domingo, 21 de dezembro de 2025

Repositórios e outras fontes online de Recursos Educacionais Abertos

 by Laura Silva Maria


Imagem criada por Chat GPT

 A Declaração Universal dos Direitos Humanos (Artigo 26) reforça que “Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais.“  Neste sentido, os repositórios de Recursos Educacionais Abertos (REA) vão ao encontro da democratização do ensino. Ana Nobre (2020, p.34) define um repositório aberto como

 

uma coleção organizada de documentos (texto, imagens, sons, etc.) digitais de acesso livre e geralmente gratuitos na Internet, juntamente com uma interface para pesquisar e consultar esses documentos.

 

Facilmente encontraremos uma grande variedade de repositórios REA na Internet, sendo apenas necessário procurar num motor de busca. Contudo, deveremos saber o que pretendemos, para o que necessitamos do recurso, assim como garantir a qualidade do repositório e dos REA. Uma busca aparentemente simples, poderá necessitar de alguns cuidados acrescidos, de forma a garantirmos um resultado conclusivo e fidedigno.

Vejamos o seguinte exemplo: o recurso à “pesquisa avançada”, em vez de “pesquisa simples” (Nobre, 2020, p.31) permite a identificação de repositórios REA com licenças Creative Commons.

No âmbito da realização desta atividade inserida na unidade curricular de Materiais e Recursos para eLearning, irei apresentar os seguintes repositórios REA:

Repositório Aberto – Universidade Aberta

IAVE – Instituto de Avaliação Educativa

REDA – Recursos Educativos Digitais Abertos

A opção por estes repositórios prende-se essencialmente com o facto de conterem recursos abertos e de qualidade credível. Cada um tem o foco direcionada para uma área diferente. Não obstante, todos eles se enquadram na minha atividade profissional.


Repository :: Home

https://repositorioaberto.uab.pt/home

O Repositório Aberto da Universidade Aberta oferece materiais de tipologias diversas, com o seu foco no ensino superior e em artigos e teses científicas. Ainda assim, alguns dos seus recursos poderão ser adaptados para o ensino secundário. Repositório de fácil navegação, permite o acesso à produção intelectual da Universidade Aberta, em formato digital. Este repositório “reúne professores, criadores de recursos, bibliotecários responsáveis por descrever os recursos, administradores, técnicos e utilizadores de REA. (Nobre, 2020, p.29) Desta forma, está garantida “em certa medida, a qualidade, a coerência e a acessibilidade dos recursos publicados no repositório.” (Nobre, 2020, p.29)

Permite uma pesquisa direcionada por tema, título, autor, data, comunidades, tipo de recursos e publicações recentes, etc. O email de contacto e uma secção de FAQs possibilita uma orientação em caso de necessidade de apoio por parte dos utilizadores.

 Fundamentação

Selecionei o Repositório Aberto da Universidade Aberta por considerar ser um repositório de reconhecido rigor científico, que garante a qualidade dos recursos. Como estudante de mestrado, é um repositório relevante para a minha investigação, ao qual recorro com frequência.

 Aplicação Prática

A análise de diversas teses de mestrado e doutoramento tem sido essencial para aprofundar os meus conhecimentos no âmbito dos conteúdos relacionados com a Pedagogia do eLearning, assim como para a aquisição de competências práticas de técnicas de investigação e redação de uma tese.

No âmbito das U.C. do mestrado em Pedagogia do eLearning, este repositório permite o acesso a diversos artigos científicos de leitura essencial. 

 

IAVE - Informação Complementar Línguas - Agrupamento de Escolas da Lousã

https://iave.pt/

O Banco de Itens do IAVE, integrado no Ministério da Educação, Ciência e Inovação, tem o seu foco nos exames e provas nacionais do ensino básico e secundário. Tem uma espaço para as diversas disciplinas e professores, encarregados de educação e alunos poderão consultar exames e provas, assim como critérios de avaliação e classificação.

Neste repositório, professores podem igualmente aceder a uma área reservada com REA direcionados para as diferentes disciplinas e ciclos de ensino, podendo os docentes adaptar os recursos às necessidades da sua prática letiva pessoal.

O Banco de Itens do IAVE proporciona, ainda, o acesso a áreas de formação, estudos e relatórios. A plataforma apresenta uma interface de navegação simples e intuitiva, tanto para adultos, como para alunos, com diversos separadores que facilitam o acesso aos recursos pretendidos.

