CC BY-NC-SA, estando a informação identificada no termos e condições da plataforma https://reda.edu.azores.gov.pt/termosecondicoes.

A licença atribuída ao recurso confere-lhe versatilidade e adequabilidade que permitiu adaptá-lo à minha prática letiva. O recurso apresenta uma grande facilidade de remix, permitindo várias opções de utilização, podendo ajustar-se a diferentes atividades/aulas/temáticas. Poderei optar por lecionar a obra Names, utilizando os slides do PowerPoint que omiti no plano de aula apresentado. Terei também a possibilidade de utilizar a informação sobre a escravatura para lecionar a obra 12 Years Slave, indicada para Inglês, 12º ano. Esta versatilidade torna este recurso num REA valioso, funcional e pertinente.

 

REA 2/3

Inglês 2º ano – Programa Escolas Bilingues em Inglês

Halloween - Vocabulary

Origem LearningApps

https://apoioescolas.dge.mec.pt/recursos/learningapps

https://learningapps.org/

Recurso 2

Jogo interativo Halloween Hangman

https://learningapps.org/14734435

Recurso 3

Jogo interativo Halloween Free Text Input

https://learningapps.org/14636992

                      

Os recursos 2 e 3 tiveram como propósito complementar e dar continuidade a um plano de aula que implementei no âmbito do Programa Escolas Bilingues em Inglês, no 2º ano do 1º ciclo.

English lesson plan_Halloween_Year 2.pdf

Nesta aula foram desenvolvidas diversas atividades para aquisição de vocabulário específico relacionado com a temática do Halloween. Foram utilizados os seguintes materiais:

Halloween flashcards.pdf

English Handout_Halloween_Year 2.pdf

A aquisição de vocabulário de forma significativa e duradoura implica o envolvimento ativo dos alunos em atividades práticas que deverão ser implementadas de forma recorrente.

Neste sentido, foram utilizados os REA 2 e 3 acima identificados, sendo adaptados com o vocabulário lecionado, da seguinte forma:

Halloween Hang man- adaptação

https://learningapps.org/view45045877

Halloween Free Text Input- adaptação

https://learningapps.org/view45046232

                      

Estes recursos poderão ser implementados na aula subsequente à apresentada, servindo de motivação e simultaneamente de consolidação do vocabulário trabalhado durante a aula anterior.

Os alunos poderão desenvolver a atividade a pares, recorrendo a computadores portáteis ou no computador da professora, participando de forma alternada, sendo a atividade projetada para que toda a turma possa acompanhar.

Os critérios subjacentes à seleção destes dois REA prendem-se com o seguinte:

A credibilidade da plataforma LearningApps está validada pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, estando integrada na iniciativa “Apoio às Escolas”. Estamos perante uma plataforma com diversas aplicações Web 2.0, de utilização muito intuitiva e que oferece uma grande variedade de opções para criar e adaptar recursos recorrendo à gamificação. A natureza prática das atividades facilita o processo de ensino-aprendizagem permitindo a consolidação de conteúdos e competências. A plataforma apresenta não só diversos recursos já criados, que poderão ser adaptados, como disponibiliza templates para que se possa criar recursos de raíz. A utilização generalizada desta plataforma requer uma atenção especial na verificação da adequabilidade e da correção dos recurso antes da sua implementação.

Embora as atividades criadas em LearningApps sejam privadas por defeito, o autor tem a possibilidade de disponibilizar o seu recurso por meio de um link ou de um código embed. Poderá, ainda, tornar o seu recurso público, permitindo que outros utilizadores possam utilizar, copiar e adaptar o recurso livremente sem a necessidade de fazer referência ao seu autor. A plataforma LearningApps é de livre utilização para fins educacionais, não sendo permitido o seu uso comercial. Esta informação poderá ser consultada em https://learningapps.org/rechtliches.php.


Comentários Finais

A riqueza dos recursos apresentados prende-se com a versatilidade e adequabilidade dos mesmos a diversas áreas disciplinares e níveis de ensino, viabilizando a utilização e adaptação dos conteúdos a diferentes contextos educativos.

Neste sentido, a exploração destes recursos justifica “a crença de que todos devem ter a liberdade de usar, personalizar, melhorar e redistribuir os recursos educacionais, sem restrições” (Cape Town Open Education Declaration, 2007).

 

 Referências APA

Cape Town Open Education Declaration. (2007). Cape Town Open Education Declaration: Unlocking the promise of open educational resources. www.capetowndeclaration.org

Coelho, G. (2019) Names de Maya Angelou (Diapositivos de PowerPoint). REDA https://reda.edu.azores.gov.pt/resources/detalhes-recurso/1858

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Direção-Geral da Educação. (s.d.). Apoio às Escolas. Ministério da Educação, Ciência e Inovação. https://apoioescolas.dge.mec.pt/

Governo dos Açores. (s.d.). REDA: Recursos Educativos Digitais Abertos. Direção Regional da Educação e Administração Educativa. https://reda.edu.azores.gov.pt/

LearningApps.org. (s.d.). LearningApps.org - interaktive und multimediale Lernbausteinehttps://learningapps.org/

Nobre, A. (2020). REA: de A a .... Manual para identificar, procurar, utilizar, reutilizar, produzir e partilhar recursos educacionais abertos, Universidade Aberta http://hdl.handle.net/10400.2/10216

Oxford University Press. (n.d.) Stereotype. Oxford advanced leraner’s dictionary. Recuperado em 3 de janeiro de 2026. https://www.oxfordlearnersdictionaries.com/us/definition/english/stereotype_1?q=stereotype

PBS American Masters. (2017, 3 de fevereiro). Maya Angelou: And Still I Rise Trailer. (Vídeo). Youtube. www.youtube.com/watch?v=oX02IRsrtYg

UNESCO. (2012, June 22). 2012 Paris OER declaration. UNESCO. 

https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000246687_por

Wiley, D. (2014, September 24). The access compromise and the 5th R. Improving Learning.https://opencontent.org/blog/archives/3221