Iniciei a minha viagem pelo Ensino à Distância (EAD) com o desenvolvimento de projetos eTwinning em 2017, recorrendo à plataforma europeia que permite o a colaboração entre escolas de vários países, recorrendo ao digital. Tratava-se de projetos que desenvolvia em paralelo com a minha prática letiva presencial, não me tendo questionado a fundo sobre a pertinência desta metodologia.
A grande mudança ocorreu durante
o período de confinamento, no âmbito da pandemia Covid-19. O EAD tornou-se
essencial, e todas as minhas aulas passaram a ser lecionadas exclusivamente
através de projetos desenvolvidos na plataforma eTwinning.
Passamos a utilizar diariamente a
plataforma Teams. O Zoom passou integrar o nosso dia-a-dia. Frequentei muita
formação por meio de MOOCs. De repente, o EAD instalou-se nas nossas vidas como
necessário e indispensável.
Mesmo após a pandemia, o EAD e as plataformas
digitais não mais saíram da minha vida. Contudo, sempre que possível
privilegiei o contacto humano presencial.
Ao integrar a coordenação da
Organização Nacional de Apoio eTwinning PT, o meu trabalho passou a ser
essencialmente digital e à distância, deslocando-me ao local de trabalho dois
dias por semana, trabalhando os restantes a partir de casa.
Quando decidi ingressar no
Mestrado, a minha pesquisa inicial limitou-se aos Mestrados em regime
presencial, uma vez que não pretendia passar mais tempo online do que
necessário. Após compreender a dificuldade de haver compatibilidade horária
para a frequência do curso optei por pesquisar na Universidade Aberta. O Mestrado
em Pedagogia do eLearning imediatamente despertou o meu interesse. Demorei
algum tempo a desconstruir ideias pré-concebidas (ensino pouco exigente e pouco
reconhecido, metodologia muito impessoal sem preocupação com o fator humano,
etc.) antes de decidir candidatar-me.
A minha visão pessoal, sobre
EAD/eLearning mudou drasticamente ao longo do Módulo de Ambientação, que
considero fundamental para a preparação do estudante da UAb.
Ao ler o Modelo Pedagógico
Virtual da Universidade Aberta compreendi que se trata de um modelo
profundamente bem organizado e estruturado com metodologia e regras bem
definidas.
Compreendemos que houve uma
evolução significativa desde o modelo de ensino à distância industrial, no qual
não se privilegiava a interação estudante-estudante, nem estudante-professor,
passando a vigorar um modelo de EAD centrado no estudante, com uma forte
vertente colaborativa. O trabalho colaborativo entre os vários estudantes
promove não só a aquisição de conteúdos (o quê), mas também o desenvolvimento
de competências essenciais (o como), nomeadamente o espírito crítico e criativo
e a responsabilização e capacidade de resolução de problemas.
Este é um modelo flexível e
inclusivo ao permitir o acesso a estudantes de diferentes áreas geográficas a
nível nacional e internacional, promovendo a internacionalização e abertura
para um espaço europeu de ensino superior.
A comunicação, essencialmente
assíncrona, inicialmente pareceu-me pouco envolvente e distante. Contudo,
também as regras de comunicação e as ferramentas de contacto foram
cuidadosamente pensadas. A comunicação
assíncrona permite-nos ter tempo para refletir, promovendo o pensamento de
ordem superior e contribuir com intervenções pertinentes. A interação no fórum
dá espaço para a criação de laços profissionais e pessoais. Senti que esses
laços se foram criando ao longo do Módulo de Ambientação, devido a uma certa
insegurança dos estudantes nesta fase inicial. Compreendi, igualmente, que esta
insegurança inicial foi necessária para por à prova a resiliência dos
estudantes, necessária para a consecução do Mestrado.
Vejo a Plataforma Aberta como um
campus universitário digital onde temos espaços de aula virtual, locais de
comunicação formal, mas também acesso à secretaria e espaços de mentoria e
comunicação informal.
Após esta experiência inicial
posso afirmar que não devemos fazer juízos de valor com base em ideias
pré-concebidas. Considero que este Mestrado é bastante exigente na aquisição
dos conhecimentos científicos de forma rigorosa e responsável. A metodologia
inerente ao Modelo Pedagógico Virtual da Universidade Aberta fomenta, ainda, o
desenvolvimento de competências-chave essenciais para a formação holística do
estudante.