Fundamentação

A opção pelo repositório Banco de Itens do IAVE prende-se com a minha prática letiva como professora do 3º ciclo do ensino básico e secundário, tendo ao longo da minha carreira recorrido ao mesmo com diferentes finalidades. A credibilidade na qualidade dos recursos é garantida pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação.

 Aplicação Prática

Como professora com alunos que terão de se preparar para exame nacional, o recurso ao Banco de Itens do IAVE tem sido parte integrante da minha prática letiva. Este repositório não só fornece toda a informação relacionada com os exames e provas nacionais, mas também permite o acesso ao arquivo das provas, que tenho vindo a utilizar para a orientação dos alunos.

 

 

REDA – Recursos educativos digitais abertos | Portal da Educação

https://apoioescolas.dge.mec.pt/recursos/recursos-educativos-digitais-e-abertos-reda

https://reda.edu.azores.gov.pt/

O repositório de Recursos Educativos Digitais Abertos (REDA) é da responsabilidade do Governos dos Açores e está integrado na iniciativa “Apoio às Escolas” do Ministério da Educação, Ciência e Inovação. Disponibiliza conteúdos educativos em vários formatos, abrangendo diferentes áreas disciplinares e os vários níveis e ciclos de ensino. Apresenta uma interface apelativa que permite uma pesquisa avançada com aplicação de filtros que orientam na busca dos recursos pretendidos. Os recursos (em vários formatos) contemplam uma proposta de operacionalização, facilitando a utilização e adaptação dos docentes ao seu contexto educativo. Tratando-se de uma plataforma multidisciplinar existem recursos em várias línguas. Para além dos recursos educativos, este repositório indica hiperligações para ferramentas digitais promotoras do trabalho colaborativo, Genially, Canva, Learning Apps entre outros, assim como fornece o acesso a bibliotecas virtuais como a Europeans, dicionários e tutoriais diversos. A plataforma providencia apoio aos utilizadores, através de vídeos e tutoriais explicativos.

Fundamentação

Também este repositório foi selecionado em função da credibilidade na qualidade dos recursos garantida pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, assim como na minha prática educacional. Para além de professora de Inglês e Alemão do 3º ciclo do ensino básico e secundário, participei em diversos projetos no âmbito da educação pré-escolar e 1º ciclo, assim como em projetos colaborativos eTwinning e Erasmus+. Este repositório apresenta-nos uma grande variedade de recursos que poderão ser utilizados e adaptados a qualquer contexto educativo.

 Aplicação Prática

Coordenei e implementei diversos projetos de articulação vertical com a educação pré-escolar e 1º ciclo (eTwinning, Erasmus+, Programa Escolas Bilingues em Inglês – PEBI). Neste contexto, o recurso a REA e ao repositório REDA, entre outros, facilita o meu envolvimento em práticas educacionais direcionadas para uma faixa etária diferente da qual com que habitualmente trabalho.   

 

Considerações Finais

A utilização destes três repositórios é prática comum na minha ativdade como docente e  como estudante de mestrado. Oferecem recursos abertos e gratuitos, estando associados a licenças Creative Commons, indo ao encontro dos 5Rs de David Wiley. A sua credibilidade é assegurada por instituições públicas, como a Universidade Aberta e o Ministério da Educação, Ciência e Inovação.

 

Referências APA

Creative Commons (s.d.) https://creativecommons.org/

Nobre, A. (2020). REA: de A a .... Manual para identificar, procurar, utilizar, reutilizar, produzir e partilhar recursos educacionais abertos, Universidade Aberta http://hdl.handle.net/10400.2/10216

Ramade, J. (2015). Recursos Educativos de Aprendizagem (REA). Beira: UnISCED.

United Nations. General Assembly. (1948, December 10). Universal declaration of human rights (217 A (III)). United Nations.

Wiley, D. (2014, September 24). The access compromise and the 5th R. Improving Learning.https://opencontent.org/blog/archives/3221

Laura Silva Maria

mPeL 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Reticularização e Datificação dos Processos Educativos ESR

 A sociedade global interconectada que experienciamos atualmente resulta de diversos momentos de mudança ao longo dos tempos, tendo o desenvolvimento exponencial da tecnologia um impacto significativo na reticularização e datificação dos processos educativos, assim como em diversas áreas como a economia, a política, a cultura, o mercado laboral, as relações humanas e a sociedade em geral.

