sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Reticularização e Datificação dos Processos Educativos ESR

 A sociedade global interconectada que experienciamos atualmente resulta de diversos momentos de mudança ao longo dos tempos, tendo o desenvolvimento exponencial da tecnologia um impacto significativo na reticularização e datificação dos processos educativos, assim como em diversas áreas como a economia, a política, a cultura, o mercado laboral, as relações humanas e a sociedade em geral.

A visualização do vídeo The Machine is Us/ing Us, de Michael Wesch (2007) poderá metaforicamente comparar-se à passagem por uma porta de entrada para este novo mundo em que vivemos no séc. XXI. Permite-nos, não só visualizar, mas percecionar o frenesim característico da evolução tecnológica. A ausência de comunicação verbal torna toda a experiência mais intensa como se entrassemos num carrocel de alta velocidade ou num remoinho ao qual não conseguimos escapar.

 

Imagem criada por IA em Canva

 

Este vídeo prepara-nos para a entrada no mundo frenético da 4ª Revolução Industrial, igualmente retratada nas restantes quatro produções, e a consequente mudança de paradigma educacional ao alcançarmos o modelo de Educação 4.0. Todos estes recursos estudados no âmbito desta ativitade da U.C. de Educação e Sociedade em Rede - The Machine is Us/ing Us, de Michael Wesch (2007), Digital Transformation of Teaching and Learning, Dr. Aras Bozkurt (2021), Education 4.0 | Transforming the future of education, Jisc (2019), The limits of learning, DW Documentary, (2021), AI and the future of education, Plastico Film (2023) – apresentam uma heterogeneidade estética que, não obstante, retrata diversas facetas de uma realidade convergente.

 

A Hiperconectividade de um Mundo em Mudança

A “facilidade de ligação entre tudo” referida por Teixeira et al. (2019), como resultado da transformação tecnológica e da evolução da Web, impulsionou a passagem do estático ao dinâmico, do refletido ao imediato, de repositório a espaço colaborativo. A fluidez e dinamismo da informação leva-nos à necessidade de repensar tudo à nossa volta em termos sociais, éticos, educacionais, políticos, existenciais e pessoais.

 

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link passa a representar o fio que sustenta a rede que nos envolve num espaço comum de convivência e de partilha, propulsor de um pensamento coletivo.  (Lévy, 2000). O mundo em que vivemos mudou e continua em constante mutação. Lévy (2000, p.167) previu que “Pela primeira vez na história da humanidade, a maior parte das competências adquiridas por uma pessoa no início do seu percurso profissional serão obsoletas no fim da sua carreira.” Uma pessoa terá múltiplos empregos e terá de reaprender ao longo da vida. Neste sentido, as instituições educativas terão de estar capacitadas para munir os aprendentes de competências essenciais para os preparar para o mercado de trabalho global do séc. XXI. A aquisição das competências digitais e de literacia da inteligência artificial deverá ser iniciada em idade precoce de forma a preparar as crianças para uma utilização crítica e ética da tecnologia e da IA. A inclusão de Literacia Computacional nos currículos é imperativa na promoção da aquisição de competências digitais, assim como transversais como a comunicação, colaboração, criatividade, pensamento crítico, responsabilidade e adaptabilidade, preparando os jovens para a vida, tornando-os cidadãos responsáveis, empreendedores e "criadores de empregos".

 

Educação 4.0

Estará a inevitável mudança de paradigma educacional em convergência com a realidade das escolas e dos professores?  

 

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Na 4ª Revolução Industrial o aprendente não é mais mero utilizador de tecnologia, mas passa a ser criador ativo, tendo o professor um papel de mentor e facilitador da aprendizagem. A tecnologia torna o ensino mais inclusivo e acessível às necessidades individuais dos aprendentes. Contudo, “a transformação digital já chegou, mas não está, ainda, distribuída uniformemente” (Grajek, 2019). Perceciona-se, ainda, por parte da classe docente, alguma resistência e dificuldade em acompanhar a efervescência instrínseca à evolução, sendo necessário desenvolver competências que lhes permitam evoluir e adaptarem-se à mudança. Segundo Alvin Toffler, “Os iliterados do séc. XXI não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não sabem aprender, desaprender e reaprender.”  