A visualização do vídeo The Machine is Us/ing Us, de Michael Wesch (2007) poderá metaforicamente comparar-se à passagem por uma porta de entrada para este novo mundo em que vivemos no séc. XXI. Permite-nos, não só visualizar, mas percecionar o frenesim característico da evolução tecnológica. A ausência de comunicação verbal torna toda a experiência mais intensa como se entrassemos num carrocel de alta velocidade ou num remoinho ao qual não conseguimos escapar.

 

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Este vídeo prepara-nos para a entrada no mundo frenético da 4ª Revolução Industrial, igualmente retratada nas restantes quatro produções, e a consequente mudança de paradigma educacional ao alcançarmos o modelo de Educação 4.0. Todos estes recursos estudados no âmbito desta ativitade da U.C. de Educação e Sociedade em Rede - The Machine is Us/ing Us, de Michael Wesch (2007), Digital Transformation of Teaching and Learning, Dr. Aras Bozkurt (2021), Education 4.0 | Transforming the future of education, Jisc (2019), The limits of learning, DW Documentary, (2021), AI and the future of education, Plastico Film (2023) – apresentam uma heterogeneidade estética que, não obstante, retrata diversas facetas de uma realidade convergente.

 

A Hiperconectividade de um Mundo em Mudança

A “facilidade de ligação entre tudo” referida por Teixeira et al. (2019), como resultado da transformação tecnológica e da evolução da Web, impulsionou a passagem do estático ao dinâmico, do refletido ao imediato, de repositório a espaço colaborativo. A fluidez e dinamismo da informação leva-nos à necessidade de repensar tudo à nossa volta em termos sociais, éticos, educacionais, políticos, existenciais e pessoais.

 

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link passa a representar o fio que sustenta a rede que nos envolve num espaço comum de convivência e de partilha, propulsor de um pensamento coletivo.  (Lévy, 2000). O mundo em que vivemos mudou e continua em constante mutação. Lévy (2000, p.167) previu que “Pela primeira vez na história da humanidade, a maior parte das competências adquiridas por uma pessoa no início do seu percurso profissional serão obsoletas no fim da sua carreira.” Uma pessoa terá múltiplos empregos e terá de reaprender ao longo da vida. Neste sentido, as instituições educativas terão de estar capacitadas para munir os aprendentes de competências essenciais para os preparar para o mercado de trabalho global do séc. XXI. A aquisição das competências digitais e de literacia da inteligência artificial deverá ser iniciada em idade precoce de forma a preparar as crianças para uma utilização crítica e ética da tecnologia e da IA. A inclusão de Literacia Computacional nos currículos é imperativa na promoção da aquisição de competências digitais, assim como transversais como a comunicação, colaboração, criatividade, pensamento crítico, responsabilidade e adaptabilidade, preparando os jovens para a vida, tornando-os cidadãos responsáveis, empreendedores e "criadores de empregos".

 

Educação 4.0

Estará a inevitável mudança de paradigma educacional em convergência com a realidade das escolas e dos professores?  

 

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Na 4ª Revolução Industrial o aprendente não é mais mero utilizador de tecnologia, mas passa a ser criador ativo, tendo o professor um papel de mentor e facilitador da aprendizagem. A tecnologia torna o ensino mais inclusivo e acessível às necessidades individuais dos aprendentes. Contudo, “a transformação digital já chegou, mas não está, ainda, distribuída uniformemente” (Grajek, 2019). Perceciona-se, ainda, por parte da classe docente, alguma resistência e dificuldade em acompanhar a efervescência instrínseca à evolução, sendo necessário desenvolver competências que lhes permitam evoluir e adaptarem-se à mudança. Segundo Alvin Toffler, “Os iliterados do séc. XXI não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não sabem aprender, desaprender e reaprender.”  

 

O papel da Inteligência Artificial (IA) na relação máquina – humano

A IA tem vindo a ocupar um espaço cada vez mais significativo nas várias vertentes do dia-a-dia dos indivíduos. No que concerne à educação, a IA torna o processo de ensino-aprendizagem mais gratificante e envolvente para professores a aprendentes. A IA permite um ensino mais inclusivo e personalizado, indo ao encontro de necessidades específicas dos alunos. Mas qual será o papel da IA no futuro da educação? Irão os professores ser substituídos por robôs?

 

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Paralelamente às mudanças que proporcionaram a evolução da Web 1.0 para a Web 2.0, registou-se uma crescente necessidade da intervenção humana na utilização da tecnologia. No universo do espaço colaborativo e do pensamento coletivo sustentados pela evolução da Web, a interatividade e conexão global entre humanos é imprescindível. A internet não é mais uma infraestrutura meramente técnica, passando a ser um espaço de interação social e humana – We are the Web.(Michael Wesch 2007)

A relação entre a máquina e o humano deverá ser entendida como uma win-win-situation, verificando-se um interdependência e uma influência mútua. A tecnologia deverá ser apenas um meio e não um fim e o humano nunca deverá perder a sua centralidade. A educação do futuro é aquela em que se promove aprendizagem, desenvolvimento profissional e pessoal, nunca permitindo que a tecnologia nos tire a nossa humanidade.

 

 Novas formas de aprender

A Educação a Distância (EaD) assenta num modelo profundamente organizado e estruturado com metodologia e regras bem definidas. Registou-se uma evolução significativa desde o modelo de ensino à distância industrial, no qual não se privilegiava a interação estudante-estudante, nem estudante-professor, passando a vigorar um modelo de EaD centrado no estudante, com uma forte vertente cooperativa. O trabalho colaborativo entre os vários estudantes promove não só a aquisição de conteúdos (o quê), mas também o desenvolvimento de competências essenciais (o como), nomeadamente o espírito crítico e criativo e a responsabilização e capacidade de resolução de problemas.

Este modelo é considerado como uma mais-valia por permitir uma abordagem flexível e inclusiva, dando acesso a estudantes de diferentes áreas geográficas a nível nacional e internacional. Contudo, a sua utilização generalizada e potencialmente menos adequada durante períodos de crise como o da pandemia Covid 19, poderá ter impactos negativos no bem-estar e saúde mental dos jovens, causando exaustão, solidão e depressão. Estes sintomas poderão ser acentuados por excesso de trabalho, necessidade de cumprimento de prazos, assim como falta de condições materiais e habitacionais e contextos familiares desfavorecidos, originando desigualdades nas oportunidades de aprendizagem.

Nestes contextos de crise, o EaD poderá facilmente deixar de praticar uma metodologia aberta, são sendo mais do que uma forma de ensino tradicional, praticado online e à distância. Esta prática em nada se alinha com a metodologia aberta inerente ao EaD.

 

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Using the new technologies to pursue old teaching methods – generally, the content-centered, transmission of knowledge approach that has been the paradigm in traditional universities – does not bring substantial gains. There need to be changes in the pedagogy, in course design, in the role and action of teachers, or in the preparation of resources, to name the most relevant (Mota, 2009).

 

 

Conclusão

Finalizando este comentário–síntese da análise das várias produções audiovisuais no âmbito da atividade 4 da U.C. de Educação e Sociedade em Rede, cumpre-me concluir que a evolução da sociedade em rede tem um impacto significativo não apenas na educação, mas também na vida em sociedade na suas várias vertentes: económica, política, cultural, assim como a nível das relações humanas e laborais.

 

 

Referências (APA)

Bates, A. W. (2017). Educar na era digital: Design, ensino e aprendizagem. Artesanato Educacional.

Bozkurt, A. (2021). Digital Transformation of Teaching and Learning

DW Documentary (2021). The limits of learning,

Grajek, S., & EDUCAUSE IT Issues Panel. (2020). How colleges and universities are driving to digital transformation today. EDUCAUSE Review.

Jisc. (2019). Education 4.0: Transforming the future of education [Vídeo].

Lévy, Pierre (2000). Cibercultura Instituto Piaget

Plastico Film. (2023). AI and the future of education [Vídeo].

Teixeira, A., Bates, T., & Mota, J. (2019). What future(s) for distance education universities? Towards an open network-based approach. RIED. Revista Iberoamericana de Educación a Distancia, 22(1), 107–126. https://doi.org/10.5944/ried.22.1.22288

Wesch, M. (2007). The machine is us/ing us [Vídeo].