 

O papel da Inteligência Artificial (IA) na relação máquina – humano

A IA tem vindo a ocupar um espaço cada vez mais significativo nas várias vertentes do dia-a-dia dos indivíduos. No que concerne à educação, a IA torna o processo de ensino-aprendizagem mais gratificante e envolvente para professores a aprendentes. A IA permite um ensino mais inclusivo e personalizado, indo ao encontro de necessidades específicas dos alunos. Mas qual será o papel da IA no futuro da educação? Irão os professores ser substituídos por robôs?

 

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Paralelamente às mudanças que proporcionaram a evolução da Web 1.0 para a Web 2.0, registou-se uma crescente necessidade da intervenção humana na utilização da tecnologia. No universo do espaço colaborativo e do pensamento coletivo sustentados pela evolução da Web, a interatividade e conexão global entre humanos é imprescindível. A internet não é mais uma infraestrutura meramente técnica, passando a ser um espaço de interação social e humana – We are the Web.(Michael Wesch 2007)

A relação entre a máquina e o humano deverá ser entendida como uma win-win-situation, verificando-se um interdependência e uma influência mútua. A tecnologia deverá ser apenas um meio e não um fim e o humano nunca deverá perder a sua centralidade. A educação do futuro é aquela em que se promove aprendizagem, desenvolvimento profissional e pessoal, nunca permitindo que a tecnologia nos tire a nossa humanidade.

 

 Novas formas de aprender

A Educação a Distância (EaD) assenta num modelo profundamente organizado e estruturado com metodologia e regras bem definidas. Registou-se uma evolução significativa desde o modelo de ensino à distância industrial, no qual não se privilegiava a interação estudante-estudante, nem estudante-professor, passando a vigorar um modelo de EaD centrado no estudante, com uma forte vertente cooperativa. O trabalho colaborativo entre os vários estudantes promove não só a aquisição de conteúdos (o quê), mas também o desenvolvimento de competências essenciais (o como), nomeadamente o espírito crítico e criativo e a responsabilização e capacidade de resolução de problemas.

Este modelo é considerado como uma mais-valia por permitir uma abordagem flexível e inclusiva, dando acesso a estudantes de diferentes áreas geográficas a nível nacional e internacional. Contudo, a sua utilização generalizada e potencialmente menos adequada durante períodos de crise como o da pandemia Covid 19, poderá ter impactos negativos no bem-estar e saúde mental dos jovens, causando exaustão, solidão e depressão. Estes sintomas poderão ser acentuados por excesso de trabalho, necessidade de cumprimento de prazos, assim como falta de condições materiais e habitacionais e contextos familiares desfavorecidos, originando desigualdades nas oportunidades de aprendizagem.

Nestes contextos de crise, o EaD poderá facilmente deixar de praticar uma metodologia aberta, são sendo mais do que uma forma de ensino tradicional, praticado online e à distância. Esta prática em nada se alinha com a metodologia aberta inerente ao EaD.

 

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Using the new technologies to pursue old teaching methods – generally, the content-centered, transmission of knowledge approach that has been the paradigm in traditional universities – does not bring substantial gains. There need to be changes in the pedagogy, in course design, in the role and action of teachers, or in the preparation of resources, to name the most relevant (Mota, 2009).

 

 

Conclusão

Finalizando este comentário–síntese da análise das várias produções audiovisuais no âmbito da atividade 4 da U.C. de Educação e Sociedade em Rede, cumpre-me concluir que a evolução da sociedade em rede tem um impacto significativo não apenas na educação, mas também na vida em sociedade na suas várias vertentes: económica, política, cultural, assim como a nível das relações humanas e laborais.

 

 

Referências (APA)

Bates, A. W. (2017). Educar na era digital: Design, ensino e aprendizagem. Artesanato Educacional.

Bozkurt, A. (2021). Digital Transformation of Teaching and Learning

DW Documentary (2021). The limits of learning,

Grajek, S., & EDUCAUSE IT Issues Panel. (2020). How colleges and universities are driving to digital transformation today. EDUCAUSE Review.

Jisc. (2019). Education 4.0: Transforming the future of education [Vídeo].

Lévy, Pierre (2000). Cibercultura Instituto Piaget

Plastico Film. (2023). AI and the future of education [Vídeo].

Teixeira, A., Bates, T., & Mota, J. (2019). What future(s) for distance education universities? Towards an open network-based approach. RIED. Revista Iberoamericana de Educación a Distancia, 22(1), 107–126. https://doi.org/10.5944/ried.22.1.22288

Wesch, M. (2007). The machine is us/ing us [Vídeo].

 

Laura Silva Maria

mPeL

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