 

Laura Silva Maria

mPeL

sábado, 13 de dezembro de 2025

Fundamentos da Educação a Distância: Bibliografia Anotada e Guião de Entrevista

 Aspetos relevantes da atividade desenvolvida

 Imagem gerada por IA em Canva


A primeira tarefa da atividade 1 no âmbito da UC de Modelos de Educação a Distância, foi a elaboração de uma Bibliografia Anotada. Foi interessante ir à descoberta do significado de “bibliografia anotada”, assim como perceber o que são as “normas APA”. Estes conceitos aos quais me vou habituando, e que fazem parte do vocabulário de um estudante de Mestrado, estranhamente, quando os escuto pela primeira, despertam em mim a curiosidade em iniciar mais uma viagem pelo vasto mundo do conhecimento por trás do mPeL.

Verifiquei que cada atividade propicia uma aprendizagem em cadeia. A necessidade de realizar a bibliografia anotada, levou-me a estudar as normas APA e, consequentemente, a ler atentamente os  artigos facilitados pela professora.

Os textos permitiram-me refletir sobre termos como digital learning, distance learning, e online learning, assim como definições de e-learning m-learning. Percebi o quão difícil e pouco linear é chegar a um consenso relativamente a definições aceites globalmente pela comunidade científica. Tive igualmente a oportunidade de estudar  o artigo Três gerações da pedagogia de EAD.  (Anderson, T., & Dron, J. 2012), no qual os autores analisam a evolução de três sistemas de educação a distância: pedagogia cognitivo-behaviorista; pedagogia socioconstrutivista e pedagogia conectivista, associados a três gerações de desenvolvimento educacional, social e psicológico.

Como se não bastasse, e para complementar a riqueza da experiência, tivemos a honra de estar presentes em um webinar com o professor Terry Anderson, investigador conceituado na área da tecnologia no ensino e da aprendizagem a distância. Foi-nos possibilitado apresentar questões relacionadas com a evolução e o futuro da EaD, as gerações EaD, o modelo COI, a literacia digital e os desafios para a investigação. A atividade apresentada pela professora da UC para a elaboração de um guião de entrevista foi, assim, realizada com um propósito, e não como uma atividade solta e desprovida de contextualização, permitindo aos estudantes uma aprendizagem significativa dos conteúdos.

Na fase seguinte da atividade, os estudantes envolveram-se ativamente numa análise colaborativa das bibliografias anotadas, de modo a concordarem com a melhor opção para cada texto. Esta atividade promoveu a comunicação entre os estudantes, assim como o espírito crítico e de resolução de problemas e a responsabilização perante os colegas no cumprimento da tarefa.

Por fim, uma reflexão individual a ser apresentada no blogue, assim como o preenchimento de uma ficha de autoavaliação. O momento de pausa para reflexão após as atividades, permite a cada estudante rever todo o processo, de forma a interiorzar a aprendizagem e refletir sobre formas de melhoria.

A metodologia inerente a esta atividade privilegia uma abordagem holística, em contexto e significativa. É tão relevante o que aprendemos, como a forma como aprendemos.

Laura Silva Maria

domingo, 7 de dezembro de 2025

Autenticidade e Transparência na Rede

by Laura Silva Maria

A solidão da popularidade no digital e o síndroma de FOMO – o medo de ficar de fora


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O tema da autenticidade e transparência na rede no âmbito da UC Educação e Sociedade em Rede permitiu-me refletir de forma mais ponderada sobre as consequências do desenvolvimento tecnológico, à luz dos pensadores Jean Baudrillard e Paul Virilio.

Ambos os autores apresentam ideias convergentes no que respeita à perceção da realidade e da autenticidade em consequência do desenvolvimento tecnológico, pós-industrial. Contudo, apresentam divergências na forma como se perde a noção de realidade e autenticidade.

Para Baudrillard, no mundo hiper-real derivado da transformação tecnológica, a autenticidade e a transparência deixam de ter significado. A autenticidade desaparece quando as representações do real - simulacros - se tornam mais reais do que o real. É assim que, segundo Baudrillard, o indivíduo com as suas múltiplas identidades perde a noção da verdadeira identidade.

Virilio, por outro lado, defende que o que nos faz perder a perceção da autenticidade é a velocidade perigosa – dromologia – com que excessiva quantidade e variedade de informação é difundida. Os “acidentes” decorrentes da velocidade inerente ao progresso tecnológico são a contrapartida negativa. Quanto mais informação, mais desinformação, deep fake e outras simulações criadas por IA. Quanto mais progresso, maior a perda de autenticidade e da orientação nas relações que mantemos com o que nos rodeia.

FOMO – Fear OF Missing Out – um síndroma do século XXI

Vivemos rodeados de estímulos excessivos que nos chegam através de diversos meios a uma velocidade que dificilmente conseguimos acompanhar. Sentimos nos jovens, e também nos menos jovens, a ansiedade associada ao síndroma FOMO – o medo de não conseguir acompanhar e assim, ficar de fora, ser excluído. Quanto mais estes indivíduos acompanham as redes sociais, mais medo têm de perder alguma informação, tornando-se um vício difícil de contornar, perdendo-se neste turbilhão. Os indivíduos solitários e com baixa auto-estima parecem procurar conforto e aceitação nas redes sociais, estando mais vulneráveis ao FOMO, que, consequentemente, acentua a probabilidade de ansiedade e depressão.  Vive-se o mundo das redes sociais como um mundo de faz de conta, onde a aparência ilude a autenticidade e a transparência se desvanece, porque nada é o que parece.

 O desenvolvimento tecnológico e as relações humanas

O desenvolvimento tecnológico influenciou fortemente as relações humanas. Na superficialidade dos relacionamento humanos nas redes sociais, a reflexão crítica e ponderada foi substituida pelo Já-instantâneo e irrefletido, referido por Virilio. A falta de reflexão profunda originada pela pressa e a necessidade do imediato não permitem distinguir o que é autêntico e transparente do que é informação falsa e manipulada.

O ser humano tem de parar, tem de desligar, tem de se permitir tempo para o pensamento individual profundo, essencial para refletir de forma crítica e autêntica. Só assim conseguiremos compreender quem somos e quem queremos ser, mantendo a autenticidade e a transparência e escapando à solidão da popularidade nas redes sociais.

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Laura Silva Maria
mPeL

Cibercultura aos olhos de Pierre Lévy

Pierre Lévy, filósofo e sociólogo francês, visionário, há mais de 30 anos anteviu os impactos que a Internet teria no futuro da humanidade. Desenvolveu vários conceitos, sendo um dos mais importantes o de cibercultura. Uma breve reflexão sobre o contexto histórico-social por trás deste conceito, assim como a interligação a outras conceções referidas por Pierre Levy na sua obra Cibercultura irão facilitar a compreensão da noção de cibercultura.

 

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Cibercultura e o dilúvio do desenvolvimento tecnológico

Albert Einstein referiu que no séc. XX, para além da bomba atómica, explodiram duas bombas, a bomba demográfica e a bomba tecnológica, denominada por Roy Ascott como o segundo dilúvio. O paralelismo apresentado entre a tecnologia e o dilúvio prende-se com o crescimento exponencial e descontrolado da tecnologia, semelhante a uma inundação, neste caso um fluxo de informação desordenada e caótica, com as suas inúmeras fontes, ligadas em tempo real em todo o mundo.

Este dilúvio anárquico, com um sentido global cada vez mais ilegível, paradoxalmente, abriu caminho para a procura de soluções práticas na resolução do caos instalado. Estamos perante um dilúvio que não terá fim e no qual teremos de conseguir flutuar. Será que Noé saberá fazer a melhor opção para a sua arca? Ou, será que no meio deste dilúvio infinito haverá várias arcas com vários Noés a fazerem diferentes escolhas? Todos nós somos um Noé, com as nossas opções individuais, sendo que várias inteligências individuais resultam em inteligência coletiva. Pierre Lévy (2000, p.17) defende que “Os instrumentos que construímos dão-nos poderes mas, colectivamente responsáveis, temos a escolha nas nossas mãos.”

Como cidadãos responsáveis devemos procurar selecionar, através de uma filtragem consciente,  a informação mais adequada, éticamente correta e fidedigna.

Este dilúvio exponencial de desenvolvimento tecnológico está alinhado com o desenvolvimento demográfico do séc. XX, criando as condições para os três princípios da cibercultura - interligação, comunidades virtuais, inteligência coletiva. Dando voz a um movimento social, um grupo humano busca o ideal de inteligência coletiva através de uma comunidade virtual, inserida no ciberespaço.

A inteligência coletiva, um dos principais conceitos associados à cibercultura, vem dar resposta ao caos do dilúvio tecnológico. Através das memórias comuns e da contextualização é atribuída uma significação às mudanças tecnológicas.

ciberespaço, embora condicione e prepare o terreno para o desenvolvimento da inteligência coletiva, não o determina. A  inteligência coletiva resulta de uma interação flexível e abrangente, a memória comum de um grupo humano, que representa o verdadeiro virtual. O verdadeiro mundo virtual é o da significação atribuída, uma vez que não há ligação a um tempo ou lugar definidos.

Este dinamismo coletivo de interligações transversais e a comunicação interativa em tempo real originaram uma nova universalidade inerente à cibercultura. “A cibercultura exprime a ascenção de um novo universal”(Lévy, 2000, p.15).

Contrariamente ao universal totalizante que não está sujeito à significação do contexto, o novo universal sem totalidade, da humanidade, estabelece-se pela contextualização semântica generalizada do coletivo inteligente humano.

“A cibercultura, correspondente à mundialização concreta das sociedades, que inventa um universal sem totalidade.” (Lévy, 2000, p.274) 

Lévy (2000, p.17) define a cibercultura como “o conjunto das técnicas (materiais e intelectuais), as práticas, as atitudes, as maneiras de pensar e os valores que se desenvolvem conjuntamente com o crescimento do ciberespaço.” Considerando os conceitos acima apresentados, iria mais além ao acrescentar que a cibercultura é um fenómeno vivo em constante atualização no ciberespaço, que em consequência do desenvolvimento tecnológico influenciou significativamente a humanidade em termos civilizacionais, sociais, culturais, económicos, artísticos e educacionais.

 

Noção de Cibercultura por Pierre Lévy, imagem criada em Canva


Exemplos de cibercultura

A Intranet

Atualmente largamente utilizada por empresas e entidade públicas, foi há anos reconhecida por Lévy como uma forma de facilitar a transparência entre as organizações que a utilizam. Permite a correspondência, colaboração e partilha de documentos internamente, facilitando a organização interna das empresas. Não obstante, está inserida no ciberespaço global.

O Blogue

A nível mais atual, o blogue é utilizado como ferramenta de trabalho e avaliação colaborativa no âmbito do Modelo Pedagógico Virtual da Universidade Aberta. O blogue como Recurso Educacional Aberto é um canalizador de inteligência coletiva de qualidade. O facto de o autor partilhar o seu trabalho de forma aberta e acessível a toda a gente, irá inevitavelmente contribuir para uma filtragem do conteúdo a ser partilhado. A interação transversal facilitada pelo blogue, permite uma apendizagem em rede, de forma interativa e colaborativa.   

As Árvores do Conhecimento

Esta criação de Pierre Lévy e Michel Authier é um perfeito exemplo de inteligência coletiva e cibercultura. Este software favorece o desenvolvimento pessoal contínuo e flexível dos indivíduos e valoriza as suas competências, qualificações e habilidades. Torna-os visíveis à comunidade onde estão inseridos, de forma que a comunidade, como um todo, possa beneficiar do contributo de cada um.

 

PIERRE LÉVY, o visionário

Ao ler a obra Cibercultura de Pierre Lévy, primeiramente publicada em 1997, compreendemos como o autor tinha consciência do impacto profundo que a Internet iria ter na humanidade. A sua reflexão sobre o futuro dos sistemas educativos e de formação foca alguns aspetos que estão perfeitamente atualizadas no séc XXI.

Lévy (2000, p.167) prevê que “Pela primeira vez na história da humanidade, a maior parte das competências adquiridas por uma pessoa no início do seu percurso profissional serão obsoletas no fim da sua carreira.”

Esta sua previsão está alinhada com as políticas educativas europeias e nacionais atuais, conforme descrito no Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho “a sociedade enfrenta atualmente novos desafios, decorrentes de uma globalização e desenvolvimento tecnológico em aceleração, tendo a escola de preparar os alunos, que serão jovens e adultos em 2030, para empregos ainda não criados, para tecnologias ainda não inventadas, para a resolução de problemas que ainda se desconhecem”.

Relativamente ao ensino superior, Pierre Lévy afirma a necessidade de recorrer a novas formas de ensino-aprendizagem para dar reposta à crescente procura não apenas em termos quantitativos, mas em termos qualitativos de diversificação e personalização da oferta.

Valoriza as novas metodologias de aprendizagem cooperativa e promotora de inteligência coletiva. Este novo paradigma apresenta o docente como facilitador e gestor da inteligência coletiva dos grupos.

Esta visão é perfeitamente atual em 2025 e está subjacente ao Modelo Pedagógico Virtual da Universidade Aberta

 

Referências

Lévy, Pierre (2000). Cibercultura Instituto Piaget